de Kjersti Annesdatter Skomsvold
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 142
Editor: Eucleia Editora
ISBN: 9789898443137
"SEMPRE GOSTEI de acabar coisas. Tapa-orelhas, inverno, primavera, verão, outono. A vida de trabalho do Epsilon. Conforma-te. E esta impaciência teve consequências quando, uma vez, o Epsilon me deu uma orquídea no meu aniversário."
Mathea Martinsen e Epsilon são um casal nórdico ou pelo menos vivem na Noruega, Epsilon e fascinado pela estatística aliás é essa a sua ocupação profissional, Mathea sua esposa e narradora desta história é uma solitária sempre o foi mesmo na sua juventude, então agora com os anos idos torna-se uma solitária obcecada pela morte, com alguma disfunção social Mathea vai vivendo a sua solidão da melhor forma que pensa saber.
Um livro onde a leitura não é das mais directas, quero com isto dizer que não se consegue fluir na prosa como uma folha seca flui na corrente de um ribeiro, a tradução (neste caso a falta dela) não ajuda em certos momentos, comentários em alemão sem tradução dificultam a leitura e a avaliação do livro. Um humor cinza recheia este livro fala-nos de uma morbidez muito própria dos escritores nórdicos, difícil de entender a falta de colorido a ausência de emoções fortes esta escrita crua, linear é muito peculiar.
Mesmo com o avançar da idade das personagens nota-se nos pensamentos, já que os movimentos decidiram acompanhar a idade, uma juventude repleta de energia, vivacidade e "aventurismo". O autor, de nome que nem me atrevo a pronunciar, transmite com uma simplicidade momentos da vida, alguns que ouvimos falar mas que nos parecem mitos, apresentamos o fim da vida, de uma das suas personagens, a coincidir com o fim da sua carreira profissional, simbólico mas não o esperava de uma mente que vive tão a norte do hemisfério. A empatia de Mathea com o seu apresentador de TV preferido leva-me a pensar, por momentos, que este efeito é transversal a sociedades a culturas, sendo um processo básico do ser humano.
Transcrevo aqui algumas passagens do livro:
"Neste momento, porém, estar morto é mais especial do que estar vivo, e pensei por vezes que imensas pessoas recebem mais atenção depois da morte do que alguma vez tiveram quando estavam vivas. Embora no meu caso eu vá receber praticamente a mesma." (pág. 73)
"Deve ser aborrecido ser uma árvore, ficar ali parada a olhar. Eu sei passo muito tempo parada a olhar." (pág.106)
"Diz que apesar de a bananeira parecer uma árvore, é, na verdade, apenas uma planta gigantesca que tem flores sem órgãos sexuais e frutos sem sementes. Assim, a banana não sofre fertilização e não desempenha qualquer papel na formação da planta, e quando a bananeira perde os frutos morre. Foi a falta de sentido deste ciclo que fez Buda amar a bananeira, que ele acreditava simbolizar o desespero de todos os feitos terrenos.
Identifico-me com bananas, pois não só sou curvada, como também tenho uma flor sem órgão sexual e fruto sem semente e, por conseguinte, de acordo com Buda, não tenho sentido" (pág. lá para o final esqueci-me de apontar o número correcto)
Um livro que gostei, mas coloco algumas reservas na sua leitura.


