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16/02/2015

Lançamento do livro "Corre!" novela de Miro Teixeira

O evento será realizado a partir das 17h00 no dia 21 de Fevereiro na Biblioteca Municipal de Vila do Conde - José Régio. 

SINOPSE:
Perante a iminência da morte, que influências ou distorções poderá sofrer um amor, de qualquer modo ou espécie, e sobretudo, até onde poderá este sobreviver?
O último e derradeiro suspiro de um amante determinará a sua extinção?
Corre! - É isso mesmo, uma estranha história de amor e morte anunciada, protagonizada por um personagem tão insólito, que se arrisca a ser demasiado real para acreditarmos que poderá mesmo existir ao nosso lado.
Um homem que, passada a portada do meio-século de vida, descobre duas coisas fundamentais pela primeira vez: que vai morrer em breve, e que afinal, sempre é digno e capaz de se apaixonar.
Humberto Crica é esse amante, esse morto a prazo, esse homem invulgar, que passou uma vida inteira afastado de tudo quanto é humanamente vulgar, como o espanto da primeira visão de neve onde ela nunca poderia existir, ou o simples saborear tão comum de uma Pizza num café insuspeito.
Fechado, desde sempre, numa concha fictícia de proteção familiar, justo até ao instante da tomada de consciência da sua mortalidade datada, apercebe-se, por fim, que o amor se tornara o motor para um início tardio de uma vida que nunca foi exactamente vivida, e que deseja agora que venha a ser longa. – Humberto tem de correr para se certificar, que chega vivo à meta mais importante da vida.
Poderá alguma vez alguém morrer, sem nunca ter vivido ou conhecido o amor?

28/11/2012

Escritores na Primeira Pessoa - Casimiro Teixeira


Paula T- Depois de ter passado algum tempo da publicação do teu romance “Governo Sombra” que balanço fazes de todo o trabalho que houve (desde a escrita, à publicação e à divulgação) e que nós leitores não damos conta?

Casimiro - Antes de mais, gostaria de agradecer a oportunidade desta entrevista, sobretudo vindo o convite de quem veio. A Paula, desde que nos conhecemos, sempre foi uma das pessoas que mais apoio me foi prestando, e essas coisas de desprendimento, eu nunca esqueço.

Quanto ao livro em si, só me ocorre dizer que passei por três fases muito distintas. Não me apetece muito ser politicamente correcto, pois, não me restam mais dúvidas de que aquilo que é conforme ao dever, há muito que se evadiu do que é politico. Adiante. Primeiro vivi o encanto tolo que se tem quando se escreve para nós mesmos. É sempre uma tola inocência escrever, porque primeiro escuta-se tudo, começa sempre por aí. Qualquer escritor é um escutador em primeiro lugar. Depois captura-se o que nos comove o que nos rouba o chão. Tem de ser quase algo que nos dissolve: Uma frase, uma pessoa, um momento, tem de se tomar posse destas coisas, e ficamos perdidos, tolos com isto. Depois para dar um sentido às coisas temos de sair de nós mesmos, e aí começa a história. Esta é a parte boa do processo.

Sabia que tinha todo este material escrito mas nunca partilhado, por pudor, por desconforto, por outras razões. A vontade existia, faltava tudo o resto. Chega então a segunda fase. A dolorosa. Partilhar, publicar. Este país tem escritores a mais, se calhar, eu sou um deles. O problema não é tanto o de se querer escrever. Meu Deus, quem dera que mais pessoas escrevessem as suas ideias, as suas histórias, é uma forma excelente de purga interior. O problema é que todos as querem ver publicadas, e, simplesmente, embora o seja possível fazer, não é provável que todos o consigam fazer com sucesso. É uma lei de mercado a que controla a publicação de livros, tão válida quanto a lei que rege a produção de ananases ou a do fabrico de carrinhos de bebé. A lei da procura e da oferta. É muito cruel, e foi preciso dar esse passo mais sério para a descobrir. Talvez seja este o aspeto que os leitores nem se dão conta, mas até acredito que muitos o sabem.
Desenganem-se os que pensam que tudo se deve à qualidade da escrita. É mentira. Sem fama, sem prémios, sem uma mão providencial na altura certa, certos autores e os livros que escrevem nunca irão ser divulgados como merecem, e sem divulgação os livros morrem um bocadinho, sem leitores, morrem completamente. Mas, é assim que as coisas são, e chorar sozinho não nos vai ajudar de todo. Embora por vezes, seja preciso chorar e muito.

Paula T- Como sentes que os leitores receberam a tua obra?

Casimiro - Os que a conseguiram obter, receberam-na muito bem, muito bem mesmo. Foi recompensante receber tantas opiniões positivas sobre o livro, aliás, agora que penso nisso, creio que não recebi até à data, nenhuma opinião negativa, salvo algumas críticas pontuais, mas todas elas muito construtivas. Estou feliz por isso, é claro. Assim que me decidi a embarcar nesta experiência de “ser escritor” nunca mais desisti de acreditar. Acredito sim, acredito na longevidade das coisas, o que não acredito ainda, é que sou um escritor. O meu pai escrevia muitas cartas, seria ele um escritor? A minha filha, que quer ser professora, escreve composições sem ninguém lhas pedir, e depois corrige-as ela mesma, com a caneta vermelha. Será que também ela é uma escritora? – No fundo somos todos escritores, penso eu. Só precisamos de passar pelo duro crivo dos doutos senhores que controlam este mundo, para atingirmos a meta dos leitores com o “canudo” de escritor já previamente reconhecido e avalizado.

Paula T- Em relação às editoras cujos autores pagam para ver as suas obras publicadas (como foi o teu caso), achas que são uma mais valia, dado que de outra forma seria complicado ter um livro editado ou as desvantagens são bem maiores?

Casimiro - Que pergunta tão boa. Quando ainda era um tolo, pensava como um tolo, agia como um tolo, e acreditava em tudo. Agora só sou tolo quando escrevo, o resto do tempo, tenho de ter a dureza do fogo cá dentro. Vou ser muito claro; nunca, mas nunca mais na minha vida, pagarei mais um cêntimo para ser publicado. Foi um dos grandes erros da minha vida, continuar a ser tolo numa fase do processo em que deveria ser atento e realista. Agora aprendi a lição, e o conselho que dou a toda a gente é o seguinte: não vendam os vossos sonhos. Tudo aquilo, que aos vossos olhos, é puro e perfeito, transforma-se em nada num instante. Lembrem-se da lei dos mercados. O que lhes importa é o vosso dinheiro, e só, só mesmo, no eventual acaso fortuito de conseguirem algum tipo de protagonismo à luz do que se poderá chamar de fama, é que verão o curto estender da mão destas editoras no vosso sentido. De outro modo, acaba-se tudo, mal recebam os vossos livros, os livros que vocês pagaram, que, na maior parte das vezes, nem correspondem áquilo que imaginaram que seriam. Eu avisei que iria ser politicamente incorrecto.

Paula T – Como é do conhecimento de todos, edita-se centenas de livros todos os meses de diversas editoras. Achas que isto é bom ou mau para o mercado livreiro?

Casimiro - Creio que já respondi a isto na primeira pergunta, mas reafirmo-o: o Mercado livreiro não pode conseguir suportar este afluxo imenso. Escrever é em si mesmo um conceito artístico, uma atividade de paixões, leia-se emotividade aqui. Editar, é, cada vez mais, um negócio. E um negócio arriscado diga-se de passagem, a prova está em tantas boas editoras, e excelentes indivíduos editores, que se veem e se viram obrigados a fechar portas, ou quase a juntarem-se à força das necessidades, a grandes conglomerados editoriais que dominam o mercado e que ditam as regras e os gostos. Assim sendo, torna-se muito difícil a conciliação dos dois processos. Por isso surgiu esse abjeto nicho do mercado, que são as editoras conjuntas, que editam tudo mediante pagamento prévio, como aconteceu no meu caso. Não me cabe definir aqui se o meu livro tem ou não valor literário, eu tenho crença absoluta que sim, mas sou muito suspeito. Ainda não escrevo para ganhar dinheiro, escrevo pelo prazer que isso me dá, embora espere um dia poder ter esse mesmo prazer e fazer uma vida modesta às suas custas. Logo se vê no que dará.

Paula T- Tens novos projetos para breve?

Casimiro - Imensos. Tenho já publicado (auto-publicação) uma novela, o que hoje em dia se chama de quase-romance, que se chama “Corre!” e que narra a estória de um homem, Humberto Crica, muito invulgar, um cinquentão solitário que viveu a vida inteira fechado num mundo perfeito, protegido de tudo e de todos, até descobrir que sofre de uma doença terminal, que lhe resta pouco tempo de vida, e que nunca viveu de facto, nem quanto muito saboreou o prazer de provar uma mera fatia de pizza ou o deslumbre do amor. Estou também a ultimar um novo livro de poesia, que muito provavelmente também será auto-publicado, tenho um novo romance submetido para publicação: “Duas Vidas sem Importância” – façam figas - e estou a dar os primeiros passos na difícil tarefa da escrita para crianças. Além disso, estou também a fazer pesquisa para um outro romance, que muito certamente, só estará terminado nos finais de 2013, princípios de 2014.

Paula T- Que autores influenciam a tua escrita?

Casimiro - Gosto de poesia, sabes? Escrevo muita poesia, e a escrita da poesia acarreta uma responsabilidade muito séria. De qualquer forma, inspiram-me muito mais os poetas do que os romancistas ou os ensaístas. Gosto de Borges e de Neruda, e dos românticos ingleses: Byron, Shelley, Yeats, e temos poetas tão bons. Herberto Helder, Mário de Sá Carneiro, Al Berto, o Cesário, Pessoa, Maria Teresa Horta, e o saudoso Manuel Pina. Sei lá, são tantos. Na prosa sou apaixonado pelo Hemingway e pelo Mário Cláudio, mas aqueles que leio e releio vezes sem conta, são os autores sul-americanos: Garcia Marquez, Vargas Llosa, Allende, Sepúlveda, o Mia Couto também, que não se enquadra bem aqui, mas amo-o na mesma. De mais a mais, estou sempre a descobrir novos autores que me encantam igualmente, e isso, é o mais importante de tudo, a descoberta.

Casimiro, muito obrigado, tudo de bom para ti e muito sucesso!

02/03/2012

Governo Sombra, Casimiro Teixeira

Opinião:
Tal como o próprio nome indica, Governo Sombra é um livro sobre política. Fala-nos das sombras e dos lados obscuros dessa actividade tão polémica que é a política. Seja ela portuguesa, americana ou outra qualquer.
É um livro inquietante, pois apesar de ser ficção, acredito que muitas das acções e acontecimentos nele presentes, possam realmente acontecer.
A narrativa é composta por duas histórias aparentemente distintas e singulares, no entanto à maneira que vamos avançando na história vamos estabelecendo relação entre elas até que no final fundem-se culminando no auge da narrativa. Um final arrojado que eu não esperava, um final que me surpreendeu e que, talvez traduza a vontade de muitos portugueses no que respeita à governação actual do país...
Casimiro Teixeira, para além de nos levar pelos meandros da política e por todas as consequências, nas várias vertentes, que as decisões dos políticos acarretam, tenta mostrar ainda o lado humano destes. Os sonhos de início, os sonhos que se transformam em pesadelos, as dúvidas, e o ultrapassar tudo isso em prol de quem realmente manda. Porque contra quem manda ninguém realmente pode.
Não deixa de ser compreensível a desilusão que os portugueses sentem em relação aos políticos, mas também não deixa de ser verdade que quando falamos de política, somos frequentemente vítimas de algum preconceito. Para o “comum dos mortais” um político é alguém que procura acima de tudo o seu sucesso pessoal, a obter a todo o custo. Talvez o conceito tradicional esteja ainda muito influenciado por aquele postulado de Maquiavel segundo o qual “os fins justificam os meios”. No entanto, Casimiro Teixeira procura desmistificar este conceito algo obscuro do político, mostrando-o como um ser sonhador, alguém que procura atingir determinados objectivos com toda a ingenuidade que o iniciante revela. Um político não deixa de ser um homem, com todas as suas forças e fraquezas.
O autor usa uma linguagem simples e fluida onde a acção é uma constante, os seus personagens são solidamente caracterizados ao ponto de partilharmos sentimentos com estes. Esta é uma leitura bastante agradável, que nos elucida sobre um assunto bastante actual, levando-nos deste modo à reflexão e mostrando-nos as várias perspectivas do mesmo!
Recomendo!
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Sinopse:
Um thriller de conspirações políticas que retrata as vidas paralelas de dois homens.
Um, desempregado, e com ambições de ser escritor, que desistiu da vida e da procura da felicidade, reencontrando-as ao receber uma estranha mensagem de uma amiga, que lhe encomenda a escrita de um livro sobre a sua vida, conduzindo-o numa viagem obsessiva por uma realidade ficcionada sobre um Portugal secreto e sinistro desconhecido por muitos.
O outro, um político empossado à força por um caciquismo familiar. Professor de história por paixão, torna-se secretário de estado por complacência dos interesses do falecido pai.
Vão ambos embarcar numa odisseia mirabolante de enganos e descobertas, na busca da confirmação da existência de uma ordem secreta, Os Alquimistas, cujo plano efetivo para o nosso país, consiste no controlo absoluto do seu governo, e no domínio total da vontade dos seus cidadãos.
De Nova Iorque a Bruxelas, e por diferentes locais em Portugal, um atroz destino os espera, nesta história implacável, que mistura passado e presente, cheia de suspense e completamente imprevisível.

Comentário também publicado no blogue ...viajar pela leitura...

28/08/2011

Poemas Por Tudo e Por Nada de Casimiro Teixeira

Opinião:
"Poemas Por Tudo e Por Nada" da autoria de Casimiro Teixeira transporta-nos para a poesia que há em nosso redor, ou melhor para a poesia que há na vida, mas que nem sempre nos damos conta que ela existe e nos acompanha.
Poesia pode ser uma simples folha que cai da árvore, o sorriso de uma criança, a chuva que vai calma e doce ou uma tempestade em alto mar... pode ainda ser palavras "complicadas" com rima e métrica, mecânicas, pensadas...escritas em papel ou ainda palavras simples, ingénuas, sentimentos ecoados numa alma sensível, que foram expressos em rascunhos abandonados, que acabam por ser tesouros escondidos, revelados pelo tempo...
A poesia está onde nós a vemos, não precisa haver motivo para a celebrarmos, ela surge naturalmente "Por Tudo e Por Nada", assim é a poesia de Casimiro Teixeira... fluída, sentimental, às vezes ingénua outras intencional, mas sempre espontânea!

Comentário, também publicado no blogue viajar pela leitura