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25/10/2012
11/05/2012
20/01/2012
# 25 da tempestade à bonança
tempestade, continua, assola sobre meu bairro, atrasado estava
tempestade que limpou, dilui a ira da incompreensão
tempestade que fez transbordar a incompreensão, adubou a irritação
tempestades da vida, da vida real aquela que fica acima da vida verdadeira
bonança, sempre atrasada, caminha na sombra da tempestade
bonança atenua os efeitos da sua precedente, bonança que brilha na calçada
bonança seca a irritação, faz luz na incompreensão
bonança tardia, bonança verdadeira mas nem por isso real
02/01/2012
17/06/2011
26/05/2011
#22 Sons
O ranger do asfalto sussurrava-lhe ao ouvido como estridentes notas musicais de um azul celeste, o som cadenciado dos seus passos ecoavam sob seus tímpanos criando uma sonolência induzida por esse som intemporal, magistral.
Dormia? Não, melhor, não sei...
25/03/2011
#21 Vazio
Necessitava de uma ideia para continuar, um desbloqueio mental para esta letargia de ideias, um acabar com este sereno repouso de pensamentos, um término nesta inocuidade de planos.
Vagueava assim no vazio de ideias, tentado empurrar aquele carrinho de compras, pelos labirintos daquela superfície quando um estranho pensamento vindo, acho eu, do céu, bateu no meu vazio mental, naquela intersecção, insípida, da mesma superfície que neste caso era comercial.
...Porque raio sempre que venho às compras me sai o mesmo carrinho? este velho corpo plástico que se arrasta em vez de deslizar... raios ando eu para aqui a fazer figura de urso empurrando este desnorteado carrito...
Mas será que são todos assim? será que fico sempre com o mesmo? quantos estarão neste estado? o seu porque? e o como? e será que o quando existe? mil uma questões, aparentemente sem resposta, mas, sim, mesmo nesta breve história existe um mas, vou começar a escrever algumas respostas, para começar marquei o dito carrinho.
Resumindo fiquei com a cabeça cheia de pensamentos, maioritariamente inúteis, com um carrinho de compras cheio, e a carteira vazia. A isto chama-se uma acção de marketing bem direccionada, como uma estratégia planeada ao infimamente pormenor.
14/01/2011
#20 Raio X
Todo o tipo de pessoas passam pelo raio x, é inevitável, todos regressam as suas bases, à fundação do ser, um tratamento que se pretende igual, isento de humores, isentos de horrores.
Eles são os aflitos com presa que desesperam, e mais desesperados iram ficar... os que ficam estupefactos com o sinal sonoro, um bip perseguido de uma luz vermelha relembrado certas ruas de Amesterdão, e levantam de imediato as mãos como se fosses suspeitos, terroristas involuntários... as apalpadelas nas raparigas/mulheres, algumas nada simbólicas, lê-se o desejo nos olhos da sua inspectora... os que tem de retirar os sapatos e esconder as meias de si mesmos com risos involuntários... aquele, aqui uma particularização, que tinha um taco de snooker, uma troca de olhares suspeitos, e teve de ser a policia a decidir o que fazer ao taco, lixo ou continua a sua viagem interminável com o seu acompanhante... o da cana de pesca telescópica, outra particularização, que embaraçou quem a inspeccionava... um casal com aparências de trinta anos a passear com cinco, supostos, filhos e dois violinos, nele ele a dor de costas o gesticular agudo... o outro com o seu notebook que parece o melhor do mundo tantos são os seus cuidados, tanto é o desprezo de quem o inspecciona... as atrozes que não deixam movimentos fáceis, contrastam com a vivacidade dos apresados... a felicidade de passa incólume pelo raio x, num expressivo, yes I did...
Tantas vidas cruzadas no mesmo raio x, um raio x sabedor de tanta informação, dissecador de vidas. No fundo todos procuram pela porta que os levara a novos destinos com as mesmas rotinas!
03/12/2010
#19 A Reclamação
Entra na sala com um objectivo bem definido, previamente planeado, mentalmente reviu passo a passo, vezes sem conta, as tácticas de aproximação os ataques que iria proceder aos contra-ataques, as defesas aplicadas aos ataques do opositor, reviu tudo, tudo, como conseguiria sobreviver nesta trincheira, plantada neste campo infernal, mas não estava só iria acompanhado, um soldado nunca está só.
Após uma breve introdução (ele "...bom dia...", ela "...bom dia em que posso ajudar...") deu-se a inevitável explosão de sentimentos, firmemente guardados em si, reclama, reclama por algo, algo que adquiriu. Pelo meio das suas barbaridades e trovões pouco se percebe o que reclama e mais importante, porque o reclama. Do outro lado, numa outra trincheira está a impotente vendedora, soldado inimigo outrora neutro ou camarada, anua com a cabeça num consentimento servil, humilha-se perante outros soldados que esperam impacientemente a sua vez, mas que neste momento admiram este espectáculo como meros espectadores, soldados agora neutros, camaradas.
Tábuas de madeira, tábuas de salvação separam estes sentimentos entre soldados, fronteira que protege ambos de actos mais hediondos.
Existe demasiada violência em actos tão pequenos e insignificantes.
12/11/2010
#18 Na noite
Negra, a noite caia, sobre nós, que por ela deitados esperávamos, a noite, estava, densa, espessa, carregada de desejos. Penetrávamos nosso olhar nesse silêncio melodioso, sorrisos melancólico fugiam dos nossos lábios. Pensava em ti e alcançava-te fisicamente mesmo sem te ver, sentia a tua respiração, quente, bem junto ao meu corpo gélido Enviei-te um chamamento eterno, desejava a nossa união espiritual, deveríamo-nos transcender extrapolar a nossa insignificância física, sussurrei, chamei, gritei, berrei, estoirei os meus pulmões os teus ouvidos, mas negaste-me esse chamamento, esse meu ardente desejo, rejeitaste-me.
Levantei-me, caminhei sobre a noite para o precipício eterno, deixando contigo a negra noite, para todo o sempre.
05/11/2010
#17 conhecimento
Ela, ele, penso que tudo começou no início do tempo deles, talvez já predestinados por profecias ainda mais antigas, envelhecendo juntos como quem envelhece em cascas do melhor carvalho, absorvendo o melhor do melhor, depurar o lixo das suas almas para um rio de detritos que desaguavam num universo de hipocrisia.
Conheciam-se tão bem, tão bem, que cada dia que passavam nessa união parecia-lhes uma novidade.
08/10/2010
#16 Llosa
Porque sim, hoje parafraseando o mais recente nobel da literatura, o grande Llosa, aquando recebeu a notícia que tinha ganho disse ...Pensé que era una broma...
O obituário prematuro do livro.
Porquê Literatura?
Tantas vezes me aconteceu, em feiras de livros ou em livrarias, que um cavalheiro se aproxima de mim e me pede um autógrafo. "É para minha esposa, minha filha, ou minha mãe", explica ele. "Ela é uma grande leitora e ama a literatura." Imediatamente, eu lhe pergunto: "E você não gosta de ler?" A resposta é quase sempre a mesma: "Claro que eu gosto de ler, mas eu sou uma pessoa muito ocupada." Eu ouvi esta explicação dezenas de vezes: este homem e muitos milhares de homens como ele tem tantas coisas importantes para fazer, tantas obrigações, tantas responsabilidades na vida, que não pode desperdiçar seu precioso tempo "enterrado" em um romance, um livro de poesia ou um ensaio literário por horas e horas. Segundo essa concepção difundida, a literatura é uma actividade dispensável, sem dúvida e uma actividade nobre e útil para cultivar a sensibilidade e as boas maneiras, mas, essencialmente, é um entretenimento, um adorno que as pessoas só com muito tempo de lazer podem pagar. É algo para encaixar no meio dos desportos, do cinema, um jogo de bridge ou xadrez, e ela (leitura) pode ser sacrificada sem escrúpulos quando se "prioriza" as tarefas e os deveres que são indispensáveis na luta da vida.
Artigo Completo, em Inglês (aqui)
http://www.robinprior.net/items/vargasllosa.htm
Noticia via blog Revista LER (aqui)
http://ler.blogs.sapo.pt/
01/10/2010
#15 rio
Durante dias, sóis nascentes, luas de crescentes a minguantes percorreu ora pelas margens ora pelo leito menor, curvando-se nas suas longas e persistentes ondulações, sem nunca perder o seu rumo em mente com o seu objectivo caminhou de encontro ao mar onde desaguou todas as suas saudades.
Livre olhou o céu e em fortes pulmões vociferou ...sempre é melhor morrer que perder a vida, quero morrer a teu lado... e foi.
24/09/2010
#14 atraso
Era inevitável tudo aquilo que era produto do seu esforço nunca estaria presente no momento certo. Desde cedo todos que com ele conviveram, foram se habituando, de forma estranha e muitas vezes sem a sua viva aprovação, mas relutantes e com muita resignação lá foram aceitando esta forma de vida.
Já mãe dizia que na tão desejada "hora pequena" ela teve de aguardar para poder dar à luz esta pequena alma, e assim desde os primórdios desta existência este é o homem que está sempre atrasado, foi assim no seu baptismo, antes de o andor molhar os pés na calçada o menino lembrou-se de sujar o seu fato de gala um ver se te avias para repor a situação e lá seguiram com um atraso.
Seguiram-se atrasos na escola, nos bailes, no casamento inverteu os papéis e a noiva plantada no altar esperava o seu amado que abraçado à mãe, fez justíssima à máxima que alguém deve espera no altar, não existe casamento onde isto não aconteça. Seguiram-se os empregos onde um precedido a outro que já não aguentavam tanto retardo, lá vagueava sem preocupações pelos meandros do mundo laboral.
Sim, os leitores, já estão imaginando que nem no dia mais importante para uma vida em família ele esteve presente no momento certo, tal como no seu nascimento, os seus atrasos fizeram com que não chega-se a tempo de assistir ao nascimento da sua filha depois do seu filho e a procissão continuo nos restantes três filhos, era um rol de eventos nefastos que faziam que este homem nunca estivesse presente.
Recordando agora, desde este sinistro local, que a luz solar põe a nu e desmascara todas as nossas suspeitas de receio, as jazigos não fumegam a libertação de gases mais assustadora que perigosa, recordamos estas caricatas situações do homem mais atrasado do, seu, mundo, e esperamos sim esperamos por este homem para uma última homenagem, esperamos, esperamos não que ele esteja atrasado, talvez no nosso instinto, todos tenhamos chegado mais cedo...
10/09/2010
#13 rosas
Saio de casa, reservo o tempo necessário para chegar à hora anunciada, caminho devagar, pedras conhecidas, muitas vezes só, são neste momentos que presto mais atenção as pedras e ao caminho, noutros dias vou com a telefonia agarrada aos meus ouvidos, ai distraio-me com outros "vagabundos", que penso irem para o mesmo local que eu procuro.
Ao longe avisto a última rotunda, calco a passadeira, uma multidão espera-me, dispersos pelo espaço, penetro na multidão, unos ficamos, indivisos aguardamos outros errantes, até nos sentirmos completos.
Caminho agora por entre o seio desta "família" sinto os odores libertados pelos seus poros corporais, procuro afastar-me dos mais dolorosos tento encontrar o dono e seguir esse odor mais estável.
À entrada sinto o cheiro da relva cortada e regada nesse mesmo momento as cavidades nasais dilatam para sorverem um perfume com uma intensidade muito verde, o sol aquece-me o rosto e cega-me por breves instantes tal a sua intensidade e brilho.
Meio atordoado e com uma visão muito reduzida, questiono ...O que é aquilo... e oiço, doce e suave, ...são as nossas rosas, rosas vermelhas...
Não eram, rosas, mas vestiam de vermelho.
03/09/2010
#12 A.L.A.
Hoje, e só hoje, por muito que se goste ou até mesmo pelo contrário, que se deteste o seu trabalho; por muito mais, ainda, que admire as suas crónicas ou ao invés, só se compra as revistas e os ditos jornais para ler as suas "berrantes" ideias depositadas em crónicas sem sentido; se se ama ler os seus livros que nos prendem à vida como o sol ata a sombra ou se pense que de escritor nada existe nas suas ideias, nos seus livros já publicados...
Amemos ou odiemos, são meras opiniões, tal como a seguinte é certo, mas esta ficou gravada, não na pedra, por agora talvez um dia, mas na memória de curto prazo de quem a leu.
Ele escreveu:
"...Conheço menos bons escritores do que bons leitores, um bom leitor é uma espécie muito rara..."
27/08/2010
#11 olhar
Num lacónico trocar de olhares, mas de uma intensidade do peso do ouro, aquele olhar, trocou-se por outros olhares sem a devida autorização do seu senhorio, tal como cão sem dono, que vaguei errantemente de esquina em esquina.
Ele, no centro daquela aglomeração, tentava encontra, novamente aqueles olhos e com os seus os procurava. Ela com o andar lhe fugia, levada pela corrente humana, no sentido da força maior, contrário ao olhar dele. Ela subiu-a a rua e girou o seu olhar, iria sorrir, procurava-o, ele elevou o seu olhar, o coração acelerou, olhou e cegou, o brilho do sol era, pensou ...via melhor na escuridão.
20/08/2010
#10 Regresso
De volta, o momento do reencontro com os objectos, planta, animais e humanos outrora deixados nas minhas costas, voando assim para um futuro incerto mas sempre de alma aberta ao novo, ao desconhecido, tal qual os nossos antigos navegantes, já esquecidos, de tais proezas. Parti para encontrar novos objectos, plantas, animais e humanos em em tudo eram semelhantes aos abandonados.
De volta reencontro a novidade do antigo, nos objectos, plantas, animais, e humanos, um passado imperfeito revela-me um futuro perfeito.
13/08/2010
#9 tempo de férias
O tempo escoria-lhe pelas mãos pingava em grotescos pingos, pingos esses, que ressoavam em ruídos ferozes quando estridentemente chocavam, de encontro ao duro e último, chão.
Fugia sem licença, desertava da sua vida passada.
Assim sem o menor pudor, sem o brilho solar que lhe era característico passou de verão para outono num piscar de olhos.



