09/02/2011

A Vida de Pi - Yann Martel

"A minha história começou num dia do calendário - 2 de Julho de 1977 - e terminou num dia do calendário - 14 de Fevereiro de 1978 - (...) eu sobrevivi porque me esqueci até da noção de tempo"
Quando li a sinopse deste livro pensei: "bem um humano com um tigre adulto abordo de um bote?? Impossível ser real!" No entanto, há informações no livro sobre os animais selvagens que nos fazem acreditar que tal situação seria possível sim! Pi Patel, é um jovem indiano que vive com os pais em Pondicherry. A família possui um zoológico "fonte de alguns prazeres e de algumas dores de cabeça". Por razões políticas, os pais resolvem emigrar para o Canadá levando também alguns dos animais. Entretanto, passados alguns dias de viagem, algo corre mal e o navio afunda-se. Quando tudo parecia perdido para Pi, o nosso personagem dá-se conta que ainda terá de passar por longas dificuldades, pois no bote salva vidas estão também uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre de bengala adulto. Inevitavelmente e para horror de Pi, os animais vão-se matando/comendo uns aos outros de acordo com as leis da cadeia alimentar. É de salientar a escrita de Yann Martel que é magistral nestas situações (e em todas as outras), uma vez que conseguimos acompanhar o sofrimento dos animais. Tudo é descrito ao pormenor e o leitor é levado até ao bote e é capaz de presenciar tudo juntamente com Pi e partilhar o seu sofrimento. Assim, depois de alguns dias, apenas resta Pi na cadeia alimentar do magnífico Tigre de Bengala (Richard Parker). Pi, lembrando-se dos ensinamentos no Zoo desenvolve estratégias para domar este felino e assim tentar viver mais tempo possível. Confesso que a determinada altura pensei que tigre e homem fossem desenvolver algum tipo de amizade, que o tigre ficasse mais dócil e que tolerasse Pi. Mas não! Homem e tigre apesar de partilharem o mesmo espaço mantém-se cada um no seu território, cada um no seu lugar dia após dia. É de destacar que desde pequeno, Pi era atraído para todas as religiões e gostava de todas de igual forma. A sua infinita fé manteve-o sempre crente que um dia encontraria terra firme. Achei o final particularmente interessante, uma vez que, quando Pi é entrevistado e relata a sua história tal qual aconteceu, os repórteres não acreditam, então ele substitui os animais por pessoas, apesar da segunda história soar melhor aos repórteres, estes confessam que gostam mais da primeira. Na minha opinião, Yann Martel, alerta o leitor para o facto do homem continuar a ser um sonhador. . "Como é verdade e que grande verdade, que a necessidade é a mãe da invenção" . "Uma pessoa pode habituar-se a tudo, até a matar" . Este é um excelente livro, uma excelente leitura. Uma história que nos faz viajar com o seu personagem pelas pequenas/grandes alegrias, como pelo seu grande sofrimento! Não deixe de ler!

1 comentários:

risonha disse...

Li este livro há muitos anos atrás e adorei... gostei de reencontrá-lo aqui.