Mostrar mensagens com a etiqueta Elsinore. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Elsinore. Mostrar todas as mensagens

02/05/2018

Novidade Elsinore - «Estou Viva, Estou Viva, Estou Viva», de Maggie O' Farrell


Estou Viva, Estou Viva, Estou Viva
Maggie O' Farrell 
Elsinore 
Páginas: 256
PVP:17,69€

«Maggie O’Farrell aponta as suas setas diretamente ao coração de quem a lê.» - The Times

«Extraordinário, desconfortável e irresistível. A sua prosa parece invencível.» - The Guardian

«Quando és criança, ninguém te diz: "vais morrer". Tens de descobrir isso por ti. Algumas pistas são: a tua mãe a chorar e, depois, a fingir que não estava a chorar; não deixarem os teus irmãos virem visitar-te; a expressão de preocupação, gravidade e um certo fascínio com que os médicos olham para ti; a maneira como as enfermeiras se esforçam por não te olharem nos olhos; familiares que vêm de muito longe para te verem. Quartos de hospital isolados, procedimentos médicos invasivos e grupos de estudantes de Medicina também são sinais claros. Ver ainda: presentes muito bons.»

Maggie O’Farrel, autora multipremiada e uma das vozes mais interessantes da literatura atual, relata, em Estou Viva, Estou Viva, Estou Viva, as 17 experiências de proximidade com a morte que viveu durante a sua vida, num tom de memória e com um caráter literário muito presente.

Uma doença na infância que deveria ter sido fatal, uma fuga em adolescente que quase termina em desastre, um encontro assustador num caminho isolado, um parto arriscado num hospital com falta de pessoal – estes são apenas quatro dos dezassete encontros com a morte que Maggie O’Farrell relata na primeira pessoa. São histórias verdadeiras e fascinantes que impressionam, comovem, arrepiam e, sobretudo, nos fazem recordar que devemos parar, «respirar fundo e ouvir o bater do coração». Os primeiros capítulos estão disponíveis para leitura aqui.

SOBRE A AUTORA:
Maggie O’Farrell nasceu na Irlanda do Norte, cresceu entre Gales e Escócia, e, atualmente, vive em Edimburgo. Trabalhou como jornalista e editora literária no Independent on Sunday, e deu aulas de escrita criativa. Em 2010, recebeu o prémio Costa com o romance The Hand That First Held Mine, e, em 2013, foi finalista do mesmo prémio com o romance Instructions for a Heatwave. Os seus livros estão publicados em 20 países.


17/04/2018

Novidade Elsinore - «A Devastação do Silêncio», de João Reis

A Devastação do Silêncio
João Reis  
(Elsinore)
Oito Ilustrações originais de Lord Mantraste. Primeiros capítulos disponíveis aqui.
«A noite levava-nos a pensar, a imaginar comida, a nossa casa, mais comida, terríveis cenas de infância, essa época abominável, misturavam-se com imagens de comida e exponenciavam o nosso suplício (…) tornava-se incomodativo e alguns choravam, para em seguida se rirem. Terminadas as lamúrias, tudo corria melhor, fazia-se silêncio, podia-se dormir.»
A Grande Guerra assola a Europa do início do século XX. Um capitão do Corpo Expedicionário Português encontra-se num campo de prisioneiros alemão, sem documentos que atestem a sua patente de oficial, obrigado a partilhar a vida e o destino dos seus conterrâneos mais pobres. Tem fome, ouve detonações constantes, observa, sonha, procura um sentido para tudo aquilo que o rodeia, tenta terminar o relato de uma estranha história sobre cientistas alemães e gravações de voz, procura desesperadamente o silêncio e, acima de tudo, a paz das coisas simples.
«No intrincadíssimo horizonte da atual literatura portuguesa, João Reis oferece uma marca de singularidade muito original.» — Jornal de Letras
«Um humor sarcástico e subtil que se vê pouco na literatura lusa.» — Público
João Reis nasceu em Vila Nova de Gaia em 1985. Licenciado em Filosofia, foi editor da  Eucleia Editora, que fundou, de 2010 a 2012. Atualmente, é tradutor literário, especialista em línguas nórdicas, tendo traduzido para português livros de Knut Hamsun, Halldór Laxness, August Strindberg e Patrick White, entre muitos outros autores.
Entre 2012 e 2015, trabalhou e residiu na Noruega, Suécia e Inglaterra, onde exerceu várias profissões. Escreveu o romance A Avó e a Neve Russa (ed. Elsinore) no decurso de uma residência  literária em Montreal, Canadá, realizada em 2015. Nesse mesmo ano, foi finalista do Bare Fiction Prize na categoria de flash fiction e publicou a sua novela A Noiva do Tradutor (ed. Companhia das Ilhas).

03/04/2018

NOVIDADE Elsinore - «O Gato, o Ankou e o Maori», de Michel Rio

O Gato, o Ankou e o Maori
Michel Rio 
(Elsinore 
Páginas: 128
PVP: 6,59€
E, numa bela manhã, saiu da creperia para andar sozinho rumo a outros lugares, como na história. Caminhou ao acaso. Pouco importava a direção ou o destino se todos os lugares eram iguais.

Cansado da sua creperia e de ver sempre as mesmas coisas nos mesmos sítios, Jules Joseph Chamsou, gato de catorze riscas, decide pôr à prova a sua curiosidade e descobrir se todos os outros lugares são iguais. À mercê das atribulações com que se depara pelas estradas da Bretanha onde nasceu, a sua malícia e audácia ser-lhe-ão ajudas preciosas para o tirar de alhadas — como desafiar o temível Ankou, o barqueiro da Morte — e, nesta odisseia felina, haverá até tempo para travar novas amizades, seja com os korrigans da charneca, com os quais cantará um branle, ou com Henry James Maru, o gigante maori.

Para adultos ou crianças, uma irresistível, refinada e enganadoramente simples aventura sobre o sítio a que chamamos casa. A esta fábula moral, de texto extravagante e divertido, juntam-se as fantásticas ilustrações da artista francesa Marie Belorgey. Tradução de Joana Cabral.
«Michel Rio é dono de uma obra sem equivalente na paisagem literária.»L´HUMANITÉ
Sobre o autor: 
Michel Rio nasceu na Bretanha em 1945. Em 1973, após a conclusão dos estudos na área da Semiótica e de algumas publicações académicas, maioritariamente relacionadas com a banda desenhada, publica, em 1982, o seu primeiro romance, Mélancolie Nord, com o qual se consagra imediatamente, sendo-lhe atribuído o Prix du Roman de la Société des gens de lettres, galardão que se repete com o romance de 1983, Le Perchoir du Perroquet. Laureado com inúmeros prémios literários, de entre os quais se destaca o Prix Médicis, Michel Rio é um dos nomes mais importantes das letras francesas, com uma extensa obra, do romance ao teatro e cinema, já tornada em objeto de estudo.


10/03/2018

Novidade Elsinore - A Dança do Rapaz Branco de Paul Beatty

A Dança do Rapaz Branco 
Paul Beatty 
Elsinore 
Páginas: 288 
PVP: 17,69€

A Dança do Rapaz Branco, primeiro romance de Paul Beatty — vencedor do Man Booker Prize com O Vendido, editado pela Elsinore em 2017— é uma comédia literária caleidoscópica sobre um afroamericano incomum à procura da sua identidade numa América caricatural mas, de algum modo, estranhamente familiar.

«Um daqueles romances repletos de energia e de uma linguagem deslumbrante. Beatty é um escritor de imaginação fértil a seguir.» The New York Times

«Beatty é um talento original e irreverente.» — The Times

Sinopse: 
«Se um magnata do cinema comprar os direitos cinematográficos da minha vida, a sinopse dirá: Na luta pela liberdade, um jovem poeta relutante convence os negros americanos a abandonarem a esperança, e a matarem-se num final trágico e explosivo. Cheio de gargalhadas e diversão. Alguma violência e linguagem não indicadas para crianças.»
Gunnar Kaufman, descendente de uma longa linha de homens que detesta, desde escravos a cobardes que ajudaram a assassinar Malcolm X, viveu a sua infância protegido na tranquilidade branca de Santa Monica, longe de problemas. No entanto, depois de ele e as suas irmãs se terem recusado a ir para um campo de férias para crianças negras «porque elas são diferentes de nós», a mãe muda-se imediatamente com eles para a zona oeste de Los Angeles, de modo a que os filhos estejam em contacto com a cultura que começam a negar. E é assim que Gunnar, futuro poeta, péssimo dançarino, conquistador avesso e fenomenal jogador de basquetebol, dá por si a aprender a ser quem é entre os gangues, os motins, os estereótipos, a violência e a beleza das ruas e da vida negra nos Estados Unidos dos anos 90.

Paul Beatty é um escritor norte-americano, autor dos romances A Dança do Rapaz Branco (ed. Elsinore, 2018), Tu, Slumberland e O Vendido (ed. Elsinore, 2017) assim como de dois livros de poesia, Big Bank Take Little Bank e Joker, Joker, Deuce.
Em 2009, recebeu uma bolsa da Creative Capital Foundation e, em 2015, venceu o John Dos Passos Prize for Literature. Em 2016, com O Vendido, foi o primeiro escritor norte-americano a ganhar o Man Booker Prize. O Vendido foi também considerado um dos melhores livros de 2015 pela imprensa escrita reconhecida: The New York Times Book Review, The New Yorker, The Wall Street Journal, The Boston Globe, Buzzfeed, The Hungton Post, The New York Times, Mens’ Journal, Newsweek, NPR e Publishers Weekly. Vive em Nova Iorque.


26/02/2018

Novidade Elsinore - Homem-Tigre de Eka Kurniawan

Homem-Tigre
Páginas: 176
PVP: 16,59€
«Pertinente, astuto e magnético, Homem-Tigre é a prova de que tudo aquilo que Eka Kurniawan escreve vale bem a pena ser lido.» The New York Times
Poético e irreverente, arrojado e político. Homem-Tigre, já nas livrarias, é um dos romances mais marcantes dos últimos anos. Esta obra, que combina política, sátira, humor e tragédia familiar, valeu a Eka Kurniawan comparações a Salman Rushdie e Gabriel García Márquez. Em 2016, com Homem-Tigre, Eka Kurniawa tornou-se o primeiro autor indonésio a ser nomeado para o Man Booker Prize.

Sobre o livro:
Pouco tempo depois de o cadáver de Anwar Sadat, um artista lascivo e preguiçoso, ser descoberto, Margio é detido pela polícia, havendo poucas dúvidas de que é ele o assassino. No entanto, o que terá levado o jovem e dócil Margio a afundar os dentes na garganta de um homem e perpetrar um crime tão hediondo permanece um mistério para todos os habitantes da pequena povoação. A verdade é que, no momento do ataque, Margio não estava em controlo das suas ações; nesse momento, um tigre fêmea branco tinha tomado posse do seu corpo.Homem-Tigre é o retrato de duas famílias atormentadas, ligadas entre si por um casamento trágico e brutal, e de uma Indonésia rural e pobre a braços com um passado recente de abusos e violência, sedenta por justiça, onde o folclore e o mundo real colidem.
 
Era um rapaz que não gostava de ficar em casa, mas era bem comportado. Não era tolo o suficiente para desperdiçar o seu tempo em rixas e, durante o dia, fazia uns biscates e gastava o dinheiro ganho em cigarros e cerveja. Era temperamental, mas ainda assim doce. Todos sabiam que odiava o pai e achavamno capaz de acabar com ele, mas Margio nunca tentou nada assim. Não era, de todo, um arruaceiro. Quando Sadrah ouviu dizer que Margio havia matado um homem, nem conseguia acreditar. Chegou a casa e descobriu o pai a matar as galinhas. Komar não pediu ajuda a ninguém, prendendo as patas e as asas debaixo dos pés, uma mão a segurar a cabeça da pobre galinha, a outra a golpear com a faca da cozinha. Zás, zás, cortoulhes as cabeças, uma a uma, e lançou os restos mortais para a gaiola, as asas a bater para afastar o aperto da morte.
— O que está ele a tramar? — perguntou Margio a Mameh, sem que Komar o ouvisse.
— Está a planear uma refeição cerimonial para o sétimo dia de Marian.
Talvez tenha sido isso a trazer o tigre para o exterior. Margio não conseguia tolerar que o maldito velho fizesse algo de simpático pela rapariga morta que ignorara por completo enquanto fora viva. Margio acabara por acreditar que Komar tinha matado a mais nova, ou que, pelo menos, a deixara morrer intencionalmente. E, agora, o maldito Komar estava a planear uma cerimónia de sétimo dia. Apodrece no Inferno, pensou Margio. Decerto, a alma da bebé nada aceitaria daquele homem. Foi então que Mameh se apercebeu de um rosto avermelhado, espetral, aparentemente coberto de pelo, com um brilho amarelo nos olhos. Ouviu um rugido ecoante e viu uma sombra branca a dancar‑lhe nas pupilas. Quase gritou, antes de voltar a desaparecer, aninhado atrás da porta de uma gaiola que parecia ter ficado bem fechada. Margio haviao confinado, suprimira a sua selvajaria (pp. 65)   
 
Sobre a autora: 
Eka Kurniawan nasceu em 1975, na Indonésia. Formado em Filosofia, é autor de dois romances, vários  contos, argumentos para cinema e ensaios. A tradução em língua inglesa do seu primeiro romance, Beauty is a Wound, tornou-se uma das mais recentes e fulgurantes revelações da  Literatura mundial. Em 2016, com Homem-Tigre, tornou-se o  primeiro autor indonésio a ser nomeado para o Man Booker Prize. Foi ainda nomeado para o Prémio Médicis e para melhor livro do ano pelo Guardian e pelo New York Times. As suas obras estão traduzidas em mais de 35 línguas. 



06/02/2018

Novidade Elsinore - «A Tempestade», de Marina Perezagua, nas livrarias

Tempestade
Marina Perezagua 
Páginas: 240 
PVP: 17,69€

Literatura de alto risco, inquietante, que põe ombro a ombro ideias hipnóticas, terríficas, resoluções devastadoras e momentos de uma beleza estranha e desarmante, os contos de Marina Perezagua, reunidos neste volume inédito, são pequenas explosões literárias.

Misturando o insólito, a violência, a beleza, a esperança, a crueldade e o desespero, apresentam, tão dura como ela é, a parte negra da experiência humana, sem limar arestas ou evitar faúlhas, mas também sem negar a possibilidade de redenção, o reencontro e o amor. Tradução rigorosa e de qualidade assinada por Guilherme Pires.
 
 «Os vestidos, pesados de tanta água que absorveram, arrastam para o fundo a infeliz mulher, e a morte interrompe o seu canto dulcíssimo. «Matei-a», temo. A bela Helena jaz sobre a mesa do jardim. As águas abriram-se à minha passagem. Estou vivo e seco. De uma vela cai uma pequena gota que arrefece sobre a sua pálpebra. A tempestade acalmou-se, e oiço um aplauso definitivo e profundo como um último adeus.» in «A Tempestade» (pp. 21)

Sobre a autora:
Marina Perezagua é uma escritora espanhola, nascida em Sevilha em 1978. Tem sido elogiada por leitores e críticos pela sua escrita extremamente visual e desconcertante, que a tornou uma voz única na literatura espanhola contemporânea. Tendo publicado inicialmente os livros de contos Criaturas Abisales (2011) e Leche (2013), foi o seu primeiro romance, Yoro, de 2015, que a converteu numa figura consensual entre a crítica. Os seus contos foram publicados em diversas revistas literárias, como Electric Literature, Granta (espanhola e britânica) ou Maaboret (em hebraico). É licenciada em História da Arte e doutorada em Filologia. Vive em Nova Iorque, onde ensina Espanhol na New York University e noutras instituições. É praticante de mergulho livre e, em 2015, percorreu a nado o Estreito de Gibraltar em menos de quatro horas.
 
 

04/05/2017

Novidade Elsinore

EIS O MUITO AGUARDADO REGRESSO
DE ALI SMITH AO ROMANCE
«Ela percebe-lhe um terrível abatimento nos olhos. Ele percebe que ela o percebe. Ele põe-se ainda mais severo. Abre uma gaveta, dela retira uma chapa laminada e coloca-a no balcão. Balcão Fechado. Isto não é ficção, diz o homem. Isto é a estação dos correios.»

Sobre o livro
Daniel tem a idade de um século. Elisabeth, nascida em 1984, está de olho no futuro. O Reino Unido e a Europa estão despedaçados, divididos por um verão histórico. Ganha-se amor, perde-se amor. A esperança caminha de mãos dadas com o desespero. As estações sucedem-se, como sempre, assim como as perguntas: Qual é o nosso valor? Quem somos? De que matéria somos feitos?
Eis o lugar em que vivemos. Eis o tempo na sua forma mais contemporânea e naquilo que tem de mais cíclico.
Eis uma história sobre o envelhecer e o tempo e o amor e as próprias histórias. Este é o primeiro livro do quarteto.
Da imaginação única de Ali Smith nasce uma tetralogia feita a partir da ideia de transição, abrangente na sua escala temporal e marcada por um caminhar leve através das suas narrativas.
Eis o Outono.

Sobre a autora
Ali Smith nasceu em Inverness, na Escócia, em 1962, e vive atualmente em Cambridge.
Autora de romances, contos, peças de teatro e crítica literária, recebeu alguns dos mais importantes prémios literários do Reino Unido, como o Baileys Women's Prize for Fiction, o Goldsmiths Prize, o Costa Book Award e o Scottish Arts Council Award. Foi também várias vezes finalista do Man Booker Award.
Entre as suas obras mais conhecidas estão The AccidentalAmor Livre e Outras Histórias (ed. Quetzal, 2011) ou How to Be Both (ed. Elsinore, publicação prevista para 2017).

02/05/2017

Elsinore: «As Guerras de Fátima», de Paulo Moura - já nas livrarias

NO CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES DA COVA DE IRIA, UMA INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA E JORNALÍSTICA DA MAIS DELIRANTE INTRIGA POLÍTICO-RELIGIOSA DO SÉCULO XX. O OUTRO LADO DOS SEGREDOS DE FÁTIMA.

Terão as visões de Lúcia influenciado decisivamente a História do século XX ou terá a vidente sido usada, durante uma vida inteira de clausura em conventos, pelos interesses de várias potências mundiais?

Sobre o livro
Vinte anos depois das aparições na Cova da Iria, o clero português, por pressão dos líderes políticos do Estado Novo, influenciou a Irmã Lúcia para que revelasse a segunda parte do Segredo de Fátima: a Rússia era a causa de todas as guerras e deveria ser convertida.
O Vaticano, sob ameaça de Hitler, alteraria pouco depois o texto do depoimento de Lúcia, focando-se na resistência ao comunismo. A Igreja passou, então, a usar o Segredo para apelar à insubmissão dos russos ao poder comunista, que perseguia os católicos. Os Aliados, por seu lado, faziam a sua própria interpretação: invocando o desejo de conversão dos russos, a Virgem apelava à santidade da Rússia, encorajando-a a resistir ao invasor alemão.
Depois de 1945, o texto do Segredo foi novamente alterado. Fátima foi transformada num baluarte de luta, não contra a Rússia, mas contra o comunismo no mundo, mensagem utilizada durante a Guerra Fria em toda a diplomacia e espionagem do Vaticano na Europa de Leste. A seguir, as interpretações do Segredo foram mais uma vez modificadas, para chegar tanto aos fiéis da Igreja Católica Romana como aos da Igreja Ortodoxa, num projeto de unificação da cristandade concebido pelo papado.

Sobre o autor
Paulo Moura é um escritor e repórter freelancer português, nascido no Porto em 1959. Estudou História e Jornalismo e, durante 23 anos, foi jornalista do Público.
Exerceu funções de correspondente em Nova Iorque e de editor da revista Pública, e tem feito reportagens em zonas de crise por todo o mundo. Fez a cobertura jornalística de conflitos no Kosovo, Afeganistão, Iraque, Chechénia, Argélia, Angola, Caxemira, Mauritânia, Israel, Haiti, Turquia, China, Sudão, Egipto, Líbia e muitas outras regiões. Ganhou vários prémios (Gazeta, AMI — Assistência Médica Internacional, ACIDI — Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, Clube Português de Imprensa, FLAD — Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, Comissão Europeia, UNESCO, Lettre Ulisses, Lorenzo Natali, etc.).
É professor de Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa, e autor de oito livros, entre os quais Depois do Fim (ed. Elsinore, 2016) — crónica dos principais conflitos armados dos últimos 25 anos, escrita a partir dos diários de guerra que guardou —, Extremo Ocidental (ed. Elsinore, 2016) — relato documental da sua viagem de mota pela costa portuguesa — e a biografia de Otelo Saraiva de Carvalho. Mantém um blogue de reportagens e crónicas intitulado Repórter à Solta, bem como o sítio paulomoura.net.