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18/02/2012

INSURREIÇÃO, de ROBYN YOUNG




Insurreição é o primeiro volume da nova trilogia de Robyn Young. A autora já me deixara positivamente impressionado com a sua obra de estreia – a trilogia “A Irmandade” – onde escreve sobre um tema que mexe com o meu imaginário (e se calhar de muita gente) – os Templários.

Em “A Irmandade”, Robyn Young escreve sobre a fase de declínio da Ordem dos Templários, desde as últimas derrotas dos cruzados, a perca do seu último bastião na Terra Santa, até ao regresso à Europa e à ordem de prisão dada por Filipe IV, rei da França, a todos os seus membros. O regresso à Escócia do personagem principal dá-se numa altura em que começam a surgir os primeiros focos de rebelião contra o rei Eduardo II de Inglaterra. É precisamente sobre a luta da Escócia pela independência que trata esta sua nova trilogia. A autora quis fazer um paralelismo entre os dois acontecimentos, nos quais a mesma personagem participaria mas, quanto mais investigava, mais se dava conta de que uma personagem se destacava de todas as outras e chegou à conclusão de teria que escrever um romance sobre ele. Esse personagem é Robert de Bruce, considerado herói da independência escocesa. O livro começa com a misteriosa morte do rei Alexandre da Escócia, o que resulta num vazio de poder quando a sua descendente, uma menina de tenra idade, morre na viagem de regresso à Escócia. É neste ponto que ficamos a conhecer Eduardo II, rei da Inglaterra, que irá mediar a nomeação do novo sucessor ao trono escocês, de entre vários pretendentes que reclamam a coroa. Com fortes pretensões ao trono estava o avô de Robert. A autora descreve-nos um rei Eduardo obcecado com as profecias de Merlim, relatadas por Geoffrey de Monmouth. Merlim profetizava que um único rei iria governar as ilhas até agora divididas em vários reinos e Eduardo fez desse objectivo, a sua ambição de vida. Não nos podemos esquecer que todos os pretendentes ao trono da Escócia prestavam vassalagem ao rei Eduardo e este concedia-lhes terras, propriedades, títulos e vantagens em Inglaterra. Começa a surgir na mente de Eduardo a ideia de ele próprio tomar o trono escocês.

É nesta época de incertezas que acompanhamos a vida de Robert de Bruce, desde a sua infância onde é educado para se tornar num cavaleiro, até ao dia em que, num acto de rebeldia a patriotismo, vai contra a vontade do próprio pai e, insurgindo-se contra o rei Eduardo, inicia a sua própria luta contra a opressão do seu povo. A sua luta irá levá-lo a conhecer outro dos heróis da Escócia, William Wallace (quem não se lembra do filme “Breaveheart”, de Mel Gibson?). É William Wallace que inicia as hostilidades contra aquilo que considerava ser a exploração do povo escocês, sufocado com o crescente aumento de impostos. É realçada a capacidade de liderança e o poder aglutinador de Wallace o que o catapulta para uma vitória histórica contra os ingleses na batalha da ponte de Stirling. Com essa vitória expulsa os ingleses para lá da fronteira e chega mesmo a ser nomeado guardião da Escócia. Robert fica um pouco à sombra de Wallace mas, a pouco e pouco, começa a granjear a sua própria reputação.

Neste livro acompanhamos a evolução do perfil psicológico de Robert de Bruce. Amado pelo avô, mantinha com este uma relação muito próxima e cúmplice, partilhando a visão do ancião relativamente ao futuro do seu reino e o desígnio de que tudo fariam para que a sua família chegasse ao poder. Ostracizado pelo pai, nunca se revela capaz de chegar perto dele e ainda hoje em dia não há um consenso sobre o que terá levado Robert a tomar a sua decisão de rebeldia, ele que até tinham mais a ganhar mantendo-se fiel a Eduardo. O livro acaba com uma mudança de estratégia por parte de Robert quando este chega à conclusão de que poucas hipóteses tem de derrotar o poderoso exército de Eduardo, mais experiente e melhor organizado. O que irá fazer Robert? O que nos reserva a história? Só temos que aguardar pelo segundo livro…