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27/04/2017

Escrito na Água, de Paula Hawkins (opinião)



LANÇAMENTO MUNDIAL 02 DE MAIO

Opinião:
Agradeço à Topseller o Exemplar de Avanço de Escrito na Água, permitiu-me ler o livro antes do seu lançamento, tal como aconteceu com o livro A Rapariga no Comboio. 
Estava bastante curiosa em relação a este livro, e devo dizer que não me defraudou de todo, apesar de ser diferente, as semelhanças são no tipo de personagens femininas que a autora cria.
Escrito na Água, apresenta-nos um enredo intenso e um vasto leque de personagens, o que pode confundir a dada a altura o leitor com tantos nomes, por acaso não me aconteceu ficar baralhada, mas requer realmente concentração para não nos perdermos na história e nos personagens. E devo dizer que estão muito bem construídos, vamos acompanhando cada um em capítulos alternados e depois temos o espaço temporal na narrativa (que pessoalmente gosto muito), que começa com um excerto do O Poço das Afogadas, no ano de 1679, e depois vamos para o tempo actual, o que torna a narrativa intrigante.
Não vou falar das personagens, são muitas e todas tão diferentes, alguns tem telhados de vidro, e o cerne reside em se estar atento ao desenrolar da história e ao que cada uma delas nos diz sobre si e sobre o lugar onde residem, sobre os segredos que guardam, a culpa que transportam dentro de si, as recordações que vêm ao de cima, os mal-entendidos que podiam ter sido evitados, e é precisamente quando lentamente as revelações vão sendo feitas por camadas, que vamos ficando mais intrigados durante a leitura.
Claro que existe uma personagem que se destaca, viveu obcecada com a morte das raparigas no rio, investigava, e queria saber o que lhes aconteceu, até acabar por ser encontrada morta no mesmo lugar, e a pergunta a aqui é se terá sido assassinada ou se foi suicídio? E é à volta da sua morte a investigação.
Devo dizer que adorei o cenário escolhido para o enredo deste livro, sombrio, com um rio que esconde segredos, que é conhecido como O Poço das Afogadas, cenário esse que autora soube tão bem explorar, houve momentos que quase me sentia dentro do livro, também como se passa num meio pequeno onde todos se conhecem, mas, não tão bem como pensam, pois no fundo é que ninguém é confiável, ajuda a que o enredo se torne mais misterioso.
Até dada a altura do livro pensava - gostei mais do livro anterior, porque o arranque é lento, mas depois conforme as revelações vão sendo feitas, umas atrás das outras, fui ficando cada vez mais agarrada e desconfiada, o que fez com que no fundo não saiba bem de qual gostei mais, pois são diferentes.
Se desconfiei do culpado? Sim desconfiei, mas não me desmotivou a continuar a ler, antes pelo contrário, porque a autora é eximia a prender o leitor através da sua escrita, dos capítulos curtos e do desmantelar das personagens. Quem gostou do livro A Rapariga no Comboio, vai gostar certamente de Escrito na Água, eu gostei e recomendo.

"Um passo de cada vez, até chegar à linha das árvores, um passo de cada vez, saindo do trilho, um pequeno tropeção pelo declive abaixo e, depois, um passo de cada vez, água adentro".


Paula Hawkins estará na Feira do Livro de Lisboa a 10 e 11 de Junho.



19/05/2015

A Rapariga no Comboio, de Paula Hawkins (opinião)



Mais de 2 milhões de livros vendidos em apenas 3 meses. 13 semanas consecutivas no 1º lugar no TOP nos EUA e em Inglaterra. 

Opinião:
A Rapariga no Comboio, é narrado através de três personagens femininas, Rachel, Megan e Anna, apesar de Rachel ser a narradora que mais se evidencia, que mais se destaca.
Rachel apanha todos os dias o comboio para Londres, e observa pela janela os mesmos cenários no exterior, mas tem uma pequena obsessão, durante o percurso da viagem, visualiza a casa de um certo casal e idealiza a vida do mesmo, até certo dia em que ocorre algo estranho, que não faz parte do cenário habitual, o que a deixa muito perturbada.
É assim que o leitor é arrastado para dentro do enredo deste livro, com esta personagem fragilizada, estranha, obsessiva, que nos vai narrando o seu dia a dia. Mas não é a única, pois no capitulo seguinte somos levados no espaço temporal através de outra narradora, Megan, e só mais há frente no livro é que entra a terceira pessoa, Anna, e assim ficamos a conhecer três mulheres distintas, as suas vidas envoltas em mistério, são elas as protagonistas principais, e que nos fazem ficar presos em cada capitulo.
A autora conseguiu criar um enredo em torno destas personagens que nos lança dúvidas, nos deixa a questionar sobre o que se deve acreditar ou não, o quão confiável pode ser uma pessoa, e que nem tudo o que parece é, mas, o mais incrível é que na realidade existem pessoas que tem os mesmos problemas que estas personagens, com as quais nos cruzamos no dia a dia.
Depois é o facto de durante a leitura o leitor ser deixado em suspense constantemente, são várias as reviravoltas, e por isso começa-se a formar na nossa mente perguntas - Será que alguma das personagens é confiável? Será que as vamos conhecer verdadeiramente? Que ligação é que tem umas com as outras?
Sendo um enredo sombrio, é sem dúvida uma narrativa de leitura compulsiva, pois procuramos saber se existe um elo de ligação entre os personagem para começarmos a encaixar as peças que nos faltam, e o que é realmente verdade, o que realmente aconteceu, tudo é tão dúbio, um jogo psicológico tão bem feito, com tantos segredos envoltos.
Mas é isso que agarra o leitor, as duvidas que vão sendo inseridas na nossa mente de maneira subtil, a dada altura deixamos de acreditar em todos os personagens, e somos arrastados numa espiral de acontecimentos perturbadores.
Um thriller psicológico que nos envolve e engana de uma maneira muito intensa e arrepiante, mas que não queremos largar até ter terminado. Muito bom.

Obrigada Topseller pelo exemplar de avanço de A Rapariga no Comboio.

Pode ler mais sobre o livro aqui