Título: Madrugada Suja
Autor: Miguel Sousa Tavares
Três histórias que se cruzam desde uma aldeia deserta até ao topo do poder.
Edição/reimpressão: 2013
N.º de Páginas: 352
Editor: Clube do Autor
Sinopse:
No princípio, há uma madrugada suja: uma noite de álcool de estudantes
que acaba num pesadelo que vai perseguir os seus protagonistas durante
anos.
Depois, há uma aldeia do interior alentejano que se vai despovoando aos
poucos, até restar apenas um avô e um neto. Filipe, o neto, parte para o
mundo sem esquecer a sua aldeia e tudo o que lá aprendeu. As
circunstâncias do seu trabalho levam-no a tropeçar num caso de corrupção
política, que vai da base até ao topo. Ele enreda-se na trama, ao mesmo
tempo que esta se confunde com o seu passado esquecido.
Intercaladamente, e através de várias vozes narrativas, seguimos o
destino dessa aldeia e em simultâneo o dos protagonistas daquela
madrugada suja e daquela intriga política. Até que o final do dia e o
raio verde venham pôr em ordem o caos aparente.
Excerto:
“E
agora, de volta à minha aldeia, onde a luz eléctrica chegara tarde
demais para os homens, madrugada dentro, eu lia o Guerra e Paz. Numa
aldeia morta, numa noite deserta, seguia, como se estivesse a ver, o
esplendor dos salões de baile do Império Russo, a imensidão das estepes
gélidas, os gritos de horror dos estropiados pelo fogo dos canhões de
Napoleão Bonaparte, e chegava-me mais ao calor da lareira para não
sentir a solidão das trincheiras de lama, húmidas, frias, desoladas,
onde se abrigava o exército de Kutúsov. Alguém dissera um dia que se
podia viver sem tudo, menos água e comida, mas que viver sem livros e
sem música não seria o mesmo que viver.”
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