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16/02/2018

Pecados Santos, de Nuno Nepomuceno



Opinião:
Em primeiro lugar quero agradecer ao Nuno o privilégio de estar entre os primeiros a ler o seu novo livro (apesar da opinião tardia).
Li todos os livros do autor, e fiquei fã, em "Pecados Santos", entra de novo o protagonista Afonso Catalão, já nosso conhecido do livro - A Célula Adormecida, quem não leu o anterior não se vai sentir perdido, pois, o autor faz uma transição das personagens.
Em relação a este thriller, nota-se nitidamente que houve da parte do autor uma pesquisa profunda sobre os temas religiosos e sobre os conflitos no Médio Oriente abordados, uma vez que este livro foi inspirado nos Dez Mandamentos e em algumas das histórias do Antigo Testamento, algo que apreciei bastante. A minha enorme curiosidade sobre as religiões foi em especial na juventude, fez com que estudasse durante algum tempo a Bíblia e pesquisasse sobre as diversas interpretações que dão à mesma, (como é óbvio não foi sozinha), mas não professo nenhuma religião. Por isso as passagens ou textos mencionados durante a leitura deste livro não me eram desconhecidos. Em relação ao Judaísmo e os seus costumes, aprendi coisas que desconhecida completamente, e isso foi muito bom.
Para quem não gosta do tema religião, este livro pode parecer aborrecido, mas posso garantir que não o é de todo, pelo contrário, para já está escrito num ritmo acelerado, depois o enredo leva-nos a viajar entre Londres, Lisboa e Jerusalém, e é construído em torno de uma serie de homicídios que ocorrem, e que recriam passagens da Bíblia, a investigação desses crimes faz-se numa corrida contra o tempo, na tentativa de descortinar quem está por detrás dos mesmos, e evitar novas mortes, leva-nos a suspeitar e questionar durante a leitura, o que a torna compulsiva.
Aliado a isso tem algo que gosto imenso, a história leva-nos entre o presente e o passado, revelando segredos de certas personagens, por sinal muito bem construídas e estruturadas. Depois o autor não se poupou às descrições e a detalhes, agarra-nos com as cenas dos crimes cometidos, são muito gráficas, fortes, pessoalmente gosto de cenas macabras, só fiquei mesmo chocada com duas mortes, de queixo caído, só me perguntava, mas porquê?
Em suma posso dizer que "Pecados Santos", como thriller, está muito bem escrito, cheio de reviravoltas, tem mistério, suspense, tem humor, e a cereja no topo do bolo, consegue surpreender-nos no final, e que final..., por isso mesmo agarra-nos do principio ao fim. Muito bom.
Se gostei dos livros anteriores, e muito, posso garantir que ainda gostei mais deste, vê-se a evolução do autor, quer na sua escrita e quer no enredo que criou.
Tenho o privilégio de conhecer o Nuno, e digo-vos merece ter muito sucesso, pela pessoa que é, e porque está ao nível de autores estrangeiros, sem dúvida alguma. Por isso leiam os seus livros.

31/01/2017

A Célula Adormecida, de Nuno Nepomuceno



Opinião:
Gostei imenso da “Trilogia Freelancer”, e foi uma agradável surpresa, quando vi nas redes sociais que o Nuno, no segredo dos deuses ia publicar um novo livro, aliás já estava pronto a sair nas livrarias, com o titulo A Célula Adormecida, a capa está fantástica, a sinopse agradou-me de imediato, pois como já disse muitas vezes, tenho interesse e imensa curiosidade em conhecer outras culturas, e aqui está um livro que me elucidou-o um pouco mais sobre os costumes de um povo do qual sei pouco.
Todos nós sabemos que é o fanatismo, o extremismo que estraga as religiões, mancham a reputação e fazem denegrir a imagem de um povo, e das suas crenças, ao fazerem guerras e matarem em nome do seu Deus, tal como diz o provérbio "paga o justo pelo pecador".
Neste livro somos brindados com um enredo espectacular, com um tema que não podia ser mais actual, já li alguns livros sobre a cultura muçulmana para tentar entender as suas ideologias, crenças, a forma como vivem, e o Nuno conseguiu neste livro trazer alguns ensinamentos e factos que desconhecia, e fez isso de uma forma objectiva  mas com sensibilidade.
Nota-se nitidamente desde o inicio até ao fim do livro, que o autor fez uma pesquisa apurada não só sobre a religião muçulmana, mas sobre politica, terrorismo, factos históricos, isso está patente quer nos detalhes, quer nos personagens, porque a narrativa mistura ficção com realidade, tudo muito bem interligado, chega a ser assustador, pois sabemos que acontece na realidade.
O enredo é arrebatador desde a primeira página, tanto a morte do novo primeiro-ministro português, o que acontece a uma jornalista que se vê em verdadeiros apuros em Istambul, na Turquia, o atentado num autocarro em pleno centro de Lisboa, reivindicado pelo autoproclamado Estado Islâmico, (já pensei tantas vezes que não estamos livres de um atendado no nosso país, espero que nunca aconteça), todos estes acontecimentos são narrados num período de tempo especifico, ou seja, durante os 30 dias do Ramadão.
Quanto aos personagens, cativaram-me, desde o protagonista, o enigmático Afonso Catalão, reputado especialista em Ciência Política e Estudos Orientais, à família muçulmana refugiada em Portugal, que não deixa ninguém indiferente, o autor conseguiu com que o leitor se sinta próximo dos problemas que cada um enfrenta diariamente, envolvendo-nos durante toda a leitura.
A Célula Adormecidaé sem dúvida um livro muito bem estruturado, as suas quase seiscentas páginas foram lidas num ritmo galopante, é incrível quando um autor consegue esta proeza de prender o leitor do inicio ao fim, pois não existem momentos parados, lê-se num ápice, e uma coisa que gosto imenso são os capítulos curtos, viciam de tal forma que não se consegue parar, acabamos sempre por ler mais dois ou três sem dar por isso, claro que ajuda muito o facto do enredo ser viciante, cheio de acção, mistério q.b. e suspense. Trata-se de um excelente thriller, muito bom mesmo, por isso recomendo que o leiam. 
Parabéns Nuno!




20/01/2016

A Hora Solene - Freelancer - Livro III, de Nuno Nepomuceno (opinião)



Opinião:
Não sendo eu grande apreciadora de livros de espionagem, devo dizer que fiquei completamente fã dos livros do Nuno, conseguiu conquistar-me com a trilogia – Freelancer.
Após deixar-nos a sofrer e cheios de dúvidas com o desfecho da A Espia do Oriente, fiquei “chateada” (no bom sentido é claro), pela forma inesperada como terminou o livro, e não ter o seguinte para ler e dar-me todas as respostas que precisava, mas voilá, não demorou a chegar.
A Hora Solene para fazer jus ao final do livro anterior, tem um inicio espectacular, daqueles que agarram o leitor de imediato, deixou-me em completo suspense a pensar “não, isto não pode estar acontecer”, após este impacto, a narrativa acalma um pouco, mas mantendo sempre o mesmo nível de adrenalina, com as cenas que se vão desenrolando ao longo do livro, com ritmo, muita acção e violência, características de um bom livro de espionagem. Apesar de achar que ao contrário dos outros livros este foi escrito com mais seriedade, ou como o próprio título indica foi mais solene, não criou tanto impacto nas expectativas do leitor, mas adequou-se sem dúvida ao término desta trilogia.
Fui de novo conquistada pelas viagens proporcionadas sem sair do sofá, desta vez andei por Londres, Hong Kong, Macau, Praga, Belize, Moscovo e Lisboa, sempre num ritmo frenético de um lado para o outro, sem haver momentos parados, como um livro deste género deve ser.
O nosso André Marques-Smith, funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o espião português, que nos conquistou desde o primeiro livro com sua personalidade, com o seu problema de saúde, vai estar abraços com mais uma missão, em que não deve confiar em ninguém, será que o faz?
Foi muito emocionante acompanhar as aventuras e desventuras deste espião português ao longo destes três livros, mas não só, também de outras personagens que conseguiram conquistar-me, outras surpreender, e que despoletaram em mim um misto enorme de emoções. Quanto ao final era aquele que se desejava, a conclusão da trilogia Freelancer não podia ter sido melhor.
São três livros com qualidade literária sem dúvida alguma, por isso só posso recomendar sem reservas que leiam, pois tenho a certeza que vão gostar tanto quanto eu, como já disse nas opiniões anteriores, trata-se de uma trilogia de leitura viciante e compulsiva que nos faz ficar agarrados. Gostei muito.
(Fiquei muito feliz por fazer parte do rol de pessoas que o Nuno menciona no livro, mas eu é que tenho a agradecer por me ter dado a oportunidade de conhecer a sua obra, espero sinceramente que continue a escrever para ler mais livros seus. Muito obrigada). 

(Lido em 2015)