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03/06/2014

O Décimo Terceiro Conto (opinião)

"O Décimo Terceiro Conto", de Diane Setterield (Editorial Presença)

Opinião (Ana Nunes):
Já há alguns anos que este livro estava na minha estante, à espera de ser lido. Reeditado recentemente, a minha edição é ainda a primeira, com a capa mais bonita (a dos livros).

O Décimo Terceiro Conto, ao contrário do que o título e a capa possa sugerir, não é um livro sobre livros. É antes um livro sobre uma escritora e a sua verdadeira história, e também de uma leitora, mas não tanto sobre os livros que elas lêem ou que marcaram as suas vidas.

A trama é surpreendente, na medida em que leva o leitor a acreditar numa coisa e depois, de forma muito brilhante, revela que, afinal de contas, não era bem como se esperava. Adorei a reviravolta final e não me senti atraiçoada pela obra. Afinal as pistas estavam lá. Bastava olhar com um pouco de mais atenção.
Contando a história de uma família muito disfuncional, numa casa que se torna, também ela, anormal. Desde o início que sabemos que esta história será uma sucessão de tragédias e, efectivamente, esse é tanto o ponto forte, como o ponto fraco do livro. A autora consegue fazer o leitor sentir mas não há nada de bom no meio, para compensar. Essa falta de felicidade torna a obra muito pesada, em determinados momentos e no geral. Só mesmo no fim temos um vislumbre de possível mudança, mas é tão breve que não chega para quebrar a fatalidade de toda a história.
Só achei duas coisas mal no desfecho: o facto de nunca se descobrir o que aconteceu a Emmeline/Adeline, ou seja, quem sobreviveu; o facto de não haver qualquer razão para a Vida ter abandonado o Ambrose, depois de ter apregoado o quanto o amava e sentia que ele era parte dela.

A nível de personagens, Vida é, sem sombra de dúvida, a alma do livro. Ou não fosse esta a sua história. Por outro lado, Lea é das protagonistas mais aborrecidas que conheci. No início era interessante, com o seu amor por livros, a sua família em cacos, e uma curiosidade nata. No entanto, à medida que o livro ia avançando, ela tornou-se mais e mais repetitiva, mais e mais uma espectadora cuja presença passou a ser quase banal, inconsequente. Não fosse o facto de ela ser o elo com o Ambrose, eu diria que ela se tornou prescindível. E já que falo no Ambrose, aí está outra personagem que me cativou, apesar de achar que merecia mais páginas.
Ainda assim, Vida foi soberba. A sua dor, a sua relutância em contar a verdade. Tudo foi muito bem conseguido, envolvendo o leitor até ele se sentir parte do seu relato.

A prosa da autora é muito rica e detalhada, dando vida a um role de personagens interessantes e a uma mansão que parecia, ela própria, uma personagem. A forma como leva o leitor a crer numa coisa, ignorando todos os sinais de outra coisa, é fascinante. Gostei muito da escrita, tendo marcado várias passagens.
Contudo, achei que podiam ter ligado melhor a história de vida da autora com a sua obra. Fazia mais sentido, tendo em conta o título do livro.

Em suma, O Décimo Terceiro Conto é uma belíssima obra, uma história que merece ser apreciada, devagarinho. Só me arrependo de não o ter lido antes.

21/05/2014

O Homem que Perseguia o Tempo, de Diane Setterfield (opinião)



Opinião:
Gostei muito do livro anterior da autora O Décimo Terceiro Conto, e como é óbvio tinha muita curiosidade e queria ler O Homem que Perseguia o Tempo, diferente, mas tão bom quanto o primeiro.
Uma narrativa que nos envolve logo de inicio, envolta numa aura de mistério, passa-se num ambiente rural, onde vive o personagem William sozinho com a sua mãe, pois o pai abandonou-os.
William num dado momento da sua infância, numa brincadeira com os amigos, mata com uma pedra, lançada através de uma fisga, uma gralha-calva, um incidente que fez admiração dos amigos pela sua grande pontaria, ele podia ter evitado a morte do pássaro, mas não o fez, até certo ponto fica orgulhoso do seu acto.
Mas esse momento, este incidente fica no seu subconsciente, e vai acompanhá-lo ao longo da vida, o facto é que William a partir daí tem fobia a estes pássaros, não consegue vê-los nem estar na sua presença.
Cresce, casa e demonstra ser um homem bastante inteligente e competente nas suas funções na empresa do avô e do tio, mas no que toca a relacionamentos, não se mostra uma pessoa muito sociável, refugia-se no trabalho, mostrando a sua enorme competência para os negócios, consegue resolver e arranjar solução para tudo, surpreendendo todos os que o rodeiam com a sua aptidão.
Quando está a correr tudo bem, perde a sua família, a única que sobrevive, ninguém sabe como, é a filha mais velha, que ao contrário do pai adora os pássaros.
William com este episódio negro na sua vida, perde um pouco o rumo, até que um personagem misterioso, sinistro se encontra com ele e lhe propõe algo que deixa o leitor muito curioso, a autora consegue deixar-nos na expectativa até ao fim sobre aquilo que teriam falado ou mesmo acordado um com o outro, tornando esta história ainda mais envolvente. 
O facto é que o acordo que fez com o homem mistério, levam a que William se torne num brilhante homem de negócios na cidade Londrina, até o passado o voltar a assombrar.
No fundo trata-se de uma história sobre culpa, que William carrega, algo que fez na sua infância e que nunca esqueceu, faz com que carregue esse sentimento, apesar de terem passado longos anos, aquele incidente na sua infância definiu e marcou para sempre a sua vida.
A autora envolve-nos, nesta narrativa muito misteriosa, que nos faz ver a vida e a morte de outra perspectiva, passando uma mensagem de que existem actos praticados que nunca são esquecidos e que podem ter retorno naqueles que os praticam.
Mais um excelente livro de Diane Setterfield, com uma escrita envolvente e cativante, dá-nos uma narrativa diferente, obscura, inquietante, mas que torna o livro muito bom, recomendo sem dúvida alguma.

Pode ler sobre o livro O Homem que Perseguia o Tempo aqui