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02/01/2018

Penúltima Esperança de Lí Marta (opinião)

Penúltima Esperança de Lí Marta

Mónica uma jovem de uma beleza assinalável enfrenta alguns problemas após a morte de seu pai e vai encontra o refugio ideal para a sua angustia em Porto Covo, refugio de férias da família que agora será só seu, os problemas pessoais com Alexandre seu antigo namorado acentuam-se vertiginosamente.
Nesse refugio e com esse estado de espírito Mónica vai encontrar Luís, um reconhecido empresário, que irá colocar Mónica no mundo da moda e assim a vida de Mónica irá sofrer uma transformação por completo, o reconhecimento, prestígio, dinheiro, deste novo mundo de Mónica (nem sempre perfeito) será abalado com um reencontro com Alexandre.

Voltamos a encontrar uma escrita simples e direta de leitura rápida e fácil. As personagens são bem construídas e complexas, nota-se uma evolução na construção das personagens, algumas de fácil identificação com o leitor.
Num estilo narrativo que vai alternado, Lí Marta consegue faze-lo sem que o enredo fique comprometido.

Em oposição ao seu livro anterior este remete para uma temática onde as personagens aparentam ser mais elitista e por consequência um afastamento das personagens mais “anónimas”, que em ambos os casos funciona mas talvez este último encontre mais leitores nesse elitismo.

Um livro bonito cheio de emoção com alguns finais inesperados.
Um livro que recomendo.

16/10/2015

Espírito Selvagem de Lí Marta (opinião)

Espírito Selvagem de Lí Marta

Alexandra parte de Lisboa em viagem para o Gerês na necessidade de encontrar uma paz interior capaz de a refazer um namoro abruptamente terminado. Gerês um refúgio de longa data para ela, nesse refúgio Alexandra conta-nos o que a levou a tomar essa decisão, as amarguras que passou nas “mãos” de João seu antigo namorado. 
Numa das suas caminhadas de introspeção Alexandra encontra Paulo um turista perdido na serra. Paulo somente está perdido aí, na serra, pois Paulo tem bem certo qual o rumo a tomar na sua vida, mas nem sempre assim foi. 
Nesses breves dias nasce algo entre Alexandra e Paulo, algo que os irá ligar para sempre, uma amizade única, um florescer de um amor verdadeiro. 
Após terminar este refúgio Alexandra retorna a Lisboa e Paulo a Guimarães mas levam com eles a esperança de um futuro em conjunto. Paulo, gerente e dono de um café, tem planos para fazer crescer o seu negócio bem como planos para não esquecer Alexandra. 
Alexandra retomando sua vida em Lisboa, retoma também o relacionamento com seu antigo namoro, João e acaba assim numa prisão sentimental exercida pela contínua chantagem emocional de João.

João que sempre dividiu seu relacionamento entre Alexandra e Helena irá transformar a vida de Alexandra num suplício humano a violência que ele pratica sobre ela é atroz. 
Paulo sem notícias de Alexandra esvanece o seu entusiasmo de um reencontro com Alexandra, mas nunca perde a esperança de um dia voltar a abraçar. 
O terror que Alexandra passa transforma-se em submissão ao seu agressor, a preocupação dos pais não é suficiente para Alexandra se libertar, os amigos são todos afastados por Paulo que reduz o mundo de Alexandra a ele mesmo. Só um milagre poderá ajudar Alexandra, um anjo que sempre esteve com ela é-lhe enviado, surge com a força necessária para ajudar Alexandra a libertar-se deste monstro, Vera, o anjo, amiga de infância de Alexandra quando sente que a amiga está a caminho do precipício estende-lhe o "coração" e no momento mais oportuno irá tentar ajudar a amiga a libertar-se dessa triste vida. 
Lí Marta continua com a sua escrita muito peculiar uma escrita emocional, direta e simples. 
Neste seu segundo livro é notória a liberdade de escrita, personagens bem construídas com um enredo complexo mas fluido, são imensas as histórias que rodopiam em torno de Alexandra, Paulo e João que dão um brilho mais intenso ao livro. 
Lí aborda temas complexos que mexem com o leitor, cria personagens que nos revoltam, que nos dececionam, que nos surpreendem ou que chegamos a nos rever numa dessas personagens.



Um livro que nos fala da vida, não da vida que queremos muitas vezes ler, mas de uma vida real. Um livro com uma abordagem positiva num alerta a temas sensíveis da sociedade atual. Sente-se a mensagem de alerta que a autora pretende fazer chegar ao leitor, retira-se muito deste livro onde a inocência reside somente na escrita.

Adorei o final, inesperado, de algumas personagens.
Um livro que recomendo.

…e mais uma vez:
Um agradecimento especial à autora pela sua disponibilidade para estar presente no debate deste livro no CLBB (Clube Leituras Bertrand de Braga), que com a sua simpatia fez que essa tarde fosse diferente e muito mais agradável.


Obrigado Lí.


13/10/2014

O último adeus de Lí Marta (opinião)






O último adeus de Lí Marta

Um livro onde se retratam três gerações de primogénitas, três mulheres onde a sua força e determinação delineiam o enredo deste romance; Dionora, Luzita e Lídia tangem a sua história de vida no amor que viveram.
A história, baseada em fatos verídicos (e como tal compreende-se os limites impostos pela autora no seu aprofundamento de algumas situações) onde se sente a dureza e a tragédia de outros tempos vividos num interior rural mas sempre com muito amor e compreensão, de tal forma que esse amor e compreensão suavizam e transformam essa ruralidade mais brutal numa paisagem mais idílica.
O livro esbate-se num descolorido quando retrata as suas personagens que de uma forma geral são muito lineares, poucas oscilações são sentidas na pluralidade das personagens... mesmo sendo orientando por uma coordenada muito próxima da verídica, seria muito mais interessante que existisse uma certa intriga e um lado mais obscuro neste manto branco, mas compreende-se os limites da autora. O conflito religioso de Hermínio e Luzita dava para criar uma chama que poderia “aquecer” este amor.
Sente-se o conhecimento profundo da autora nos trilhos que a história decalca, o conhecimento dos locais e dos fatores sócio económicos estão bem estudados e representados neste livro.

A autora com a sua escrita envolve os leitores nas paisagens, belas, de uma região muito característica e espalha pelo livro factos históricos que deliciam as mentes mais atentas. Adorei partes do livro como os preparativos do casamento de Luzita, os telefonemas retardados de meia hora no vai vem casa café, só de imaginar esta situações... a passagem de conhecimento de mãe para filha e a avó que volta a ser mãe pela neta numa repetição interminável de gerações.
Por fim terá Lídia, na realidade não na ficção, entregue a carta, na campa, a António de Cruz Matos?

Resumindo um livro bastante agradável de ler, conta-nos uma história que pode ser vista como um legado de três gerações que definiram, de uma forma alargada, aquilo que é estipulado como o amor maternal.

Um livro de leitura fácil, escrita simples, intimista e muito emocional capaz de gerar, se a autora assim continuar, uma legião de fãs, fiéis, ao seu estilo.

Um agradecimento especial à autora pela sua disponibilidade e “coragem” para estar presente no debate deste livro no CLBB (Clube Leituras Bertrand de Braga), que com a sua simpatia fez que essa tarde fosse diferente e a todos os membros que fazem parte do clube de leitura e que tornam estas tardes muito especiais.
Obrigado Lí.