Mostrar mensagens com a etiqueta João Tordo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta João Tordo. Mostrar todas as mensagens

19/03/2013

O Ano Sabático, João Tordo


Opinião:
Este foi um livro cuja leitura me deixou pensativa por algum tempo depois de a terminar. E pensativa porquê??

Porque li as primeiras 200 páginas sem sentir nada pelo personagem nem pelo enredo. Isto foi o que me aconteceu. O livro está muito bem escrito, mas ao longo da leitura comecei a pensar que não me prendia, parecia que lia de forma linear sempre à espera que algo acontecesse e nada acontecia de facto.
Nas últimas 5 páginas, aconteceu o inesperado – agarrei-me ao livro, senti naquelas páginas o que não tinha sentido nas duzentas anteriores. Naquelas cinco páginas olhei a angústia, as dúvidas, os reencontros, as saudades e principalmente a falta de respostas para com aqueles personagens que ao longo da narrativa eu não havia sentido nada…

O que quero dizer é que no fim, todo o romance começou a fazer sentido. Tive de reler algumas partes, pensar noutras para então captar a mensagem das palavras que compõem este livro .

A história em si, fala de um músico de jazz - toca contrabaixo - que depois de algumas dificuldades como pessoa e como profissional decide tirar um ano sabático e ficar junto da família em Lisboa. Porém, ao invés de se organizar e de encontrar a sua paz interior, Hugo vai encontrar uma parte de si (o seu possível gémeo) que lhe multiplicará os problemas. Hugo passará a ser uma pessoa incompreendida pelos outros e até por si mesmo. O seu mundo começa a deixar de fazer sentido quando se sente traído, roubado e até abandonado por aqueles que mais ama.

Este é um livro que trata na sua essência a música, das composições, da paixão e das frustrações que um músico pode sofrer por não conseguir atingir os seus objectivos ou simplesmente por não ser entendido pelos outros. Talvez também porque quem ama o que faz, muitas vezes, não se consiga fazer entender…
O amor pelos instrumentos musicais está aqui também patente. O contrabaixo é aquele que adquire maior relevo, talvez porque João Tordo também toque este belo instrumento que se assemelha à figura feminina … há outro elemento que achei curioso e que tem a ver com a vida do autor - nesta história, a acção principal gira à volta de gémeos e João Tordo também é gémeo…

No final tive a sensação de que esta foi uma história que o autor escreveu essencialmente para si e para os que partilham o gosto pela música, por esta arte que às vezes é estranha aos outros. Estranha não pelo facto dos outros não gostarem de música, mas por não estarem inteirados das barreiras que se colocam e que se estabelecem para quem inicia e tem pretensões de chegar mais longe. Sim, estou a falar de música neste caso concreto, mas também poderia estar a falar da escrita… dos novos autores… ou de muitas outras coisas mais, porque barreiras e obstáculos é o que não tem faltado ultimamente a quem quer vencer!

Opinião também publicada no blogue ... viajar pelaleitura ...

03/02/2012

João Tordo na 100ª Página (Braga)

João Tordo na 100ª Página
11/Fev (sábado) - 11.30horas 


Aqui fica a restante agenda do autor:
21 de Janeiro, 16 horas, Museu República e Resistência na Cidade Universitária, apresentação de "Anatomia dos Mártires"
25 de Janeiro, Café Com Letras, em Oeiras, com apresentação de Carlos Vaz Marques. 21h30
26 de Janeiro: Clube de Leitores da Bulhosa de Entrecampos, 18h, Lisboa
10 de Fevereiro (hora a definir ao fim da tarde), Livraria Leitura, Centro Comercial Bom Sucesso (Shopping Center Cidade do Porto), Porto
11 de Fevereiro, Livraria 100ª Página, Braga, 11h30
11 de Fevereiro, FNAC Norte Shopping, 16h
16 de Fevereiro, Livraria Arquivo, Leiria, 18h30 (com David Machado e Nuno Camarneiro)

informação retirada daqui

22/07/2011

Escritores na Primeira Pessoa - João Tordo


Destante- Sente-se um contador de histórias?

João Tordo - Claro. Qualquer romancista se deveria sentir assim ou, pelo menos, aspirar a isso. Julgo que é a arte mais difícil de todas.

D- Sendo o João também tradutor, sente essas traduções como parte de um livro seu?

JT-  Não, as traduções são um material à parte, que exige muita dedicação, muito tempo e sobretudo muito respeito pelo autor da obra. Quando traduzo tento que a voz que coloco na página seja o mais aproximada ao original.

D- Achava ser difícil superar as expectativas, passar incólume à critica depois do sucesso do livro “As três vidas”, com o qual foi vencedor do prémio José Saramago?

JT- A crítica não me causa mossa: não ando cá para responder aos críticos mas sim para escrever livros. Com algumas excepções, tem sido benéfica. As expectativas são mais difíceis de superar, e não se pode agradar a toda a gente a todo o tempo. Decidi há algum tempo que o meu próximo romance será sempre aquele que me apetecer (e fizer sentido) escrever, independentemente do prémio que tenha ganho ou do que esperam ou não esperam de mim.

D- Como foi a sua estadia na casa ledig? Podemos falar um pouco dessa experiência?

JT- Foi uma estadia prolongada e muito proveitosa. Formou-se um grupo de pessoas caricato mas divertido, ensombrado pelo vulcão islandês que estava a lançar o caos nos voos Europeus e Americanos, e cedo não esquecerei o ritmo de escrita que aquele lugar remoto e belíssimo proporciona. Também andei muito de bicicleta, todas as manhãs, por volta das sete, quando acordava.

D- Quando inicia um livro leva-o até ou seu termino ou tem um “arquivo” onde guarda os livros inacabados?

JT- Levo-o sempre até ao fim, mesmo que não seja para publicar (já aconteceu algumas vezes).

D- A crítica em Portugal não é um pouco elitista? Como se relaciona com a crítica literária?

JT- Não tenho qualquer relação com a crítica ou com os críticos. Uma vez mais, ando cá para escrever e não para responder à crítica.

D- Sofre muito quando escreve? (tendo personagens tão complexas, tem que lhes dar um pouco de si) com isso sofre, rejubila?

JT- Não sofro nada quando escrevo; pelo contrário, é um alívio poder colocar nas páginas os pensamentos, ideias e emoções que carrego comigo durante os meses ou anos que antecedem a escrita de um romance. Sou o narrador da minha própria vida e a minha vida são as minhas histórias, muito mais do que esta vida quotidiana que, tantas vezes, não significa nada. Sofro muito mais quando não estou a escrever.

D- Devido a isso já perdeu o controlo de alguma personagem?

JT- Não.

D- Qual considera ser a sua maior qualidade e vulnerabilidade como escritor?

JT- A minha melhor qualidade é a persistência e a maior vulnerabilidade é a insegurança.

D- Não receia que o colem a um Charles Bukowski, Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald ou Edgar Allan Poe, devido à sua vida de escritor “boémio”?

JT- Quem lhe disse que tenho uma vida de escritor boémio? E, mesmo que tivesse, que importância teria? A minha vida não grande importância, a do meu alter-ego literário (o narrador dos meus livros), sim. E, se me compararem a algum desses nomes acima, fico muito feliz.

D- O que fará quando tudo estiver a arder?

JT- Vou buscar um extintor.

D- Para terminarmos, faça referência a um livro e a um país/cidade e fale-nos um pouco de ambos.

JT -  Let the Great World Spin, Colum McCann, irlandês. Um livro de fino recorte literário escrito por um irlandês sobre Nova Iorque, onde o autor vive – um livro cuja génese é muito semelhante a um romance que escrevi, As Três Vidas. McCann nasceu nos arredores de Dublin, uma cidade que me diz muito por diversas razões – sentimentais, geográficas – e, de certa maneira, quando leio McCann tenho a sensação que estou a ler um livro que eu poderia ter escrito caso tivesse nascido irlandês e emigrasse para os Estados Unidos.

D- João, o nosso muito obrigado e fazemos votos de muito sucesso.

15/05/2011

O Livro dos Homens Sem Luz - João Tordo


Opinião:

“O Livro dos Homens Sem Luz” fala-nos no seu essencial de solidão. Este é o elemento comum entre os vários personagens e as várias histórias que o livro apresenta. Personagens cujas vidas eram rotineiras e de certa forma estáveis, após trágicos acidentes passam a ser solitários, confusos, desesperados. Uns sem rumo, outros sem esperança.
Indivíduos que observam e conseguem ver os “erros” dos outros, mas não se apercebem que observam algumas das suas próprias acções.
A solidão, é amenizada na medida em que é observada nos outros, é como estar integrado num grupo com o qual há identificação e assim começar a fazer parte da vida de alguém, mesmo que na penumbra.
A forma como o autor apresenta a história leva, por vezes, o leitor à confusão, de início pensámos que irão ser deixadas inúmeras pontas soltas, porém à medida que vamos caminhando para o final, tudo vai fazendo sentido ou quase tudo.
Gostei da escrita, da história e da forma que João Tordo conduz os personagens e até o leitor.
Recomendo!

Excerto
"Quando fiz 35 anos nada tinha a que pudesse chamar meu. Não possuía casa própria ou emprego fixo, amigos ou conhecidos de que me pudesse orgulhar, conforto financeiro ou qualquer perspectiva de futuro. Vivia sozinho numa apartamento modesto, o terceiro andar de uma antiga habitação social em Finsburry Park, em frente de uma residência de estudantes, um edifício antigo de tijolo castanho que parecia derreter com a chuva e que albergava toda a espécie de gente. Na altura, julguei que iria apodrecer ali o resto dos meus dias, antes de descobrir o estranho destino que me estava reservado."
Críticas de imprensa:
"Um livro não aconselhado a quem sofre de claustrofobia. João Tordo consegue misturar o romance com o macabro nesta obra passada integralmente na Inglaterra, onde o autor estudou. Uma série de personagens com segredos e projectos escuros acabam por se juntar dando lugar a um conto de suspense com toques de literatura gótica. Enfim, um exemplo de qualidade da nova literatura alternativa em português."
in revista Os Meus Livros, Janeiro 2005

"(...) o que Tordo sabe fazer, utilizando a envolvência das frases e personagens com entranhas, personagens que querem abandonar a escuridão, é contar uma boa história. Um livro para pontapear as canelas da literatura institucional portuguesa."
Hugo Gonçalves, Mil Folhas (Público), 02 de Janeiro de 2005


02/05/2011

O Livro dos Homens sem Luz - João Tordo

Este é o primeiro romance de João Tordo, publicado em 2004 e reeditado recentemente pela D. Quixote. Trata-se de uma obra que surpreende pelo mistério mas também pela originalidade, principalmente ao nível da estrutura do romance.
Histórias cruzadas de pessoas infelizes…
Um homem vive em Londres, sozinho e o seu trabalho é contabilizar acidentes que não acontecem; mais tarde seguirá pessoas pelas ruas, sem saber porquê…
Joseph é padeiro em Londres durante a segunda guerra mundial; juntamente com Helena, é soterrado num abrigo durante um bombardeamento…
Um rapaz trabalha numa biblioteca e sofre de insónias; a sua vida é a tortura da solidão…
Estas e outras personagens, todas enigmáticas e errantes cruzam-se em episódios aparentemente dispersos, num tom de cinzento carregado.
Na contracapa desta edição pode ler-se: “Com ecos de Kafka e Auster…”. Na verdade são nítidos os elementos kafkianos: a “metamorfose” de Joseph no último capítulo; a monotonia, a rotina, como alienação; o absurdo da vida. E de Auster é notório o desespero das personagens na procura da sua própria identidade e a luta sempre inconsequente contra a solidão como se esta fosse um desígnio incontornável da existência humana.
Mas este livro é muito mais do que um repositório de influências, sejam elas de Poe (de quem também julgo descortinar alguns traços), de Auster ou de Kafka. É um livro brilhante pela construção e pela estrutura do enredo: as “pontas soltas”, largadas ao longo do livro, são depois unidas num trabalho conjunto do autor e do leitor, num esforço permanente mas que envolve um aspecto lúdico para o leitor atento. Tudo se passa como se o enredo fosse um enorme puzzle, cujas peças o leitor vai colocando no lugar, tanto no que se refere às personagens como nos múltiplos tempos narrativos. As personagens vão encontrando pontos de contacto entre si, o que surpreende constantemente o leitor, numa espécie de jogo que nos envolve até à última página.
Sem dúvida um livro belíssimo e surpreendente.

25/08/2010

pré-lançamento - O Bom Inverno de joão tordo

Já se pode fazer a reserva deste livro, que tem tudo para ser um excelente livro.
(Pré-lançamento - disponível para envio a partir de 30-08-2010)
Sinopse
Quando o narrador, um escritor prematuramente frustrado e hipocondríaco, viaja até Budapeste para um encontro literário, está longe de imaginar até onde a literatura o pode levar. Coxo, portador de uma bengala, e planeando uma viagem rápida e sem contratempos, acaba por conhecer Vincenzo Gentile, um escritor italiano mais jovem, mais enérgico, e muito pouco sensato, que o convence a ir da Hungria até Itália, onde um famoso produtor de cinema tem uma casa de província no meio de um bosque,
escondida de olhares curiosos, e onde passa a temporada de Verão à qual chama, enigmaticamente, de O Bom Inverno. O produtor, Don Metzger, tem duas obsessões: cinema e balões de ar quente. Entre personagens inusitadas, estranhos acontecimentos, e um corpo que o atraiçoa constantemente, o narrador apercebe-se que em casa de Metzger as coisas não são bem o que parecem. Depois de uma noite agitada, aquilo que podia parecer uma comédia transforma-se em tragédia: Metzger é encontrado morto no seu próprio lago. Porém, cada um dos doze presentes tem uma versão diferente dos acontecimentos. Andrés Bosco, um catalão enorme e ameaçador, que constrói os balões de ar quente de Metzger, toma nas suas mãos a tarefa de descobrir o culpado e isola os presentes na casa do bosque. Assustadas, frágeis, e egoístas, as personagens começam a desabar, atraiçoando-se e acusando-se mutuamente, sob a influência do carismático e perigoso Bosco, que desaparece para o interior do bosque, dando início a um cerco. E, um a um, os protagonistas vão ser confrontados com os seus piores medos, num pesadelo assassino que parece só poder terminar quando não sobrar ninguém para contar a história.
mais informações aqui wook

15/06/2010

As Três Vidas - João Tordo

Um romance narrado na primeira pessoa, todo o paradigma deste romance gira em volta deste jovem narrador que nunca chegaremos a saber o seu nome (rapaz pobre que após a morte do pai se vê na angústia de sustentar a família, aceitando um trabalho de contornos pouco lúcidos); a sua misteriosa relação (mistério e suspense é disto que este livro é feito e digamos até à última página) com o seu patrão, António Augusto Milhouse Pacal (Ex. espião e dono da misteriosa agencia MP, situada na quinta do tempo no Alentejo), com o jardineiro Artur, e os netos do patrão Nina, Gustavo e muito especial com Camila. O jovem apaixona-se pela bela Camila (neta mais velha de Milhouse), turvo por esse romance desleixa o seu cuidado a familiar e penetra num mundo sombrio que o acompanhará para os restos dos seus negros dias. Essa paixão "obriga-o" a acompanhar o patrão numa missão de resgate/salvação a Camila. Missão essa que têm um final trágico ele fica preso em Nova Iorque e inicia a sua travessia pelo estado de desgraça imensurável, o patrão regressa a Portugal sozinho e fisicamente débil. Este estado deplorável proporciona-lhe o seu futuro, sem que lhe seja deslumbrado nesse mesmo instante, aos poucos a sua recuperação é notória, partindo de Nova Iorque, para o seu regresso à vida (Portugal), a sua procura por respostas mantém-se inevitavelmente a cada página. O que se passou durante a sua ausência? Como estaria Milhouse, Artur, Camila, Gustavo, Nina a Irmã? Numa constante escrita fluida, o autor, agarra-se, aos acontecimentos 9/11/2001 para fechar uma boa parte do livro, e criar nesse mesmo instante uma mudança na atitude do jovem narrador, passando de uma destruição total para uma vida "regular" de criação profunda. Três vidas mas que poderiam ser muitas mais, ou então somente uma, aqui está um romance com uma escrita simples, directa, crua mas que nos prende à sua leitura. João Tordo está realmente num bom caminho para alcançar um lugar de distinção no Romance/Ficção da literatura portuguesa, já em Setembro seremos presenteados como um novo livro deste autor (Bom Inverno), assim para os interessados assinalem já no vosso calendário a data pois valerá a pena, uma autor a seguir cuidadosamente. Um futuro auspicioso tem este João Tordo, que apesar de benfiquista (para pena minha), tem um talento invejável entre os escritores portugueses. Este é um bom livro para se acompanhar com um Esporão Reserva 2007 (Alentejano e não da quinta do tempo), cor de intenso rubi, aroma frutado, suave como a planície com um final longo aromático.