16/01/2011

O Fantasma de Canterville - Oscar Wilde 4ª leitura conjunta do blogue

Seguem-se os comentários da nossa 4ª leitura conjunta sobre o conto de Oscar Wilde "O Fantasma de Canterville".
Atenção os comentários contem spoilers!
Comentário da Rita:
Eu achei este conto muito divertido porque nunca tinha lido um livro em que o fantasma fosse o personagem bom, de quem nós temos pena e com quem simpatizamos. No castelo dos Canterville vive um fantasma desde 1536. Ele já tinha aterrorizado muitas pessoas e provocado muitas tragédias. Mas agora são os humanos que vão aterrorizar o fantasma e não o contrário. É por isso que este livro é tão divertido. A minha personagem preferida é Virgínia, a menina de 15 anos que tem pena do fantasma e vai protegê-lo das partidas que os irmãos lhe pregavam. Nascia assim uma bela amizade. É um conto que se lê sem esforço porque não conseguimos abandonar a leitura enquanto não ficamos a saber o desfecho e o destino do fantasma. Será que ele vai conseguir vencer os humanos ou será que os humanos o vão desesperar sempre?
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Comentário da Di: I liked the story of The Canterville Ghost for its humour and for Wilde’s fascination of the macabre. The old English country house has all the elements of the traditional haunted house. I like the fact that we have an American family in a British setting; it just makes it funnier when the author sets up one culture against the other. His characters are stereotypical ones that represent England and the United States. The ghost of Sir Simon misunderstands the Otis’s, who have moved into the English country house. This is one of the ways Wilde pins these characters against each other, emphasizing the differences in culture between England and the United States. I like how the story reverses situations, like when the Otis family succeeds in terrorizing the ghost rather than being terrorized by Sir Simon. And the story is told from the perspective of the ghost, rather than the occupants of the English country house. Even though the story is quite funny, Wilde also seems to include a message in this tale. The fifteen year old Virginia is the one who claims that the ghost helped her see the significance of life and death. The ghost taught her that love is stronger than life and death. Virginia tells her father that God has forgiven the ghost, and in the end it is this forgiveness that allows the ghost to rest in peace. I hadn’t gotten around to reading this story before, but it was a fun read. Wilde manages to successfully mix comedy with the macabre, mixing elements of traditional English ghost stories with American consumerism symbols. .
Comentário da Paula:
Oscar Wilde, brinda-nos com um conto bastante divertido em que todos os personagens intervinientes causam-nos um sorriso. São personagens especiais que rapidamente se tornam amigos de quem lê este conto, inclusive o fantasma, pelo qual nutri um carinho especial. É de notar toda a crítica durante o conto à sociedade Americana, uma crítica característica de Wilde. Passando à história em si, Otis um diplomata americano, compra o Castelo de Canterville, para ir lá viver com a sua família: a sua mulher Lucrécia e os seus quatro filhos, Washinton de 18 anos, Virgínia de 15 anos e os gémeos de 8 anos. Durante a compra, Otis é alertado para o facto de “viver” um fantasma na casa, um fantasma que faz parte da família Canterville (Simon Canterville) que em tempos matara a sua bela esposa e prova disto é a mancha deixada na sala de jantar.
A família não se importando com o fantasma, nem acreditando muito em semelhante mito compra o Castelo e muda-se para lá. Então, as peripécias começam entre esta família e o nosso fantasma Simon. Pois estes americanos ainda iriam arreliar bastante este pobre fantasma e lhe dariam conselhos sobre como olear as suas correntes para minimizar o barulho nos corredores aquando das suas saídas nocturnas. Simon (o fantasma) começa a ficar deprimido e impotente no que respeita às suas partidas. Virgínia apercebendo-se da apatia deste, decide intervir junto de Simon e começa então a compreendê-lo, emocionada esta menina de 15 anos chora e a sua compaixão finalmente liberta este ser que já deveria estar a descansar há muito. .
Comentário do Manuel: “Venho de um país moderno em que o povo tem tudo o que o dinheiro pode obter”. Assim falou o embaixador americano quando comprou a propriedade dos Canterville, com o fantasma incluído. O espírito divertido dos americanos parece ser, neste conto, uma crítica de Wilde ao carácter sorumbático dos ingleses. Convencidos da sua superioridade, os americanos, a família Otis, julgam tudo comprar com o seu dinheiro. No entanto, o sangue da Lady Canterville assassinada há 3 séculos, parece resistir ao infalível sabão Pinkerton (americano, claro está) e continua a manchar o soalho do salão. Por mais que o lavassem, ele sempre reaparecia. E foi assim que Mr. Otis começou a acreditar em fantasmas. Afinal, era bom não ser dogmático nestas coisas… E quando o terrível fantasma, feio, medonho, arrastando correntes e com olhos de fogo, lhe apareceu à frente, Mr. Otis ficou preocupado apenas com o barulho que as suas correntes faziam. Ofereceu-lhe um belo lubrificante americano e assim estaria o assunto resolvido. Isto não é coisa que se faça a um fantasma honrado, obviamente. O americano acabara de indignar o pobre espírito. E pior ficou quando as crianças do americano, uns pirralhos, lhe atiraram, divertidos, almofadas à cabeça. Pior que isso. Aos poucos, o fantasma ia-se sentindo aterrorizado por aquelas crianças assustadoras! Logo assustarem-no a ele, que durante mais de 300 anos aterrorizara tantas gerações de Cantervilles! Ele estava agora a tornar-se alvo de chacota por parte da família Otis! Perante esta situação desesperada e assustadora, como irá reagir a nossa alma penada? E a jovem Virgínia, a filha dos Otis, menina dócil de 15 anos, terá um papel decisivo na vida do pobre fantasma. Como? Queira o leitor ler o conto e decerto não se arrependerá. As gargalhadas são garantidas. Mas também um estranho sentimento de piedade para com o azarado fantasma. Afinal de contas, enfrentar uma família americana é tarefa árdua até para um fantasma com 300 anos de experiência.
. Comentário do Ângelo:
Uma família norte-americana decide comprar o castelo de Canterville nos arredores de Ascott, Inglaterra, mesmo com as insistentes, advertências do próprio lorde de Canterville em os avisar que o castelo era assombrado pelo fantasma de um antigo parente seu, o fantasma de Simon Canterville. A família norte-americana Hiram B. Otis (Pai) e Lucretia R. Tappam (Mãe), até acharam que seria bom o castelo ter um fantasma. Este casal tinham quatro filhos os gémeos (mais novos), Virgínia E. Otis (a filha do meio) e Washington Otis (o mais velho). O fantasma bem tentou assustar esta família, mas a sua singularidade e descrença levaram o fantasma ao desespero, os gémeos passam a fazer ao fantasma aquilo que ele lhes tentou fazer mas nunca consegui, assim os gémeos passam a assustar o fantasma este fica aterrorizado com as partidas dos gémeos e deixa de assustar as pessoas. Torna-se um fantasma angustiado, que vive com medo. Certo dia a jovem Virgínia encontra o fantasma Simon e fica a saber que existe a possibilidade de libertação deste fantasma, um coração puro pode libertar Simon, e assim aceitar ajudar o fantasma Simon nessa tarefa. Um conto repleto de fantasia, muito divertido, Wilde ironiza no contraste das sociedades a antiga e nobre Inglaterra cheia de preconceitos, com a juventude da sociedade americana, ricos quererem ser nobres e de valores morais bem mais superficiais, onde a desconhecido é uma aventura. Os pormenores do retrato da sociedade norte americana chegam-nos com pormenores como os nomes das personagens, quase sempre constituídos por três nomes sendo o do meio sempre uma letra (ponto). A pureza do coração das crianças contrasta com os pecaminosos corações adultos, esta relação é explorada por Wilde, e toca ao de leve um chamamento para o rumo da sociedade

8 comentários:

Anónimo disse...

Gostei muito de ler este divertido conto.Fiquei surpreendida, pois esperava uma história pesada.
Os americanos vinham cheios de modernices, mas a verdade é que venceram.Mas tudo acaba bem para todos.
Quando acabei o conto fiquei a pensar o que poderia dizer cada um de vocês sobre a história, para confrontar com a minha ideia.
Antigamente( antes de começar a visitar os blogues ) lia os livros e não me detinha muito a pensar neles, pois não havia quem os discutisse comigo.Agora dou comigo a elaborar mentalmente minuciosas críticas e opiniões sobre tudo e todos, dentro dos livros.
Gosto destas discussões.

Ocorreu-me que também poderia aí haver uma critica a alguma ignorância em relação aos medos do sobrenatural, em oposição a um maior esclarecimento e abertura por parte dos americanos...não?

Espero que continuem a escolher livros interessantes.
Pela minha parte cá estarei para aprender sempre mais alguma coisa convosco e com os livros escolhidos.
Isabel

Manuel Cardoso disse...

Olá Isabel
está bem vista, essa observação; não tinha visto as coisas nessa perspectiva mas penso que tens razão.
Wilde tinha um espírito crítico muito apurado e embora não fosse um racionalista, talvez pretenda aqui ridicularizar o medo. Wilde era também mum bon-vivant (quando não andava deprimido :) ) e por isso é compreensível a sua simpatia para com os americanos, o seu espírito pragmático e bem disposto.
Obrigado por nos acompanhares na leitura, Isabel. È mesmo isto que procuramos: leituras diferentes :)

Ângelo Marques disse...

É muito bom ver que a Isabel nos voltou a acompanhar nesta leitura, espero que continues connosco Isabel.
Isabel, também aprendemos muito contigo.
Embora com pequeníssimas nuances todos ficamos com a mesma opinião de uma forma genérica, um excelente conto, onde a empatia pelo fantasma nos atinge... à livros assim, obrigado à Rita pela bela escolha, diga-se que este passava-me completamente ao lado numa qualquer livraria.
Abraços

Paula disse...

Olá Isabel, que bom que está a participar, só assim é que o nosso blogue faz sentido :) quando há partilha e troca de idéias.
Concordo inteiramente consigo, mas confesso que não me tinha ocorrido aquando da minha leitura :)
Oscar Wilde é implacável no que concerne às críticas.
E concordo contigo Ângelo, foi uma bela escolha da Rita :) adorei ler este conto!

Anónimo disse...

Pela minha parte cá estarei para o próximo livro e obrigada pela oportunidade de poder conversar convosco.
Um abraço
Isabel

Nuno Chaves disse...

O Fantasma de Canterville, um pequeno conto que lido tantos anos depois ainda me consegue arrancar alguns sorrisos. Com um humor bem caracteristico, Wilde discretamente retrata a mentalidade e a suposta superioridade da Aristocracia Britânica (mesmo que falida) em relação aos Americanos. (novos-ricos)

O espirito do Fantasma da mansão Canterville, tenta em vão assustar uma recentemente chegada família Americana que decide comprar a mansão, com tudo incluído, mesmo o seu fantasma. É deveras hilariante que nenhum dos novos habitantes da casa se atemoriza com tal personagem (...)-(retirado da critica no Página)

MJ FALCÃO disse...

Um grande contista Oscar Wilde. Nunca desiludiu. Este conto é magnífico!
Parabéns pela escolha e pelos comentários!

Lara Lobo disse...

Eu gostei muito deste livro. É um livro muito interessante de Oscar Wilde.
Este é um pequeno grande livro que todos gostam de ter na sua pequena "biblioteca".
As personagens que eu mais gostei são:
- os gémeos- achei-os engraçados e admirei a coragem destes.
- a Virgínia- é uma menina simpática, que apesar de saber tudo o que o Fantasma lhe fez, a si e à sua família, ela ajudou e "empos-lhe" regras.
- o Fantasma- é verdade sim senhor que achei a sua atitude muito incorreta. Este, antes de ser Fantasma era o Senhor Simon que matou a sua mulher só por esta não ser bonita e por esta não ser boa cozinheira, mas também é verdade, admito, que tive pena da morte do Fantasma.

Esta obra foi muito excitante para comigo.


Lara Santos, Lisboa Portugal 7º ano