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02/01/2018

Penúltima Esperança de Lí Marta (opinião)

Penúltima Esperança de Lí Marta

Mónica uma jovem de uma beleza assinalável enfrenta alguns problemas após a morte de seu pai e vai encontra o refugio ideal para a sua angustia em Porto Covo, refugio de férias da família que agora será só seu, os problemas pessoais com Alexandre seu antigo namorado acentuam-se vertiginosamente.
Nesse refugio e com esse estado de espírito Mónica vai encontrar Luís, um reconhecido empresário, que irá colocar Mónica no mundo da moda e assim a vida de Mónica irá sofrer uma transformação por completo, o reconhecimento, prestígio, dinheiro, deste novo mundo de Mónica (nem sempre perfeito) será abalado com um reencontro com Alexandre.

Voltamos a encontrar uma escrita simples e direta de leitura rápida e fácil. As personagens são bem construídas e complexas, nota-se uma evolução na construção das personagens, algumas de fácil identificação com o leitor.
Num estilo narrativo que vai alternado, Lí Marta consegue faze-lo sem que o enredo fique comprometido.

Em oposição ao seu livro anterior este remete para uma temática onde as personagens aparentam ser mais elitista e por consequência um afastamento das personagens mais “anónimas”, que em ambos os casos funciona mas talvez este último encontre mais leitores nesse elitismo.

Um livro bonito cheio de emoção com alguns finais inesperados.
Um livro que recomendo.

16/10/2015

Espírito Selvagem de Lí Marta (opinião)

Espírito Selvagem de Lí Marta

Alexandra parte de Lisboa em viagem para o Gerês na necessidade de encontrar uma paz interior capaz de a refazer um namoro abruptamente terminado. Gerês um refúgio de longa data para ela, nesse refúgio Alexandra conta-nos o que a levou a tomar essa decisão, as amarguras que passou nas “mãos” de João seu antigo namorado. 
Numa das suas caminhadas de introspeção Alexandra encontra Paulo um turista perdido na serra. Paulo somente está perdido aí, na serra, pois Paulo tem bem certo qual o rumo a tomar na sua vida, mas nem sempre assim foi. 
Nesses breves dias nasce algo entre Alexandra e Paulo, algo que os irá ligar para sempre, uma amizade única, um florescer de um amor verdadeiro. 
Após terminar este refúgio Alexandra retorna a Lisboa e Paulo a Guimarães mas levam com eles a esperança de um futuro em conjunto. Paulo, gerente e dono de um café, tem planos para fazer crescer o seu negócio bem como planos para não esquecer Alexandra. 
Alexandra retomando sua vida em Lisboa, retoma também o relacionamento com seu antigo namoro, João e acaba assim numa prisão sentimental exercida pela contínua chantagem emocional de João.

João que sempre dividiu seu relacionamento entre Alexandra e Helena irá transformar a vida de Alexandra num suplício humano a violência que ele pratica sobre ela é atroz. 
Paulo sem notícias de Alexandra esvanece o seu entusiasmo de um reencontro com Alexandra, mas nunca perde a esperança de um dia voltar a abraçar. 
O terror que Alexandra passa transforma-se em submissão ao seu agressor, a preocupação dos pais não é suficiente para Alexandra se libertar, os amigos são todos afastados por Paulo que reduz o mundo de Alexandra a ele mesmo. Só um milagre poderá ajudar Alexandra, um anjo que sempre esteve com ela é-lhe enviado, surge com a força necessária para ajudar Alexandra a libertar-se deste monstro, Vera, o anjo, amiga de infância de Alexandra quando sente que a amiga está a caminho do precipício estende-lhe o "coração" e no momento mais oportuno irá tentar ajudar a amiga a libertar-se dessa triste vida. 
Lí Marta continua com a sua escrita muito peculiar uma escrita emocional, direta e simples. 
Neste seu segundo livro é notória a liberdade de escrita, personagens bem construídas com um enredo complexo mas fluido, são imensas as histórias que rodopiam em torno de Alexandra, Paulo e João que dão um brilho mais intenso ao livro. 
Lí aborda temas complexos que mexem com o leitor, cria personagens que nos revoltam, que nos dececionam, que nos surpreendem ou que chegamos a nos rever numa dessas personagens.



Um livro que nos fala da vida, não da vida que queremos muitas vezes ler, mas de uma vida real. Um livro com uma abordagem positiva num alerta a temas sensíveis da sociedade atual. Sente-se a mensagem de alerta que a autora pretende fazer chegar ao leitor, retira-se muito deste livro onde a inocência reside somente na escrita.

Adorei o final, inesperado, de algumas personagens.
Um livro que recomendo.

…e mais uma vez:
Um agradecimento especial à autora pela sua disponibilidade para estar presente no debate deste livro no CLBB (Clube Leituras Bertrand de Braga), que com a sua simpatia fez que essa tarde fosse diferente e muito mais agradável.


Obrigado Lí.


03/12/2014

A Metamorfose de Franz Kafka (opinião)




Da história acho que todos já ouviram falar e mesmo que isso não tenha acontecido basta ler a sinopse ou procurar um pouco na internet que irá encontrar o essencial sobre este livro e caso o queira ler deve parar! por ai pois a sua leitura torna-se mais divertida sem julgamentos primários.

Mesmo assim… Franz Kafka conta-nos a vida de Gregor Samsa um caixeiro-viajante que um dia acorda repentinamente e se vê transformado num inseto monstruoso.
O autor consegue de uma forma simples demonstrar as fragilidades humanas, Gregor Samsa é um espelho da solidão numa profissão que detesta mas que aguenta pois é o único sustento da família. As aparências e ilusões em que vivemos são desmascaradas por este inseto figurativo, que põe a nu as fragilidades das relações humanas, mesmo esses laços familiares que se dizem tão fortes, confrontadas com as adversidades físicas e mais comodistas; a dureza de ter de dar tudo pelo outro a vergonha e humilhação são sentimentos que rompem tudo tipo de ligações.
O vivido e sentido por Kafka sente-se a cada palavra, o seu olhar perspicaz para observar as situações e escrever sobre essas mesmas situações são um ponto-chave neste romance.

Um livro com muito pouco de “floreado” literário, um livro muito sucinto.
Um bom livro, que recomendo, não senti o entusiasmo que li em algumas críticas mas mesmo assim considero-o um livro intemporal e de leitura obrigatória.


13/10/2014

O último adeus de Lí Marta (opinião)






O último adeus de Lí Marta

Um livro onde se retratam três gerações de primogénitas, três mulheres onde a sua força e determinação delineiam o enredo deste romance; Dionora, Luzita e Lídia tangem a sua história de vida no amor que viveram.
A história, baseada em fatos verídicos (e como tal compreende-se os limites impostos pela autora no seu aprofundamento de algumas situações) onde se sente a dureza e a tragédia de outros tempos vividos num interior rural mas sempre com muito amor e compreensão, de tal forma que esse amor e compreensão suavizam e transformam essa ruralidade mais brutal numa paisagem mais idílica.
O livro esbate-se num descolorido quando retrata as suas personagens que de uma forma geral são muito lineares, poucas oscilações são sentidas na pluralidade das personagens... mesmo sendo orientando por uma coordenada muito próxima da verídica, seria muito mais interessante que existisse uma certa intriga e um lado mais obscuro neste manto branco, mas compreende-se os limites da autora. O conflito religioso de Hermínio e Luzita dava para criar uma chama que poderia “aquecer” este amor.
Sente-se o conhecimento profundo da autora nos trilhos que a história decalca, o conhecimento dos locais e dos fatores sócio económicos estão bem estudados e representados neste livro.

A autora com a sua escrita envolve os leitores nas paisagens, belas, de uma região muito característica e espalha pelo livro factos históricos que deliciam as mentes mais atentas. Adorei partes do livro como os preparativos do casamento de Luzita, os telefonemas retardados de meia hora no vai vem casa café, só de imaginar esta situações... a passagem de conhecimento de mãe para filha e a avó que volta a ser mãe pela neta numa repetição interminável de gerações.
Por fim terá Lídia, na realidade não na ficção, entregue a carta, na campa, a António de Cruz Matos?

Resumindo um livro bastante agradável de ler, conta-nos uma história que pode ser vista como um legado de três gerações que definiram, de uma forma alargada, aquilo que é estipulado como o amor maternal.

Um livro de leitura fácil, escrita simples, intimista e muito emocional capaz de gerar, se a autora assim continuar, uma legião de fãs, fiéis, ao seu estilo.

Um agradecimento especial à autora pela sua disponibilidade e “coragem” para estar presente no debate deste livro no CLBB (Clube Leituras Bertrand de Braga), que com a sua simpatia fez que essa tarde fosse diferente e a todos os membros que fazem parte do clube de leitura e que tornam estas tardes muito especiais.
Obrigado Lí.



03/06/2014

Anna e o Beijo Francês (opinião)

"Anna e o Beijo Francês (Anna and the French Kiss 1)", de Stephanie Perkins (Quinta Essência)

Opinião (Ana Nunes):
Há já algum tempo que tinha curiosidade em ler este livro. Muitas pessoas, cujas opiniões eu tenho em conta, recomendaram-no. Mesmo assim, e tendo em conta que se trata de um YA (Young Adult - Livro para Jovens Adultos), e sendo um romance contemporâneo, confesso que ia um pouco de pé atrás.

A história em si é, basicamente, o que é contado na sinopse: Anna é obrigada, pelos seus pais, a frequentar a Escola Americana em Paris, durante um ano, e o livro fala sobre a sua vida lá e, especialmente, sobre o rapaz que ela lá conhece. Nada de surpreendente aqui!

Tenho de confessar que amei o início do livro. A Anna tinha uma voz muito própria, adolescente mas com garra, e a autora soube dar uns primeiros parágrafos que souberam captar-me. E durante o resto do livro a escrita da autora continuou agradável, por vezes até brilhante; romântica sem ser lamechas, colorida sem ser florida. Ou seja, muito bem conseguida.

Anna é uma protagonista com quem as raparigas e até mulheres mais adultas, se conseguirão relacionar. É bem retratada para a idade que tem mas não é uma daquelas jovens que só faz coisas que os adultos acham absolutamente ridículas e infantis. Se comete erros? Muitos! Mas isso torna-a mais rica, dá-lhe mais personalidade. Sobre o Étienne digo o mesmo. Pena é que não possa dar iguais referências às outras personagens, que pouco mais são que figurantes. Mas, ainda assim, no pouco que aparecem, transparecem como bastante ricas! A autora sabe criar personagens com carisma. Excepção feita aos anti-heróis. Grande excepção! Porque, sinceramente, a típica cheerleader que é uma bully; e o jeitoso que parece simpático e seduz a protagonista mas no fim se mostra um parvalhão; é cansativo de se ver e fez-me revirar os olhos.
Já agora, o pai da Anna era suposto ser o Nicholas Sparks ou quê? É que pela descrição parecia. :)

De volta à história, há pouco a dizer, já que todo o livro se centra à volta dos laços que se constroem entre a Anna e o Étienne. Mas aqui tenho de dar os parabéns à autora por ter conseguido criar uma relação aos poucos, dando-lhe alicerces, testando-a, tornando-a mais forte. Não foi insta-love e não foi uma relação simples. Disso, eu gostei!
Do que não gostei foi do facto de, a partir do momento em que a Anna conhece o Étienne, todas as outras pessoas na sua vida passarem a ser figurantes. Ou seja, deixaram de ter importância. Amigos? Alienou-os a todos! Os que tinha nos USA foram rapidamente esquecidos, e os que fez em França ficavam sempre em segundo lugar. E a família? Pior ainda! Foi quase totalmente esquecida, sendo mencionada ocasionalmente para queixinhas. Mas com o Étienne passou-se o mesmo. A Anna surgiu na sua vida e todos os outros deixaram de ter importância. Embora com ele não tenha sido tão dramático e notório, especialmente no campo familiar.
Ou seja, foi o típico romance em que parece que os pombinhos não precisam de mais ninguém para viver. Detesto isso! Especialmente quando a Anna começa a agir como se o Étienne fosse o seu tudo. Caramba, eles nem namoravam ainda e ela já dizia que ele era a sua "casa". A sério?

Ah, e mais uma coisa, a autora tinha mesmo de usar os clichés físicos?
Deixem-me exemplificar: a Anna é linda mas não se apercebe disso; têm de ser os amigos a dizer-lhe e ela fica incrédula. O Étienne tem o cabelo mais maravilhoso, os olhos mais cativantes, os lábios mais carnudos, os dedos mais perfeitos, o sotaque mais irresistível, a personalidade mais amistosa, e, apesar de ser baixinho, ninguém pega com ele por isso. Oh-Meu-Deus!
Eu dispenso isto nos romances. Claro que o rapaz mais perfeito fica com a rapariga mais perfeita.

Em suma, Anna e o Beijo Francês é um romance contemporâneo que consegue ser muito fofo, que me dá uma vontade enorme de visitar Paris, e que consegue criar uma relação credível e pela qual eu torci. No entanto negligencia as personagens secundárias e cai nos clichés físicos do costume, além de esticar demasiado o drama de eles não ficarem juntos por causa de o facto de os dois se negarem a dizer que se amam.
Um romance fofo com algumas cenas deliciosas e protagonistas memoráveis, mas que não me surpreendeu nem marcou.

O Décimo Terceiro Conto (opinião)

"O Décimo Terceiro Conto", de Diane Setterield (Editorial Presença)

Opinião (Ana Nunes):
Já há alguns anos que este livro estava na minha estante, à espera de ser lido. Reeditado recentemente, a minha edição é ainda a primeira, com a capa mais bonita (a dos livros).

O Décimo Terceiro Conto, ao contrário do que o título e a capa possa sugerir, não é um livro sobre livros. É antes um livro sobre uma escritora e a sua verdadeira história, e também de uma leitora, mas não tanto sobre os livros que elas lêem ou que marcaram as suas vidas.

A trama é surpreendente, na medida em que leva o leitor a acreditar numa coisa e depois, de forma muito brilhante, revela que, afinal de contas, não era bem como se esperava. Adorei a reviravolta final e não me senti atraiçoada pela obra. Afinal as pistas estavam lá. Bastava olhar com um pouco de mais atenção.
Contando a história de uma família muito disfuncional, numa casa que se torna, também ela, anormal. Desde o início que sabemos que esta história será uma sucessão de tragédias e, efectivamente, esse é tanto o ponto forte, como o ponto fraco do livro. A autora consegue fazer o leitor sentir mas não há nada de bom no meio, para compensar. Essa falta de felicidade torna a obra muito pesada, em determinados momentos e no geral. Só mesmo no fim temos um vislumbre de possível mudança, mas é tão breve que não chega para quebrar a fatalidade de toda a história.
Só achei duas coisas mal no desfecho: o facto de nunca se descobrir o que aconteceu a Emmeline/Adeline, ou seja, quem sobreviveu; o facto de não haver qualquer razão para a Vida ter abandonado o Ambrose, depois de ter apregoado o quanto o amava e sentia que ele era parte dela.

A nível de personagens, Vida é, sem sombra de dúvida, a alma do livro. Ou não fosse esta a sua história. Por outro lado, Lea é das protagonistas mais aborrecidas que conheci. No início era interessante, com o seu amor por livros, a sua família em cacos, e uma curiosidade nata. No entanto, à medida que o livro ia avançando, ela tornou-se mais e mais repetitiva, mais e mais uma espectadora cuja presença passou a ser quase banal, inconsequente. Não fosse o facto de ela ser o elo com o Ambrose, eu diria que ela se tornou prescindível. E já que falo no Ambrose, aí está outra personagem que me cativou, apesar de achar que merecia mais páginas.
Ainda assim, Vida foi soberba. A sua dor, a sua relutância em contar a verdade. Tudo foi muito bem conseguido, envolvendo o leitor até ele se sentir parte do seu relato.

A prosa da autora é muito rica e detalhada, dando vida a um role de personagens interessantes e a uma mansão que parecia, ela própria, uma personagem. A forma como leva o leitor a crer numa coisa, ignorando todos os sinais de outra coisa, é fascinante. Gostei muito da escrita, tendo marcado várias passagens.
Contudo, achei que podiam ter ligado melhor a história de vida da autora com a sua obra. Fazia mais sentido, tendo em conta o título do livro.

Em suma, O Décimo Terceiro Conto é uma belíssima obra, uma história que merece ser apreciada, devagarinho. Só me arrependo de não o ter lido antes.

02/06/2014

Arroz de Palma (opinião)

"Arroz de Palma", de Francisco Azevedo (Porto Editora)

Opinião (Ana Nunes):
Sendo uma pessoa muito ligada à família, este foi um livro que me tocou bastante. Passado numa outra época, os seus relacionamentos não são menos intensos pela separação do tempo. Se soubessem a quantidade de passagens que marquei com post-its até se riam.

A história não podia ser mais simples e a sinopse diz tudo. É curioso como não existem grandes reviravoltas na história desta família. Existem alguns momentos marcantes, mas não é daqueles enredos cheios de cenas com impacto. Simplesmente é a história de uma família e de como as pessoas mudam ao longo do tempo, como se separam, se zangam pelas coisas mais ridículas, fazem as pazes com uma facilidade arrepiante, e se juntam nos momentos de dor, mais depressa que nos momentos de alegria. Triste? Nem por isso! É a vida e esta família é suficientemente interessante, suficientemente humana para que até os momentos de tristeza sejam familiares para o leitor.
Confesso que não gostei, nem entendi, certas escolhas que o autor fez para a história e as suas personagens. Nomeadamente o facto de o António trair a mulher, numa noite, sem razão nenhuma, nem qualquer antecedente que levasse a justificar tal coisa. Isto irritou-me, confesso. Outra coisa que não entendi totalmente foi o facto de ser referido que, para o funeral da Tia Palma todos compareceram, mas para o funeral dos Pais não. A sério? Os pais! Todos que lêem o livro sabem que a Tia Palma é o pilar da família mas os pais foram bons para os filhos e não havia razão para eles não comparecerem todos à cerimónia. Enfim, eu isso não compreendi.

Em termos de personagens, confesso que não amei nenhuma, à excepção da Tia Palma (Já era de esperar, não), mas também não odiei nenhuma. Consegui foi relacionar-me com todas. Impressionante!
Simplesmente há algo de muito humano nestas pessoas, nesta família, e é fácil entrar neste 'prato'.

A escrita do autor é muito bela. Não me aborreceu nunca e, como já referi, foram dezenas as passagens que eu marquei ao longo do livro. Frases belíssimas que sussurraram ao meu íntimo e fizeram eco na minha consciência.No entanto também notei algumas frases mal conseguidas, que queriam ser poéticas mas acabaram por ser inconvenientes. Foram poucas, felizmente. Também não apreciei a descrição pormenorizada dos encontros sexuais do António. O primeiro, com a Isabel, fazia sentido, mas todos os outros, coma  Isabel, foram 'palha' e nada mais.

Em suma, Arroz de Palma não é um livro perfeito mas é um belo livro, que merece ser saboreado devagarinho e, acredito que, todos os que valorizam a família conseguirão apreciar.

Provas de Fogo & Death Cure (opinião)

Neste post opinarei, separadamente, sobre os dois últimos livros da série Maze Runner do James Dashner: Provas de Fogo e Death Cure. Um já publicado em Portugal pela Presença, o outro deve ser publicado em breve. No entanto a minha opinião é relativa às versões audiobook em inglês.

"Maze Runner - Provas de Fogo (Maze Runner 2)", de James Dashner [Editorial Presença]

Opinião (Ana Nunes):
Depois de Correr ou Morrer estava ansiosa por ler esta sequela. Afinal os problemas pareciam ainda mal ter começado para os gladers.

Provas de Fogo é o seguimento imediato do Correr ou Morrer mas, ao contrário do seu predecessor, a acção começa quase de imediato, com os personagens a perceberem, depois de umas (poucas) horas de paz, que as provas ainda mal começaram e que ainda não estão a salvo. Neste livro ficamos a saber mais do que se passou com o mundo, do porquê existir a WICKED e do porque as personagens estão na situação que estão. No entanto ficam ainda muitas perguntas por responder (suponho que no terceiro isto seja resolvido).
Então os gladers são separados da Teresa, informados que estão infectados com a Flare (uma doença que leva à loucura) e  forçados a percorrerem uma cidade que é uma espécie de lixeira, onde os governos enviam as pessoas que sofrem da doença. Em suma, um sítio lindo para se passar as férias. Certo?

Tudo nesta sequela parece passar a correr. As cenas são rápidas, há perigos em cada esquina, não se pode confira em ninguém e até a meteorologia está contra eles. Dito isto, há efectivamente muito tempo morto. Como? Fácil! O Thomas está sempre a ser separado do seu grupo, sempre a correr perigo mas, na verdade, ele sai sempre praticamente ileso. Isso é frustrante. Se está sempre em perigo, ao menos façam com que algo dê mesmo para o torto. E fazem, mas depois salvam-no de forma muito ... fácil.
Mas isso nem é o pior. O mal é que, por estar sempre longe dos amigos, quando finalmente se reúne com eles, tem de andar a contar o que se passou. Chato e repetitivo!

Contrariamente ao que se passa com as personagens do livro, eu até gostei da Teresa neste livro. Estranho, considerando que ela aqui é uma quase inimiga, mas, convenhamos, nem sei porque é que o Thomas ficou todo zangado com ela, mesmo depois de ela lhe ter avisado que ia ter de fazer algo mau e para ele confiar nela.
Por outro lado não gostei nada da Brenda, que me pareceu falsa desde o início. O Thomas ficou todo caidinho por ela, para variar. Com tudo isto parece-me é que o autor não tem muito jeito para criar personagens femininas porque elas são as menos ricas (em termos de personalidade) da série.

Em termos de desenvolvimento, o livro foi bastante bom, com uma grande dose de suspense, muita acção e drama, assim como conseguiu dar a volta à minha cabeça, fazendo-me duvidar de tudo e todos. Contudo achei a trama muito repetitiva e algumas cenas um pouco forçadas. Acho que foi o estilo de escrita do autor que me começou a incomodar. No primeiro livro referi que a sua simplicidade e falta de detalhe não me tinha afectado muito mas, neste segundo livro já senti que sim. O autor não conseguia transmitir emoções, apenas adrenalina e desconfiança.
Depois houve também um certo abuso no uso da percepção do som, constante referência em quase todas as páginas. Se isto fosse acompanhado de outros sentidos, seria bom mas, sozinho tornou-se cansativo.

Em suma, As Provas de Fogo foi uma sequela intensa mas que não conseguiu ser tão interessante. Demasiadas repetições e pouca riqueza de escrita, conseguiram ensombrar uma história que, na sua cerne, acaba por ser muito boa. Não está mau, mas não foi tão bom como esperava.


"The Death Cure (Maze Runner 3), de James Dashner (ainda não publicado em Portugal)

Opinião (Ana Nunes):
Este é o terceiro e último livro da série The Maze Runner e eu estava ansiosa por descobrir o desfecho.

O conceito desta série é bastante bom e tinha 'pano para mangas', no entanto, e para meu grande desagrado, demasiadas respostas ficaram por responder. Isto porque o protagonista nunca chegou a recuperar a memória, o que debilitou a informação a que o leitor tinha acesso. Isto, para mim, foi um dos grandes fracassos do livro. Caros autores, se levantam as questões, por favor certifiquem-se que vão respondê-las.

Neste livro os Gladers conseguem escapar das instalações da WICKED, e de forma muito fácil por sinal. Como é que ninguém suspeitou disso. Hem, Thomas? O Jorge aconteceu de estar lá e de saber pilotar, e de ter documentos falsos e ... preciso continuar? Enfim, é caso para dizer que o autor não foi muito bem sucedido nas suas escolhas, ou pelo menos a camuflá-las. Enquanto o Thomas ignorava os sinais, eu, enquanto leitora, só pensava "onde está o Thomas do livro 1?". Aquele que questiona tudo, que consegue descortinar o que é suspeito e confiar em quem na verdade o vai ajudar, em vez do contrário.
Mas depois de escaparem vão para uma cidade, supostamente normal, onde a doença foi contida e as pessoas vivem normalmente. Isto é sol de pouca dura! Dois ou três dias depois vai tudo pelo cano abaixo. Assim sem mais nem menos. As pessoas desaparecem, os infectados tomam conta da cidade e isto nunca é verdadeiramente explicado. Parece que a barragem rebentou e ninguém deu por nada.
E já repararam que não paro de me queixar? Isto é porque fiquei mesmo decepcionada com o livro mas ... Aha! Há um mas ... eu gostei do final. A sério que gostei! Foi exactamente o tipo de final que, segundo o desenrolar do livro, eu achei que fosse mais apropriado. Era a única solução, a única 'cura' possível. Não gostei foi do que aconteceu à Teresa, deixando o caminho livre para a Brenda (eu bem que nunca gostei dela). Outra coisa que gostei foi do que se passou com o Newt. Foi bem conseguido e trouxe emoção às páginas.

Falando de personagens, só gostei mesmo da Teresa, do Gally, Newt, Minho (lê-se Min-ho; era giro se fosse mesmo minho). O Thomas, que tinha sido o meu favorito no primeiro, foi uma grande decepção. Enfim, fez exactamente o que os outros queriam que ele fizesse.

A escrita do autor, como já vem sendo hábito, é muito directa, pouco detalhada e demasiado apressada, demasiado voltada para a acção. Não gostei da prosa, confesso, e quando estava perto do fim só pensava: "Este não pode ser o último livro! Como vão resolver tudo neste espaço?", e a  verdade é que não resolveram. Noutra nota, o Thomas dormiu que se fartou neste livro. Sheesh!

Em suma, The Death Cure trouxe um desfecho satisfatório à trilogia mas, o livro em si, é muito fraco. Ficou demasiado por saber e o protagonista perdeu toda a força que tinha até aqui. Não gostei do livro mas gostei do desfecho. Valeu pela resolução.