25/06/2011

Se isto é um homem, de Primo Levi


Um dos períodos da História que gosto de revisitar de vez em quando é o período da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto. Acho que, por ser um dos momentos mais trágicos da Humanidade é que deve ser lembrado e devemos evitar que se repita. Existem muitos livros sobre o Holocausto que relatam o que se passou nos campos de concentração nazis. Decidi destacar este "Se isto é um homem", de Primo Levi por ser um dos relatos mais impressionantes jamais descrito por alguém que viveu e sobreviveu aos campos da morte. Primo Levi nasceu em Turim, em 1919. Licenciou-se em química, participou na resistência contra a ocupação nazi, foi preso e deportado para o campo de concentração de Auschwitz em Fevereiro de 1944. Lá permaneceu até ser libertado no dia 27 de Janeiro de 1945 pelo Exército Vermelho. O que nos prende ao longo deste relato é o facto de Primo Levi nos descrever aquilo por que passou de uma forma tão lúcida, sem nunca questionar o seu "destino", sem qualquer queixume, sem raiva, Primo Levi parece pôr de lado todos os sentimentos para seguir o seu raciocínio, o seu relato, a descrição do seu dia-a-dia. A sua vontade era só uma: sobreviver. Para isso tentou sempre passar despercebido, tanto dos guardas como dos prisioneiros. Os seus conhecimentos de química foram fundamentais para a sua sobrevivência dado que lhe permitiram trabalhar no laboratório onde podia manter-se quente. Após a libertação do campo fica doente com escarlatina. Como todos os doentes é abandonado e fica no campo. Os outros prisioneiros não terão tanta sorte pois são evacuados pelas SS naquilo que ficou conhecido como a marcha da morte. É realmente fascinante o relato de Primo Levi. Com ele chegamos à conclusão descrita no título: se isto é um homem. Parece uma pergunta: será isto um homem? seremos nós homens os que estamos aqui prisioneiros? Não, a conclusão a que se chega é são meramente objectos. Usam-se quando têm algum tipo de utilidade, descartam-se quando já não são necessários. É terrível esta conclusão, é horrível ver ao que chegou a condição humana. E é perante estes factos que nos damos conta de quão insignificantes são os problemas a que damos tanta importância.

10 comentários:

Manuel Poppe disse...

Uma forma excelente de apresentar um livro fundamental. Parabéns!

Paula disse...

Olá Luís,
Ora aqui está um livro que tenho bastante curiosidade em ler.

Paula disse...

Já encomendei!

Manuel Cardoso disse...

Tenho-o em casa para ler.
Acho que vou meter mãos à obra mais cedo do que pensava :)
Gostei muito da tua análise; acho que ganhamos um bom reforço para a equipa :)

Ângelo Marques disse...

Olá Luís,
Boa análise do livro, o tema é deveras interessante, eu já estive num campo de concentração e digo que é... muito emotivo uma experiência única.
Mas mesmo assim existem "pormenores" pós holocausto que nos passam ao lado por completo, se o momento foi trágico as gerações futuras ainda sofrem consequências desses momentos.

Luís Miguel disse...

Bom dia a todos,

Obrigado pelos vossos comentários.
Quem decidir ler este livro de certeza que não se sentirá defraudado. Para além do interesse do tema em si temos um relato de uma objectividade e lucidez ímpares que nos marca profundamente.
Acho que daria uma excelente escolha para uma leitura conjunta.

Mr. Oak disse...

Este livro reensinou-me a dar valor ao pão.

schmetterling disse...

Li este livro há uns anos e fiquei impressionada com a forma como o autor descreve os acontecimentos do seu dia a dia.

Todos devíamos ler e reflectir sobre os nossos queixumes rotineiros e estarmos atentos para que algo como o Holocausto jamais volte a acontecer .

pn25 disse...

Um livro excelente, que nos ensina a dar valor às pequenas coisas da nossa vida.

Offuscatio disse...

Olá Luis,

Respeito à pergunta que colocas e respondes de imediato, penso que esta citação diz quase tudo: "a nossa personalidade é frágil, está muito mais ameaçada que a nossa vida”.