05/12/2013

Os Anjos Morrem das Nossas Feridas, de Yasmina Khadra (opinião)



Opinião:
Existem livros que se tornam inesquecíveis por tantas razões, e este “Os Anjos Morrem das Nossas Feridas”, sem dúvida que vai perpetuar na minha memória, resta-me ler os outros livros deste autor.
Turambo, o narrador deste romance, é um jovem analfabeto, filho de pais muito pobres, resolveu adoptar o nome da terra onde nasceu na Argélia, terra essa que desapareceu do mapa, quando um deslizamento a subterrou, lugar esse onde não havia nada a não ser miséria, mas, ele tinha sonhos, e queria ir mais longe, por isso tentou, agarrou-se aos mais diversos ofícios, fazia amigos com facilidade, pois era um rapaz simpático e afável, tendo fraquezas, a sua sinceridade, honestidade, e um bom coração, que num país cheio de ódios e racismo não é normal, mais tarde descobre que tem um talento, a sua poderosa mão esquerda, que lhe vem trazer fama e sucesso no mundo do boxe profissional.
Mas não é isso que Turambo quer para si, ele quer controlar o seu destino, quer simplesmente entregar-se ao amor de uma mulher, e entrega-se de corpo e alma primeiro a Nora, depois Aida e mais tarde a Irene, estas mulheres tanto o alegraram como lhe destroçaram o coração, sofre as consequências por todas elas num dado momento da sua vida, mas isso nunca o desmotivou de continuar a tentar encontrar a sua felicidade.
E é sublime a forma como o autor descreve a história de Turambo, as condições miseráveis em que viveu com as sua familia, a fome que passou, os amigos que teve, a sua ascensão à fama, e a sua queda,  todas as vicissitudes da vida pelas quais teve que passar, e isso é descrito de uma maneira tão bela. O autor passa para o leitor a visão de um jovem puro de coração que odiava a violência e sonhava com o amor, sem se interessar pelos bens materiais. Apesar de viver num país em que o racismo está bem patente Turambo não o era, ele gostava de fazer o bem a todos, apesar das desilusões e traições, ele acreditava sempre no melhor que há em cada pessoa, e ao contrário dos outros homens respeitava as mulheres e amava-as, e manteve-se sempre fiel aos seus princípios, e naquilo em que acreditava.
Depois de ter terminado a leitura deste livro pergunto-me como é que um romance sobre a vida de um simples personagem pode ser tão magnifico, magistralmente bem escrito, provoca sensações em quem o está a ler, é impossível ficar indiferente a Turambo, o leitor embarca na vida deste personagem e na sua vida cruel com altos e baixos, num simples deleite.
Uma narrativa marcante, que prende desde a primeira página, que nos faz reflectir, e nos ensina sobre outros povos e suas vivências, emociona, é um grande romance sem dúvida alguma, muito bom. 


5 comentários:

Manuel Cardoso disse...

Li há tempos algo desta autora (O Que o Dia Deve à Noite) e adorei. mesmo. Genial. Espero que este seja do mesmo calibre.

Manuel Cardoso disse...

Pelo que a Odete escreveu parece que é mesmo desse calibre :)

Odete Silva disse...

Gostei imenso deste livro, espero ler os outros do autor :)

Iceman disse...

Acabei de o ler ontem.
Simplesmente magnífico!

Odete Silva disse...

Sem dúvida que é Iceman :)