28/10/2015

Pura Coincidência, de Renée Knight (opinião)



Opinião:
Imagine que abre um livro, começa a ler, e depara-se com uma protagonista cuja a história de vida é igual à sua, um episódio pelo qual passou e que esconde há 20 anos das pessoas que a rodeiam, nunca contou a ninguém, um segredo que não quer ver revelado.
É o que acontece à personagem desta narrativa, Catherine, vive uma vida aparentemente tranquila, confortável juntamente com o marido, sozinhos, pois o único filho do casal já saiu de casa, tudo corre bem até o dia em que abre um livro intitulado O Perfeito Desconhecido, e se revê na sua história, a partir desse dia a sua vida começa a desmoronar-se, fica totalmente de pernas para o ar.
Longe de imaginar que algum dia o seu segredo obscuro poderia vir ao de cima, acaba por descobrir que afinal existe alguém que sabe algo sobre o que aconteceu há 20 anos, e pior que isso, vive completamente obcecado em destruir a sua vida, e de facto consegue atingir os seus objectivos.  
Narrado a duas vozes, através de Catherine e do autor do livro O Perfeito Desconhecido, o leitor é arrastado por uma espiral de acontecimentos que não deixam de ser arrepiantes, que nos levam por caminhos sinuosos, a fazer julgamentos e a criar juízos na nossa mente completamente errados. Não devíamos esquecer que numa história existe sempre duas versões, e não acreditar logo naquilo que nos parece óbvio.
Com personagens complexas, pelas quais não se sente grande empatia, mas que nos envolvem através desta história perturbadora, a autora criou este thriller psicológico que habilmente nos engana, que nos desnorteia, bem estruturado, inteligente, faz com que entremos numa espiral de acontecimentos em que somos apanhados desprevenidos, enganados, pois envolve segredos, vingança, mas também vem ao de cima alguma disfunção familiar, o que pode desintegrar uma família quando esta não está preparada para aceitar certos actos praticados no passado por alguém em quem se confiava.
Com um final cheio de tensão que nos apanha desprevenidos, nada prepara o leitor para a reviravolta que o mesmo dá,  não se está à espera de um desfecho tão surpreendente.
Mas é precisamente isso que eu gosto num bom thriller psicológico, que jogue com o leitor, que nos engane, e a autora conseguiu isso sem dúvida com este livro - Pura Coincidência. Gostei muito. Recomendo.

Parabéns pela capa da edição portuguesa, da autoria de Pedro Aires Pinto, está espectacular.




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