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30/10/2011

Comentários à 9ª Leitura Conjunta do Blogue "O Último Cabalista de Lisboa" Richard Zimler

A nossa leitura conjunta teve como "alvo" uma das obras de Richard Zimler "O Último Cabalista de Lisboa". Se leu e deseja participar, deixe o seu comentário na caixa dos comentários deste post.
Alguns dos nossos comentários contém spoilers.
Comentário da Di
I enjoyed reading The Last Kabbalist of Lisbon because it is a very unique murder mystery that takes place during a specific historical time period. At times it’s hard to believe it’s even fiction at all because Zimler mixes fiction and fact so well. This novel shows us a glimpse of Portugal in 1506, when so many Jews were massacred. It was during Passover of this year that Jews were targetted and blamed for anything and everything. Some of the scenes in this book are really gruesome and horrific. Sometimes it’s hard to move on and turn the page because you feel numb and frozen in place. Berekiah Zarco is a Jew living in Lisbon during this time period, and when these riots begin,he comes home to find his uncle Abraham (an expert Kabbalist and book illustrator) dead and naked, next to the dead and naked body of an unknown young woman. We also get to see an exorcism in this book and we witness many homeopathic cures. While Berekiah tries to discover his uncle’s murderer, his quest is one filled with many obstacles that test his faith and will. Farid, Berekiah’s best friend, accompanies him on his quest to find Uncle Abraham’s killer. Their investigation leads them to believe that Abraham’s killer might be one of the “threshers” within their circle, so they are forced to question and suspect their close friends and loved ones as potential suspects. After these riots begin, many are left to fend for themselves, and many Jews are forced to run or hide who they are in order to escape from murder, assault, rape and many more indecencies and violence. Relationships, friendships and families are tested and strained or completely torn apart after these riots begin. Berekiah, his family and many other Jews in Portugal at this time struggle with trying to stay true to who they are, and I think this is the most important message that Zimler gives us in this book. Zimler talks about wearing masks in this novel and the message I got was that we can only be truly happy when we are accepted for who we are, without wearing any masks. I don’t think you need to be an expert on Kabbalah to understand this book; this book was more of a spiritual journey for me and I would definitely recommend it.

Comentário do Ângelo Marques
Judiaria Pequena, Lisboa, ano de 1506, Reinado de D. Manuel, Abril, Páscoa Judaica por essa altura Abraão Zarco, o último cabalista, é assassinado durante o designado massacre de Lisboa, massacre conduzido pelos frades dominicanos e que eliminou milhares de judeus com o alegado motivo que estes eram os causadores da peste e seca que se vivia em Lisboa por essa altura.
Berequias Zarco sobrinho de Abraão, sobrevivente desses massacres, empreende uma investigação meticulosa para descobrir quem assassinou o seu tio, todos serão suspeitos. Tem a seu lado Farid, amigo de infância, que o acompanhará e protegerá ao longo da sua investigação nesses dia tão complicados para os judeus, nesses dias que deveriam ser de alegria e celebração.
Muitos destes judeus já tinham sido expulsos de Castela em 1492, amargurados e torturados tentam em Portugal um refúgio, passados alguns anos e mesmo depois da sua conversão forçada para novos-cristãos sofrem este massacre sem que o reino (reinado de D. Manuel "O Venturoso") os proteja.
Descrições de Lisboa bastante pormenorizada fica-se com a sensação de estar lá, com bastante fluidez na leitura e ação, mesmo o dicionário inicial se torna desnecessário pois o autor por norma após a palavra descreve a o seu desígnio.
Zilmer comparo este escritor a um estilista, Zilmer é um estilista literário a sua escrita tem um corte agradável com uma certa beleza poética Gostei de ler este "O último cabalista de Lisboa" uma dúzia de personagens que Zilmer tem que preencher durante um período temporal muito reduzido. Gostei particularmente de Farid e de como o autor lhe impôs certos traços contraditórios do nosso estereótipo quotidiano. Berequias ou Pedro Zarco ficou um pouco aquém daquilo que esperava revelou uma imaturidade no decorrer do livro que não gostei. O pendor sexual de 1500 é bem vincado pelo autor, que se torna um pouco excessivo na minha opinião.
São destes gritos, desta força literária que necessitamos. Temos de entender aquilo que fomos não só compreender e saber as descobertas e boas ações dos nossos navegantes que tanto estimamos e impomos a nos próprios, livros assim que expõem a nu o nosso fanatismo, a nossa estupidez, e não pensem que hoje somos muito diferentes de 1500 evoluímos, sim sem dúvida que sim, mas evitamos falar do nosso passado negro e quando se contraria a nossa moldagem ainda temos estes acessos de loucura. Não devemos ter vergonha do nosso passado, devemos tentar compreender porque aconteceu e corrigir futuras ações/gerações, e ter a humildade de pedir perdão pelas nossas ações.
Um livro recomendado, onde sobressai a linearidade de escrita de Zilmer.

Comentário do Luís Miguel
O Último Cabalista de Lisboa é um livro escrito por Richard Zimler com base em três de entre vários manuscritos encontrados numa casa antiga em Istambul. Estes relatam a saga da família de Berequias Zarco durante o pogrom de Lisboa, em Abril de 1506, mas centram-se, principalmente, na sua procura pelo assassino de seu amado tio e mentor, Abraão Zarco, um cabalista e destacado membro da comunidade judaica de Lisboa.
Para termos uma visão mais clara sobre aquela época, devemos referir que a comunidade judaica que vivia em Portugal, na altura, no princípio do século XVI, tinha sido forçada a converter-se ao cristianismo, condição obrigatória para poderem permanecer no nosso país, sendo denominados de cristãos-novos.
Tendo como pano de fundo esses tristes acontecimentos de Abril de 1506, em Lisboa, onde cerca de dois mil cristãos-novos foram mortos, na sua maioria queimados em fogueiras gigantescas no Rossio, este livro é mais um testemunho da perseguição movida aos judeus ao longo dos séculos. Neste caso em concreto, essas perseguições aconteceram em Portugal, ao longo dos séculos XV a XVIII, muito por influência e pressão dos nossos vizinhos de Castela, onde os judeus já eram perseguidos e estavam a ser expulsos do reino há mais tempo. A força das alianças impede o nosso rei D. Manuel I de seguir a sua vontade e faz com que siga uma política imposta por Castela. Podemos também referir que a Inquisição foi instaurada em Portugal 50 anos depois de ter sido implantada em Espanha.
Ao longo do seu relato, Berequias Zarco faz-nos um retrato da sociedade lisboeta da época, onde imperam a intolerância e a superstição. A comunidade judaica, mistificada e incompreendida, é responsabilizada pela peste e pela seca que grassam na cidade sendo que, num momento de loucura colectiva, a populaça, instigada por frades dominicanos, lança-se numa perseguição louca e impiedosa aos cristãos-novos, matando-os às centenas e cometendo actos de extrema violência.
Este é o cenário em que Berequias Zarco se encontra quando se depara com o seu tio morto. Trata-se de um assassínio misterioso e intrigante pois o seu tio é encontrado morto na sua cave, as portas estão fechadas, ao seu lado jaz o corpo de uma jovem rapariga, ambos estão nus, ambos têm o pescoço cortado. Quem poderá ter cometido tão infame acto? Terão sido os cristãos-velhos ou algum membro da sua própria comunidade? Tudo é possível e Berequias lança-se de imediato na perseguição do assassino. A sua tarefa é duplamente arriscada naquelas ruas tumultuosas onde qualquer judeu identificado tem a sua vida em risco.
Berequias é um jovem judeu que conhece bem as tradições da sua religião, mas que não deixa de a questionar, de ter as suas dúvidas. Por outro lado, é iniciado no cabalismo por seu tio e mentor, a pessoa mais importante da sua vida, o que lhe dá uma visão mais ampla do ser humano no universo. Após a morte deste, nota-se que a sua sede de vingança o domina, nada mais lhe interessa nem o deixa desviar-se do seu caminho, da sua busca.
O desígnio de Abraão Zarco em que este vê o seu sobrinho como o salvador dos judeus de Portugal revela a Berequias o real objectivo deste seu relato, assim, toma consciência que os seus manuscritos têm como finalidade alertar a comunidade judaica para a crescente insegurança para aqueles que permanecem em Portugal e outros países católicos europeus, devido à crescente perseguição que lhes é movida, facto agravado com a instauração da “Santa” Inquisição. Berequias como que exorta os seus compatriotas a fugirem para países muçulmanos, como a Turquia, onde são bem acolhidos e onde podem encontrar, por fim, alguma paz e segurança.
A objectividade desta história e a vontade de também nós querermos saber o que realmente sucedeu leva-nos a percorrer as páginas fluidamente, aproveitando também para conhecermos um pouco mais sobre uma época da nossa história que devemos relembrar e reflectir.

Comentário da Paula
O que dizer sobre um livro que se adorou ler?
Tenho sempre alguma dificuldade em “dissertar” sobre um livro de que gostei muito e que me prendeu, isto tudo porque as palavras serão poucas para exprimir o quanto gostei de o ler!
Esta é uma narrativa baseada em factos verídicos – Em Abril de 1506 durante as celebrações da Páscoa, cerca de dois mil cristãos-novos foram mortos em Lisboa e os seus corpos queimados no Rossio. Este é um tema que apesar de muito triste, gosto de ler pela informação histórica dos factos que se adquire e também porque a cultura judaica de certa forma fascina-me. Admiro a sua força e preserverança. A forma como incutem as suas tradições aos seus descendentes.
Muitas vezes Igreja católica cometeu crimes horrendos, crimes estes que jamais devem ser esquecidos. No entanto, devemos saber separar os representantes da igreja do ser superior em que acreditamos. Na minha modesta opinião, um não tem nada a ver com o outro (mas este é um tema que dava um outro post).
Zimler, é um mestre na escrita. Neste livro, para além de todo o conteúdo histórico que nos transmite, aproxima-nos dos personagens e leva-nos por vários trilhos de acções cheias de tensão e mistério, sem nunca perder o fio condutor da narrativa e sem nunca desiludir o leitor!
Excelente, recomendo sem reservas!

Comentário de Manuel Cardoso
O Último Cabalista de Lisboa baseia-se num acontecimento verídico, um grande massacre de cristãos-novos e judeus ocorrido em Lisboa no reinado de D. Manuel, em 1506, na Páscoa judaica. A fome e a peste atingiam a capital sem piedade e o povo, fanatizado pelas pregações anti-semitas dos frades dominicanos, encarando os judeus como responsáveis pela ira de Deus, levou à morte milhares deles. O rei, pouco corajoso, foi complacente com os acontecimentos, permitindo inclusivamente grandes fogueiras no rossio, onde muitos judeus foram queimados.
Na ficção de Zimler, Abraão Zarco é morto nesse dia mas por um cristão-novo. Berequias Zarco, o sobrinho de Abraão é o herói da nossa estória e levará a cabo uma investigação emocionante e recheada de perigos.
Trata-se de um livro bastante negro: é visível a amargura com que Zimler descreve este terrível fenómeno histórico que é o anti-semitismo. Uma das grandes manchas negras da história da humanidade, que se mantém até ao século XX e com reflexos ainda na realidade actual.
Mas nem tudo é sombrio neste livro: um dos aspectos mais interessantes deste livro é o facto de o maior amigo de Berequias, Farid, ser um muçulmano. A amizade entre os dois é muito intensa e é visível a boa convivência entre judeus ou cristãos-novos (aqueles que haviam sido forçados à conversão) e os mouros, em oposição ao fanatismo e violência insana dos cristãos.
Se bem que se trate de uma obra de ficção, é bom que se diga que o ambiente retratado tem, infelizmente, uma grande base de realidade: a porcaria dos corpos e das almas grassava em Portugal: o fanatismo, a estupidez, a barbárie total. De todos os problemas do reino eram atribuídas culpas aos judeus. O ódio reinava e a própria Igreja Católica alimentava-o. Por medo ou pró convicção, o povo transformava o ódio na violência mais absurda que se possa imaginar. Muitos destes judeus tinham sido expulsos de Castela, em 1492 de onde o Rei Fernando (cognominado O Católico) os havia expulsado. Mas não é a paz que eles encontram em Portugal. É a insanidade total de um ódio tão cego quanto inexplicável.
Um livro triste, chocante, mas também emocionante e que nos faz pensar. E até ter uma certa vergonha de sermos “filhos” desta nação e desta cultura de raiz cristã que nos moldou…

29/08/2011

Comentários da 8ª Leitura Conjunta do blogue "As Serviçais" de Kathryn Stockett

A 8ª leitura conjunta do blogue incidiu na obra de Kathryn Stockett "As Serviçais".
Quem quiser participar pode colocar o seu comentário na caixa dos comentários deste post.
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Comentário do Luís Miguel
Existem certos aspectos do nosso dia-a-dia que temos por garantidos e não lhes damos a devida importância, talvez por nunca termos vivido sem eles. Refiro-me, por exemplo, à liberdade de expressão, igualdade de raças e credos, direito ao voto, só para enumerar alguns. Claro que estes aspectos se aplicam mais às gerações mais novas, que nunca se viram privadas deles. Foram estes pensamentos que me acompanharam ao longo da leitura de “As Serviçais”, de Kathryn Stockett. Parece que já foi há uma eternidade, mas o tema central deste livro, a segregação nos estados do sul dos EUA, aconteceu há pouco mais de 50 anos. Este, como outros temas, deve ser relembrado para que se evite que aconteça no futuro. A forma como a autora desenvolve o seu romance é original pois utiliza como narradoras as três personagens principais do livro.
Esta é uma história de coragem em que três mulheres se dispõem, em conjunto, tentar alterar o status quo da sociedade onde vivem chamando a atenção para as condições de vida degradantes das empregadas negras que trabalhavam para as famílias brancas. É uma sociedade onde impera o ódio, a discriminação, o preconceito, a desigualdade e em que os negros são explorados pelos brancos sendo-lhes negados direitos fundamentais. De referir que estamos na década de sessenta, nos EUA, altura em que começam a germinar com mais força as sementes da luta pelos direitos cívicos. A forma como a autora consegue descrever aquela sociedade através dos relatos do dia-a-dia das suas personagens está bem conseguida, cheia de pormenores que nos deixam perplexos. A coragem destas três mulheres deve ser enaltecida pois, ao decidirem alterar o rumo das coisas, punham as suas vidas em risco caso fossem descobertas. Significativa é a forma escolhida para concretizarem o seu objectivo, nada de radicalismos, nada de violência: simplesmente decidem escrever um livro onde várias criadas relatam o seu quotidiano a trabalhar para os brancos. Um dos aspectos que retive tem a ver com o amor que algumas tinham para com os filhos dos casais brancos onde trabalhavam, eram elas praticamente que os criavam, tentavam passar-lhes bons valores mas viam-nos tornar-se iguais aos pais alguns anos mais tarde. Mas nem tudo era mau pelo que também havia casos em que os laços criados entre os negros e as famílias onde trabalhavam eram fortes e havia respeito e um pouco mais de dignidade. A tarefa que estas três mulheres decidem pôr em marcha é praticamente uma aventura, tudo deve ser feito às escondidas, nem as suas famílias nem ninguém pode saber de nada. Porém conseguem levar a tarefa a bom porto mas não sem algum sacrifício pessoal em cada uma delas.
Aconselho a leitura deste livro pois a mensagem é forte, não nos deixa indiferentes, faz-nos reflectir e transmite-nos sentimentos, enfim, tem todos os ingredientes que um livro de qualidade deve ter.

Comentário do Ângelo Marques
Jackson, Mississípi, USA, década de 60.
Um livro que nos conta, através da narrativa de três mulheres, na primeira pessoa, alternando entre si, a história de um livro, não de um livro qualquer mas o livro que se está a ler, parece que levitamos, e numa posição muito superior observa-mos o desenrolar deste livro que temos bem perto.
A autora Kathryn Stockett sustenta-se em três personagens para contar a sua história (e esta é mesmo a sua história), Skeeter a menina branca (que a revi muito na autora) e as duas empregadas afro-americanas Aibileen e Minny, os opostos em personalidade.
Partindo desta base, Skeeter, irá escrever um livro sobre a visão das empregadas domésticas negras de Jackson que trabalham para as famílias brancas, com relatos verídicos das ditas empregadas, onde Aibileen uma afro-americana culta e submissa será a sua maior aliada, a estas se juntará Minny outra empregada negra, uma língua destravada que lhes custa vários empregos, a parte mais extremosa do livro está evidenciada nesta personagem. A autora tenta abordar outros temas, tanto ou mais controversos, dependendo do contexto sociocultural em que se está inserido, mas sempre de uma forma subtil e muito superficial, sempre pela batuta mediana. Mesmo o tema central, a segregação racial, e muito "flat" sem ondulação, sem extremos, eficaz mas sem odiar ou amar.
Pormenores de hipocrisia onde as mulheres brancas confiam a educação e cuidados dos seus filhos à suas empregadas negras, a coisa mais preciosa das suas vidas, em oposto a isso as mesmas educadoras não podem usar a mesma casa de banho devido às doenças da cor.
As personagens, pelo menos as secundárias como Hilly, Elizabeth ou Celia, são um estereótipo da sociedade de Jackson, um estereótipo da sociedade Missipinese na década 60, isto para não falar do sector masculino que simplesmente segue um padrão muito similar aos kilts escoceses.
Skeeter, uma espécie de patinho feio pouco amadureceu como personagem e não revi nela os impulsos de uma jovem que pretendia mudar algo (contrário ao da autora que batalhou para por este livro nas prateleiras, livro que foi rejeitado por mais de 45 agentes literários), muito constante durante toda a narrativa.
O final, foi um pouco abismal, mas o livro tinha que ter um fim :)
Um livro carregado de eventos históricos que o leitor pode e deve aprofundar. Eventos históricos como a morte de Medgar Evers e John F. Kennedy as leis de Jim Crow, aos mais pequenos como 50% dos automóveis tinham ar condicionado em meados dos anos 70 os lares de Jackson (os das famílias brancas) já estava equipados com ar condicionado, pormenores da segregação racial, tal como a separação das casas de banho, as escolas separadas, paragens de auto carro especiais, etc... Para nós, Portugueses, parece que isto se passou à uma centena de anos, mas não foi à meio século atrás, nós vivemos isto muito distantes o que está errado pois fomos os progenitores desta atitude.
Uma leitura simples e cativante, acho que foi o meu primeiro livro redigido segundo o novo acordo ortográfico (não deverá ser por isso que que o livro contem uns errozinhos) que retirando algumas palavras nada de anormal nem contra este acordo.
No final fiquei com aquela sensação de sequela... um livro que recomendo para quem pretende uma leitura fácil e muito suave.

Comentário da Di
I read a review that compared The Help to To Kill a Mockingbird, and since that’s one of my favourites, I had to give The Help a try.  I was immediately wrapped up in all the characters and read through it very quickly.  As lines were blurred and characters showed their true colours, I fell in and out of rage with all the injustice and racism going on in Mississippi during the 60’s.  Even though I really enjoyed the book, I felt like the ending didn’t do much for me. I don’t know if it was because I felt like it was too perfectly tied up...These women were risking their lives to write this book, I think I was just expecting something more.  This was an inspiring novel of hope for me because of the journey these women took together to write this book.  And the reason these women decided to take this journey was to initiate change in Jackson, Mississippi, “For women to realize, we are just two people. Not that much separates us. Not nearly as much as I thought.”  I am definitely glad I added this novel to my book shelf and that I took the time to read it.

Comentário do Manuel Cardoso
Nitidamente influenciada por W. Faulkner na estrutura da obra (múltiplos narradores) e por Harper Lee na temática (o racismo do sul dos EUA; note-se que Por Favor Não Matem a Cotovia é citado no livro por mais de uma dezena de vezes), Kathryn Stockett apresenta-nos um romance de leitura fácil e fluida, sem grandes ideias de fundo mas com um estilo fácil, agradável e inteligente.
A primeira fase do livro deixa-nos algo expectantes; por vezes o leitor sente que falta ao livro uma linha de rumo, um objectivo final. Mas à medida que avançamos na leitura vamos vislumbrando onde a autora quer chegar. A emoção aumenta, ao ponto de as ultimas cem ou cento e cinquenta páginas nos acorrentarem totalmente ao livro.
Para além do interesse da “estória”, este livro é um testemunho interessante de uma época de charneira na afirmação dos direitos cívicos nos EUA; uma caminho que se inicia com a luta de Martin Luther King mas que ainda não está totalmente percorrido.
No centro da questão está o feminino. As mulheres. A mulher branca mais insensível e implacável que os homens e a mulher negra mais sofrida mas também mais inteligente, talvez porque o seu espírito submisso a faça cultivar aquela paciência que conduz à sabedoria. Acima de tudo, neste livro, a luta pela igualdade de direitos é a luta da mulher negra; é a luta da solidariedade e da união. Mas a questão do racismo não se resume a uma luta linear entre brancos e negros. A segregação racial provoca dramas terríveis no relacionamento entre brancos e entre negros. Como diz o escritor Howel Raine, na nota final da autora: “a desonestidade sobre a qual uma sociedade é fundada torna todas as emoções suspeitas, torna impossível saber se aquilo que flui entre duas pessoas era um sentimento honesto, pena ou pragmatismo”. Na verdade, o peso de aceitar ou não tradições tão arreigadas como as normas de segregação racial tornam suspeitas as relações sociais, criando um clima de conflito permanente. Em parte é ainda esta triste realidade que se vive nos nossos dias. E não só no sul dos EUA.
Uma outra ideia fundamental deste livro é o poder que os livros e a escrita assumem na vida dos personagens. Aibeleen escrevia as orações e era quase sempre atendida nos seus pedidos. Talvez Deus também goste de ler… e é um livro que está no centro do romance; o livro como único meio de mudar o mundo daquelas pessoas.
Stockett demonstra neste livro ser uma alma nobre; uma alma grande, daquelas que tem o dom de mostrar à humanidade o que é, realmente, ser HUMANO.

Comentário da Paula T
As Serviçais, é um romance de Kathryn Stockett que nos dá a conhecer os anos 60 no Mississípi.
As relações entre brancos/negros, empregadas/patroa… relações de amor, ódio, amizade, indiferença.
A história é contada através de 3 narradores – Skeeter, Aibileen e Minny.
Skeeter é uma jovem branca que abomina todas as injustiças praticadas para com as pessoas de cor. Penso que Kathryn Stockett será a própria Skeeter, uma vez como a própria autora nos diz: “Posso dizer com certeza que ninguém na minha família alguma vez perguntou a Demitrie como era ser negra no Mississípi e trabalhar para a nossa família branca (…) Desejei durante muitos anos, ter sido suficientemente crescida e atenciosa para lhe fazer esta pergunta. Ela morreu quando eu tinha 16 anos. Passei anos a imaginar qual seria a sua resposta. Foi por isso que escrevi este livro” O livro será portanto uma homenagem a todo o povo negro vítima de racismo do qual a autora esteve perto e vivenciou as suas angustias e tristezas.
Aibileen e Minny são duas empregadas negras que trabalham para famílias brancas em Jackson. Através destas personagens, damo-nos conta da indiferença, racismo e injustiças de que são vítimas por parte dos brancos.
Estas três mulheres juntam-se com o objectivo de escrever um livro que denunciará as injustiças de que são alvo. Tendo conhecimento que correm risco de vida com a publicação do livro nada as detém. Pois viver no Mississípi numa altura em que a segregação racial é uma constante, já é por si só um grande desafio para a vida.
Esta foi uma leitura bastante agradável, uma história consistente na qual são explorados factos históricos, uma linguagem simples mas não simplista e que consegue chegar ao coração de quem lê. É uma narrativa que não deixa o leitor indiferente, no entanto senti que faltava algo para agarrar o leitor à história.

26/08/2011

Little Bee by Chris Cleave

Sarah Summers and her husband decide to go on a much needed vacation and they end up choosing Nigeria as their destination. They meet Little Bee and her sister on a Nigerian Beach and all four of them become part of a horrifying scene that will continue to haunt them afterwards. I don't want to reveal the entire plot to you so I'll just say that these characters' paths end up crossing again. Little Bee's journey is one of great hardships, courage and hope. I loved the way Chris Cleave played with language in this book. The metaphors and similes Little Bee uses to describe and explain things are so unique and vivid that 'listening' to her was an absolute pleasure. Although the book at times contains such sadness and injustice and desperation...I would conclude that this is a book of hope. Even though the book's subject matter is quite political, this is not a book about politics, it is a book about people and the human spirit. I could not put this book down. When I tried to put the book down, I felt like I was betraying Little Bee. I needed to keep reading Little Bee's story, because I needed to find some hope and peace after she had been through so much in her life. This book was not an easy read, as it will really tug and pull at your heart and emotions; however, it was a fantastic book and I would definitely recommend it.

15/07/2011

A Fine Balance by Rohinton Mistry

 A Fine Balance is set in Mumbai, India 1975-1984 during the period of The Emergency. The book follows the lives of four characters: Dina Dalal, Ishvar Darji, his nephew Omprakash Darji and Maneck Kohlah (a young student who boards with Dina Dalal, a childhood friend of his mother's). These four characters, along with a handful of minor characters, are the true inspiration of this novel, and they remained with me even after I finished reading the book. They are all from different backgrounds and considered members of different castes and they all face their shares of injustices and obstacles, but somehow they are all brought together by this politically and economically changing time in India. Dina grew up in a wealthy family, but her life is completely turned upside down with the death of her father at the age of twelve, forcing her abusive older brother to take her under his care. Maneck, on the other hand, is born in mountain village and has loving parents who send him to boarding school. When the Emergency is declared in India, Maneck's activist friends have all gone into hiding so he gets his mom to arrange a different living situation for him, which leads him to Dina. Ishvar and his nephew Om were born into the Chamaar caste and were considered untouchable. Ishvar's father wanted a better future for his two sons (Ishvar and Narayan) so he sent them to apprentice with a Muslim tailor in a nearby village. These tailoring skills are passed on to Narayan's son, Om. A horrible and disastrous injustice falls upon their family, and Om and his uncle Ishvar move to Mumbai to get work. Their lives take a number of turns as they search and eventually find work tailoring for Dina in her home. Dina and the tailor's small sewing business runs smoothly at first, but the effects of the Emergency becomes an ever growing presence that continues to bother them. This book made me fall in love with its characters, and it also brought me to tears of anger and shock. All in all, I would definitely recommend this book. It's a long, but very captivating read.

04/06/2011

7ª Leitura conjunta do blogue - "C" Tom McCarthy

O livro "alvo" da nossa 7ª leitura conjunta foi "C" de Tom McCarthy. Se leu o livro e deseja participar, pode fazê-lo deixando o seu comentário na caixa dos comentários deste post.
Avisamos que os comentários que se seguem contêm spoilers.



Comentário do Manuel Cardoso:

Serge é um jovem entusiasmado pelas comunicações, na Inglaterra do inicio do século XX. Estávamos num dos períodos de maior progresso técnico de toda a história europeia; por todo o lado viviam-se as consequências da segunda revolução industrial, marcada por duas novas e poderosas fontes de energia: o petróleo e a electricidade.

Nreste contexto, a Inglaterra afirma-se, em definitivo, como a nação mais poderosa do mundo. No entanto, começam a soprar os ventos de guerra, que tornam as comunicações (essencialmente telégrafo e rádio) um alvo preferencial dos investimentos e do encanto dos curiosos, como era o caso do pai de Serge. É nesse ambiente que Serge e a irmã descobrem um mundo de inovação, de encantamento perante o futuro. Se bem que a guerra se aproximava, vivia-se num mundo de optimismo em que a ciência e a técnica prometiam a felicidade suprema. Era a chamada Belle Epoque.

Trata-se de uma obra em que se distinguem com clareza três partes bem definidas. No primeiro capítulo, a meninice e primeira juventude de Serge Carrefax, o autor presenteia-nos com um extraordinário sentido de humor em torno das diabruras das crianças (Serge e sua irmã). Serge e Sophie brincavam com o fogo. Literalmente. Para nós, pais do século XXI é inconcebível imaginar crianças de 10 anos que faziam experiencias a partir de um livro chamado “Ciência a brincar” que ensinava a fabricar pólvora. O pai de Serge é responsável por uma escola de surdos-mudos e na festa anual dos alunos, Sophie usa explosivos para criar os “efeitos especiais” que acompanham a representação teatral. Até que um dia a tragédia acontece. Inevitavelmente. No entanto, a tragédia da morte de uma criança é encarada com uma naturalidade que a nós, um século depois, nos arrepia. Sophie, uma inteligência rara, daquelas que fazem mover o mundo, uma personagem magnífica, morrerá vítima da ciência. A ciência que dá e leva a vida das pessoas.

Sege vai crescendo e apaixona-se pelas comunicações de rádio. O autor apresenta-nos estas experiências com um notável sentido de humor. O ser humano tem uma autêntica compulsão pela comunicação. No entanto, o que distingue Serge é o facto de ele ser um dos pioneiros. É a homens como ele que devemos a aldeia global em que o mundo se transformou; o lado bom do nosso mundo, aliás. Às vezes parece que a história do mundo (e da nossa vida) é um longo combate contra a solidão. Serge procura algo nas transmissões de rádio; talvez algo que o ligue ao mundo após a perda da irmã.

Aproxima-se a guerra. Serge é internado numa clínica onde encontrará a cura mas também o amor. O amor nas vésperas da guerra. Na clínica há pessoas doentes de vários países da Europa: as pessoas como os países: doentes.

Depois Sege irá para a geurra; o livro evolui para um lado sombrio do qual já não sairá. Um dos grandes desencantos desta obra é precisamente este: a partir de certa altura o contexto político impõe ao desenrolar dos acontecimentos um tom cinzento que torna a leitura menos agradável sem que a riqueza do livro fique a ganhar com tal derivação. Serge alista-se na força aérea. A tecnologia entra ao serviço da guerra; o contacto com a morte torna-se vulgar. Serge caminha agora por caminhos obscuros, já não a fugir da solidão mas da morte; a droga entre a coragem e a loucura; caminhos tenebrosos… a guerra foi um motor de progresso, mas à custa de muito sangue…

Na parte final do livro, Serge C (C de Carrefax mas também do Carbono, o elemento mais essencial da vida) trabalho no Egipto, nos confins do Império Britânico. Aliás, no Egipto onde morrerá o Império. E Serge. Sem honra nem glória.

É por isso que este livro é uma homenagem aos heróis anónimos que construíram o nosso mundo. Um livro encantador, que perde muito do ritmo narrativo na parte final mas que não deixa de ser uma obra notável, aliás que só foi superada pelo magnífico “A Questão Finkler” na conquista do Man Booker Prize 2010.

Comentário da Di:

Serge Carrefax spends his childhood at the Versoie House. The Versoie House is run by Serge’s father, who enrols and teaches deaf children to speak. His father is also obsessed with experimenting with wireless telegraphy. Serge has one sister named Sophie and their relationship is a unique one. As young children, Sophie takes many liberties with Serge’s young body (many incestuous insinuations here), which seem to haunt him for the rest of the novel.  Sophie and Serge share a strong connection and even during her funeral, he can still feel their connection; death certainly makes its presence felt during this scene. Serge serves in World War 1 as a radio operator, after recuperating from an illness at a Bohemian spa.  All of Serge’s paths and relationships converge in a scene that takes place in an Egyptian catacomb. I enjoyed the novel; at times it was humorous and at other times it had an eerie feeling.  “C” raises questions about the risks involved when searching for meaning or double meanings from the world. This book felt like a complicated code that needed to be deciphered, just like our lives that we attempt to interpret.

Comentário do Ângelo:

Falando do livro, falando da sua história, falando do que li, bem li o livro e não sei bem o que dizer/escrever dele.

Tom MacCarthy elege Serge Carrefax para personagem central deste seu livro "C" e tudo gira à sua volta. Logo no início do livro deparamo-nos com o nascimento de Serge, um parto realizado pelo Dr. Learmont, uma escrita que nos cativa logo à partida. Serge é filho de Simon uma personagem muito peculiar, seu pai é um inventor, um cientista e também um professor que dirige uma escola para surdos numa província em Inglaterra, uma fazenda em Versoie. Absorvido no seu trabalho de ensinar e tentar patentear algo estrondoso, o seu transmissor, relega para segundo plano sua esposa e com isso a relação entre ambos segue o mesmo rumo, que na mesma fazenda ela assume o controlo da fabricação de seda, mesmo que Simon, seu marido, pense o contrário.

Sophie irmã mais velha de Serge eclipsa-se no primeiro capítulo, tem uma morte súbita aos dezassete anos, Sophie é muito diferente do irmão, Serge tende a seguir os passos do pai, Sophie é uma química/botânica do melhor que a sua escola já teve, as suas experiências nocturnas nos laboratórios da fazenda são deveras interessantes.

Widsun amigo da família chega à fazenda com um cinetoscópio, o qual vai fazer maravilhas entre a comunidade local. O teatro anual das crianças da escola de dia (crianças surdas) ocupa uma grande parte deste capítulo e tem como catapulta a preparação do funeral de Sophie, um funeral teatral e excêntrico.

Após a morte da irmã Serge viaja para Klodebrady, uma cidade Alemã que vive exclusivamente das suas termas e das ditas águas miraculosas, uma passagem que serve para Serge crescer como personagem. Vive obcecado sexualmente por Tânia a sua massagista corcunda, mas passa os dias com uma visitante das mesmas termas onde os dois empatizam nos momentos que precedem as ditas curas.

MacCarthy nesta parte do livro desenvolve a perspectiva entre o lado emocional e racional.

Serge parte após sua estadia em Klodebrady para a guerra onde irá pertencer ao esquadrão de observadores da força aérea Inglesas. Aqui Serge evolui e com ele o romance, parte fantásticas onde do seu RE8 Serge diz estar parado observando o mundo mover-se, sente-se um insecto.

Nesta fase Serge adquire o vicio da droga, uma passagem bastante marcada pelo autor um alerta, uma mensagem de como esta praga se espalhou na sociedade. A sua prisão após o seu avião ter sido "abatido", um descrição do descuro por parte dos alemães no que concerne aos prisioneiros de guerra, coisa que não se voltaria a repetir na seguinte grande guerra.

Serge volta para Londres onde mantêm bem vivo o seu vício pela droga, tenta estudar e é levado por uma sua amiga para uma sessão espírita, onde numa parte divertida do romance Serge descobre como estes suspeitos espíritas enganavam as pessoas.

Após um reencontro com um antigo superior militar Serge parte para o Egípcio para elaborar um dossier sobre a rede de rádio do império britânico, neste momento é-lhe pedido que a par disso se torne espião. Aqui o seu "guia" Petrou vai levar Serge e o leitor por descrições, acontecimentos realmente únicos sobre a cidade, a humanidade.

Tom MacCarthy com este seu "C", todos os capítulos do livro começam por C (Coifa - Chuto - Colisão - Chamada) as palavras-chave ou as mais marcantes também começam por C (Comunicação, Carbono, Cocaína), talvez dai advenha este título muito peculiar. Os temas e os seus capítulos são muito bem estruturados, com uma linguagem acessível mas muito detalhado, cada assunto é dissecado ao pormenor, ve-se muito trabalho de bastidores do autor em quase todos os temas descritos. Este livro vai directo para a estante intermediária pois tem de ser lido novamente tantas pequenas coisas ficaram para trás, demasiadas pontas soltas que merecem ser revistas, um livro complexo com tantas influências (Freud, Kafka, Thomas Mann, entre outros) que realmente merece ter outra oportunidade.

Um livro realmente bom, mas já com um elevado grau de compreensão, podemos cair na tentação de abandonar o livro numa qualquer parte mais confusa, mas mesmo assim um livro muito bom.

Comentário Paula T:

A história começa de forma bastante aliciante e cativante para o leitor. Um médico é chamado para fazer nascer uma criança. Esta criança é o nosso personagem principal “C”. Há um prenuncio de boa sorte para este bebé, pois quando vem ao mundo, vem envolto numa coifa.

Na casa onde Serge nasce o pai dá aulas a crianças surdas/mudas. Uma escola onde é proibido gesticular!

Comunicar faz parte da vida, mas segundo o pai de Serge, é fundamental que se comunique através da fala “aqui ensinamos-lhes a linguagem, não o secretismo e o silêncio. É isso que conduz às guerras” uma crítica ao cinismo da guerra, aos objectivos assim como a todos que a planeiam.

A obsessão pela fala em relação aos surdos/mudos, é tão grande, que o pai de Serge organiza eventos em que as crianças declamam…muitas das vezes o resultado é quase desastroso “as palavras prendem-se e esticam-se e arrastam-se e voltam a silvar. Os pais (…) esforçando-se a apanhar o sentido das frases”

Para Carrefax, a comunicação é a sua vida e a ela dedica todo o seu tempo, relegando para segundo plano a família.

Serge e sua irmã, aventuram-se em laboratório fazendo experiências e causando explosões sem vigia por parte dos adultos. O resultado não poderia ser pior, a sua irmã morre e a solidão invade Serge.

O enterro de Sophie (irmã) é feito de forma bastante teatral. Os alunos voltam a declamar, e as frases saem distorcidas, parecendo vermes a tentar sair da terra e a comunicar…

Apenas Serge sente a morte da irmã de forma diferente. Sente que tudo o que acontece naquele momento não tem nada a ver com a sua irmã nem com a própria morte. A terra terá a partir deste momento um sentido diferente na vida de Serge.

Após a morte da irmã, Serge é “atingido” por uma doença de estômago que o “aprisionará” durante muito tempo num centro de recuperação. Só de lá sairá para a guerra. Na guerra tentará ver na morte algum sentido, já que na morte de sua irmã este sentido esteve ausente.

Ao voltar para casa após a guerra, sente-se deslocado, sente que aquele não é o seu mundo. Parte deste pensamento também se deverá ao facto da ausência da sua alma gémea (Sophie).

Surge a oportunidade de viajar rumo ao Egipto e lá Serge irá ficar… não se cumprindo deste modo o presságio da coifa!

Este é um livro muito rico em informações históricas, acerca de diversos assuntos. No entanto, a partir de uma certa altura a leitura deixa de ser fluida, tem de de ser lido com atenção e alguma persistência. Gostei da escrita do autor, das figuras de estilo usadas que deixam informação e mensagens nas entrelinhas, afinal os códigos e as mensagens são o tema principal do livro.

Gostei, mas recomendo com algumas reservas pelas razões que já referi.

O livro aqui na editora

13/05/2011

House of Silence by Linda Gillard


House of Silence was overlooked by traditional publishing houses, but we can thank the book gods that House of Silence was at least released to us as a kindle ebook. I hope readers find their way to this ebook because it really is a gem. I really enjoyed Gillard's Emotional Geology and A Lifetime Burning and House of Silence certainly did not disappoint, from the novel's very first page to its very last. The novel tells us the story of Gwen Rowland who spends Christmas with her boyfriend Alfie and his family. But from the moment Gwen and Alfie arrive at his family's home, Creake Hall, things just don't appear as they seem. This story turns out to be one of family ties, mystery and charming characters and it will leave you guessing until the very end. These characters all have their own story and as you learn more about their personalities, their stories and their pasts, you end up falling more in love with them. I would definitely recomment House of Silence and you can find it on amazon.com as an ebook for an incredible price.

18/04/2011

Comentários da 6ª Leitura Conjunta "A Identidade" Milan Kundera

E já estamos na 3ª semana de Abril, tempo de colocar os comentários referentes à sexta leitura conjunta do blogue ;) Como sabem, o livro proposto foi "A Identidade" de Milan Kundera.
Desde já fica o alerta para os spoiler's que os comentários possam conter. Se já leu este livro, comente connosco, partilhe a sua opinião na zona dos comentários deste "post".


Comentário do Ângelo Marques:
Assim a já alguns dias de distância (a meu ver a melhor maneira de remeter uma opinião), lembrando somente aquilo que ficou, se é que ficou alguma coisa, ainda tenho bem presente estes romance.
Uma bela história de amor entre Chantal (mulher bela) e Jean-Marc (jovem amado), Chantal, divorciada após a morte do seu filho, encontra em Jean-Marc um amor que lhe "incendeia" o corpo. Num encontro, previamente marcado, este casal ir-se-á encontrar num hotel ao pé do mar onde Chantal chegará mais cedo, e num passeio pela praia, passando por um estranho acontecimento no bar do hotel, Chantal interioriza para depois o exteriorizar a Jean-Marc que os homens já não se viram para olhar para ela.
E assim de uma pequena frase surge a construção deste belo romance.
A leveza da frase em Jean-Marc contrasta com todo o seu peso em Chantal... todo o livro nasce aqui, após um breve estágio embrionário e com esta frase começam a brotar todas as ideias do autor.
Este relacionamento amoroso após a ingénua frase ...os homens já não se viram para olhar para mim... sofrerá contornos fantásticos. A morte do amigo de Jean-Marc, a quem este nunca lhe perdoou a falta de apoio num momento profissional crítico onde fora despedido, parece um relato afastado e desconectado de toda a história.
Kundera cria um ambiente impressionante, de uma subtiliza única, onde a certo momento a Identidade dos apaixonados se confunde se dilui uma na outra.
Alternando os capítulos, curtos, entre o ponto de vista de Chantal e de Jean-Marc, o autor vai dividindo a história até a mesma se fundir num bloco só. Uma leitura extremamente fácil, mas com um conteúdo fantástico, onde o final surpreende não tanto pelo desfecho da história mas sobretudo pela ambiguidade de quando o sonho foi trocado pela realidade.
Os sentimentos, cruéis, são expostos a uma nudez sensível, erótica, sentimentos brutais expostos sem ferir o leitor. À medida que caminhamos para o final do livro somos levados para um abismo onde a leitura exige de nós um término rápido.
Uma leitura que recomendo. É sem duvida um bom livro!
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Comentário da Di:
It was a little difficult to write a review for “Identity.” After reading it, it kind of left me wanting more, but I have decided that it actually works well just the way it is, in its vagueness, in its briefness and in the unimportance placed on the characters themselves. As I collect my thoughts on this novel, I think that this is not a novel that is about the specifics. And I don’t think this book is really about its characters either. The characters all have certain personalities but there is a certain vagueness about them.
“Identity” is about identity. It is about a person’s identity and how that person’s identity changes over time. The relationship between Chantal and Jean-Marc is always changing throughout the book. And their relationship changes based on weird memories of their past and it also changes because of certain misunderstandings. Chantal and Jean-Marc also seem to change after they fall in love. Love changes people.
An important part in this novel is when Jean-Marc mistakes a stranger for Chantal. This mistaken identity really bothers Jean-Marc. This novel makes a point about our identity being something that is always changing, always transforming, and that we portray different identities to different people. We see this in Chantal’s character: her identity when she is with her colleagues from work is very different from the identity she portrays to Jean-Marc.
Overall I liked this novel. It was short and brief, but very reflective.
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Comentário de Manuel Cardoso:
“Eu tenho duas caras”, afirma Chantal. Duas caras. Todos temos, não é? Duas, três ou quantas forem necessárias. Duas caras mas uma identidade; algo próprio, seja de Chantal seja de qualquer um de nós que nunca se diluirá. É por isso que um casamento, ou uma relação amorosa, por mais profunda que seja, sempre há-de esbarrar na verdadeira natureza humana. A identidade de um ser humano é composta de múltiplas facetas e só a anulação total da personalidade permitiria essa diluição que, ao que dizem, tornaria um casamento feliz. Talvez fosse esse caminho que, neste livro, Jean-Marc procurou: o da anulação da personalidade em nome de uma causa – o amor. Falhou. Falhou como Chantal ou como qualquer ser humano que não consegue (porque não pode) diluir-se nisso a que chamam amor monogâmico.
A monogamia é uma imposição social e histórica; perante ela só há um de dois caminhos: a adaptação ou a revolta. Jean Marc adaptou-se. Pelo menos tentou; ele não se inquieta; apenas se acomoda, passivamente. Acabará mal.
Ela, Chantal, necessita de desafios; necessita de ser ela; de mostrar as várias faces e assumi-las. Acabará mal, também.
O ser humano anseia permanentemente pela liberdade, pela realização do “eu”. No entanto, o amor é algo que conduz a um beco sem saída, a uma quimera que é uma espécie de liberdade a dois. Impossível. Por isso o amor é a negação da liberdade; é a despersonalização.
A verdadeira natureza humana é a do sonho: do sonho libertador, da atracção fatal da liberdade. É entre estes dois pólos (amor e liberdade) que vagueiam Chantal e Jean Marc. Kundera coloca cada um deles num dos pólos. Qual dos dois triunfa? Talvez todos os triunfos sejam provisórios e a vida humana não seja mais que uma viagem hesitante e constante entre os dois.
Trata-se portanto de um livro extremamente simples, com uma mensagem muito clara. Sem a profundidade das sua obras-primas (O Livro do Riso e do Esquecimento e A Insustentável Leveza do Ser) mas com traços de génio na forma simples e directa com que consegue prender o leitor.
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Comentário da Paula:
Penso que com esta história, Milan Kundera alerta-nos para o facto de se perder a identidade quando se ama alguém, ou melhor o casal funde-se formando uma só identidade. Eu pessoalmente não concordo com este conceito. Por mais que se goste de alguém, as pessoas continuam a ter a sua personalidade/identidade. A não ser em casos doentios claro! Mas nesse caso a pessoa em causa perde-se de si mesma!
Apesar da primeira parte da história fazer alusão a esta ideia (identidades que se fundem), o certo é que no decorrer da narrativa, este conceito vai perdendo força uma vez que Jean Marc acaba por trair a confiança de Chantal. Nesta parte da história é evidente a ideia de que as pessoas têm de manter a sua liberdade nas relações, não podem viver em função do outro.
Chantal, que na sua mocidade “queria ser um perfume de rosa, um perfume expansivo e conquistador, queria atravessar assim todos os homens e, através dos homens, abraçar a terra inteira.”, contudo a sua metáfora da aventura adormeceu com o seu casamento e posteriormente com a morte do seu filho. Anos depois de estar com Jean Marc assalta-lhe a ideia de já não ser capaz de chamar a atenção dos homens! Acorda para a realidade com uma certa desilusão. Será que perdeu a identidade de outrora? Embora seja capaz de representar várias facetas, várias identidades, Chantal, deixa de se identificar com aquelas (identidades/facetas) que representa ultimamente. Até que alguém, lhe acende novamente a chama do gosto pela vida e Chantal tenta recuperar a sua identidade perdida…
Este foi o primeiro livro que li de Milan Kundera, não sendo uma obra genial, é uma obra agradável de se ler, cuja mensagem pode ter diversas interpretações.

06/03/2011

Manhãs Gloriosas - Diana Peterfreund 5ª Leitura Conjunta do Blogue

Seguem-se os comentários da nossa 5ª leitura conjunta do livro "Manhãs Gloriosas" de Diana Peterfreund.
Atenção, alguns comentários contêm Spoilers.
Sinopse:
Notícia de última hora: a ambiciosa produtora televisiva Becky Fuller é despedida de um programa matinal de Nova Jérsia e a sua carreira começa a parecer tão deprimente como a sua vida amorosa. Desesperadamente necessitada de um emprego, mas ainda assim cheia de um optimismo sem limites, Becky promete assentar bem os pés na terra e depara-se com uma oportunidade no Daybreak, um programa matinal que é gravado em Nova Iorque. Os péssimos níveis de audiência são apenas a ponta do icebergue: os produtores executivos raramente sobrevivem ao intervalo publicitário seguinte e as câmaras antiquadas deviam estar num museu. Prometendo ao director da cadeia televisiva que é capaz de reverter a espiral descendente, Becky faz ao lendário apresentador Mike Pomeroy uma oferta que, por contrato, ele não pode recusar. Acrescente Pomeroy com êxito à equipa, mas ele recusa-se a participar nas reportagens mais lamechas de Daybreak e em rubricas sobre celebridades, meteorologia, moda e artesanato. Além do mais, antipatiza imediatamente com a sua igualmente difícil co-apresentadora, Colleen Peck, e tempos vencedora de um concurso de beleza. A única alegria na carreira de Becky é Adam Bennett, um colega produtor maravilhoso, mas a alucinação de Daybreak vem dificultar o seu incipiente romance. À medida que a química entre Mike e Colleen no ar se torna mais explosiva a cada dia, Becky é forçada a lutar para salvar a sua vida amorosa, a sua reputação, o seu trabalho, e, finalmente o próprio Daybreak.
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Comentário do Ângelo:
Penso que a sinopse deste livro retrata e ilustra bem o que o livro pretende mostrar ao leitor. Becky Fuller, uma produtora que ambiciona ser produtora executiva numa estação de TV, local, New Jersey, onde trabalha no programa Good Morning, vê chegar essa oportunidade com a reestruturação da empresa, para sua surpresa essa reestruturação passa pelo seu despedimento. O seu sonho de ter o "seu" programa, acabou em segundos; tinha deixado de estudar, deixado de ter vida própria para viver esse sonho e agora era substituída por um jovem licenciado com nome de "Chip".
Becky é convidada a ser produtora executiva, um sonho concretizado, no programa matinal Daybreak do canal IBS, um programa de um canal a nível nacional e não local. Becky sai então de New Jersey, produtora local para Manhattan, epicentro mundial, para ser produtora executiva. Com um salário muito "português" e com níveis de audiência lastimáveis, Becky sonha elevar o Daybreak a um patamar glorioso, concorrendo com os outros programas nacionais. Encontra aqui Lenny que já fora produtor executivo do programa mas que para manter o seu emprego mantém-se como produtor do mesmo programa, Lenny irá ajudar Becky na sua integração no Daybreaks bem como na IBS. No seu primeiro dia no Daybreak, Becky, despede o co-apresentador do programa, vendo-se assim com mais um problema em mãos, ter de arranjar um co-apresentador para apresentar o seu programa com a antiga miss Collen Peck, a escolha recai sobre Mike Pomeroy, ídolo de Becky, mas um jornalista noticioso, não jornalista de mexericos, e de difícil trato. Entre estes problemas Becky conhece Adam Bennet com quem trava um relacionamento amoroso, mas este relacionamento é posto em causa pois Becky não consegue desligar-se do seu programa, tudo gira em torno do Daybreak para Becky. Como um azar nunca vem só os problemas com os apresentadores agravam-se, Collen e Pomeroy, começam a sua viagem pelos insultos e despiques entre os dois, que nada agradam aos patrões de Becky. As suas fortes personalidades, contrastando com a precária personalidade de Becky, chocam entre si e Becky não se impondo vai tentando remediar esses confrontos até os conseguir virar a seu favor. O livro pouco descreve as personagens, deixa para o leitor, apenas, uma vaga ideia... Becky é uma personagem central sem brilho, sem complexidade, sem carisma e todo o livro gira em torno desta descaracterização das personagens. Contem muitas referências ao dito sonho americano, ao que estão a passar jovens que trabalham para um sonho em deterioramento de tudo em deterioramento das suas vidas e depois são substituídos por jovens licenciados com os mesmos sonhos. Chega o passar uma tangente a um "fairytale" o adocicar do homem severo que se deixa converter pela jovem executiva, o lado bom do humano que sempre fora frio e intransigente. Um toque ao coração. As aventuras amorosas de Becky, numa inversão da bela e o monstro, uma relação no seu nó que nem ata nem desata, tentativas de deixar o leitor preso nessas aventuras e tentar desvendar o deu desfecho. O superar os obstáculos, todos os obstáculos, impostos a Becky, até chateia e parece tornar a vida uma coisa sem sal. Um livro sem dúvida para um Blockbuster de Hollywood. Um livro para um filme onde o único Oscar é o chefe que despede Becky. Um livro de leitura muito fácil, divertido na sua essência, honestamente não me deixará saudades, mas que forma momentos de pura descontracção na sua leitura, foram.
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Comentário do Manuel Cardoso:
Myzon.tv é um canal da grelha digital da Zon. É o canal zen da Zon. A programação é algo peculiar: uma câmara filma uma paisagem natural, por exemplo uma praia deserta numa ilha tropical onde nada acontece a não ser o soprar do vento e um ou outro pássaro de passagem. O telespectador pode escolher, para acompanhar a imagem, uma música relaxante, os sons naturais ou um texto zen lido numa voz suave. O livro Manhãs Gloriosas fez-me lembrar este canal de televisão. Porquê? Porque nada acontece. Nada. Não se deduza da comparação que acabo de fazer que o referido canal da tv cabo é uma inutilidade sem interesse. Pelo contrário; o que se pede a um canal zen é que seja mesmo assim: feito de paz e sossego. Mas a um livro pede-se exactamente o contrário: que perturbe os espíritos, que transmita ideias inquietantes e faça o coração bater mais depressa. Neste livro não acontece nada disso; apenas páginas e mais páginas de diálogos estéreis, acontecimentos banais e ideias ocas. Ia dizer que o enredo está cheio de clichés. Ia dizer asneira. A verdade é que o livro todo é um imenso cliché. Um lugar-comum gritante, feito da história mil vezes contada da jornalista incompreendida que é despedida injustamente, sendo posteriormente contratada por outra empresa onde faz um sucesso enorme, após ter enfrentado colegas invejosos e traições de telenovela. Para completar o ramalhete não podia faltar a paixão assolapada pelo jovem brilhante e encantador, o príncipe encantado das estórias cor-de-rosa. Trata-se de um romance tipicamente americano, escrito para entreter pessoas pouco exigentes na leitura, que exijam coisas bem simples e lineares. Não há uma única ideia original, não há um único traço que distinga este livro dos mais vulgares romances de cordel. Antes de virar cada página podemos facilmente tentar adivinhar o que vai acontecer a seguir e acertamos sempre. No entanto, nem tudo é mau neste livro: ele tem uma qualidade muito apreciável como entretenimento; lê-se sem qualquer esforço e muito depressa. Podemos até distrair-nos durante várias páginas que voltamos a “apanhar o fio à meada” sem qualquer dificuldade. Este livro pode até ser muito útil naquelas fases em que precisamos de descansar o espírito. Aqui chegado o meu raciocínio até descubro que, no fundo, pode cumprir a mesma função do canal zen; podemos ler o livro como quem vê uma paisagem agradável. Porque no fundo a “paisagem” do livro até é engraçada: conseguimos imaginar uma mulher bonita que produz um programa de televisão, apresentado por uma outra mulher bonita com um encantador mau génio e um jornalista da velha guarda que imaginamos como uma espécie de Mário Crespo. O problema é que não saímos disto a não ser no final feliz que todos prevemos e esperamos desde as primeiras páginas. Resta-me pedir desculpa ao amigo Luís por ter feito um comentário tão desagradável a um livro escolhido por ele mas ficamos com a consolação de não ter sido ele a escrevê-lo. .
Comentário da Di:
This novel begins with a young television producer named Becky Fuller, who after her years of flawless dedication and hard work to a local morning show, is unexpectedly fired. Fuller, who never completed her college education, finds herself with a less than impressive resume, being rejected left, right and centre, making her that all around likeable character readers can empathize with. I was up all night with an ugly flu, so I picked up this book and found myself finishing it that very night. It was a quick read and I found myself laughing aloud quite a few times throughout the book. Fuller has her work cut out for her when she finds herself taking a new position and moving to Manhattan, into a shoebox of an apartment and a new job that comes with half the salary she was making in New Jersey. At first glance, her devotion and dedication to her work brings most people around her to find her naïve and a little on the nutty side, but she proves them all wrong when she manages to bring her show new ratings as well as up and out of the gutter. Overall, if you find yourself wanting a quick and funny read with engaging characters, this book will deliver. .
Comentário da Paula:
Este foi um livro que realmente não me convenceu. Até pode ter dado um excelente filme, mas como livro, na minha opinião, não vale muito. Uma comédia, com personagens não muito “trabalhadas”e os factos são todos abordados superficialmente. Não desisti da leitura, devido à leitura conjunta. A narrativa aborda o tema do desemprego e de como as pessoas lidam com isso. No centro da história está Becky que se vê desempregada no dia que pensa que obterá uma promoção no emprego. Após ficar desempregada por um período de tempo, Becky consegue um lugar no DayBreak, um programa destinado a publicitar futilidades do dia-a-dia cujas audiências são quase nulas. Assim, a personagem principal, desafia tudo e todos e consegue realmente obter sucesso no programa. O final é precisamente aquilo que se espera que seja, sem surpresas, sem dilemas, totalmente previsível e sem interesse!
Não gostei!

03/03/2011

Emotional Geology by Linda Gillard

Emotional Geology is set in the island of North Uist, off the coast of Scotland. The novel is about Rose, a middle-aged textile artist who also suffers from bi-polar disorder. She finds Calum in Uist, who is both a teacher and poet. These two people are both fragile in their own ways, and they are both struggling with their pasts. This novel deals with topics of madness, creativity, and suicide to name a few. Rose interprets some of Calum’s poems into quilts, and when I read the book a second time I found it very interesting that we never actually get to read one of Calum’s poems, and yet I felt like I had read them...just like I felt that I had touched Rose’s quilts. Rose speaks to us sometimes in this novel through poetry and through letters she writes to her daughter. The book almost felt like one of Rose’s quilts- each memory, letter and poem made pieces of different textures, that all came together in the end to form a quilt, and this quilt formed a scrapbook of Rose’s struggle to survive (both mentally and physically). Another reason why I liked this book so much was because the characters had secrets that were not revealed to the reader until later on in the novel. The characters in this novel knew a lot more than they were letting on and it was fun to go back and re-read the novel after the secrets were revealed. The second time I read the novel was a completely different experience than the first time. I read this book in one sitting because I couldn’t put it down. I was lost in Rose’s mind, in her quilts, in Calum’s poetry...and I was lost in their past...making it nearly impossible to put down this book. Emotional Geology was a very moving and fascinating read and I would definitely recommend it.

28/01/2011

Star Gazing by Linda Gillard

Marianne Fraser is a woman in her mid-40's who is blind and lives with her sister, Louisa in Edinburgh, Scotland. When Marianne was in her late 20's, her husband died. As if life couldn't get any worse, she later miscarried with his baby. When she least expects it, Marianne meets a man named Keir Harvey, and their relationship unfolds as an extraordinary adventure that leaves you tangled in its plot and characters, making it very hard to put down the book. I actually read the book in one day, all the while laughing out loud at certain moments and holding back tears in others.
Keir doesn't see Marianne as a blind woman, he sees her as a woman; he does not feel sorry for her because she is blind, he admires her for her strength of character and her personality.
This is not a conventional romantic novel. Its characters feel like real people, with real imperfections, real desires, with real reactions, facing real obstacles.
Star Gazing is also an environmental novel that helps remind us not to take nature for granted. This novel is a call to action. It makes the reader reflect on their own carbon footprint they are leaving behind in the world.
The bond of sisterhood is also an important theme portrayed in this novel - an unbreakable bond that supersedes life's toughest hardships.
What I loved most about this novel was how Marianne shows us what its like to feel a landscape. This book takes you out of your comfort zone, and before you know it, you are experiencing the book through other senses. Rather than imagining that colour the narrator is describing to you, you are imagining what something smells like or listening to music and animal sounds.
I would definitely recommend this book, it is a great read.

16/01/2011

O Fantasma de Canterville - Oscar Wilde 4ª leitura conjunta do blogue

Seguem-se os comentários da nossa 4ª leitura conjunta sobre o conto de Oscar Wilde "O Fantasma de Canterville".
Atenção os comentários contem spoilers!
Comentário da Rita:
Eu achei este conto muito divertido porque nunca tinha lido um livro em que o fantasma fosse o personagem bom, de quem nós temos pena e com quem simpatizamos. No castelo dos Canterville vive um fantasma desde 1536. Ele já tinha aterrorizado muitas pessoas e provocado muitas tragédias. Mas agora são os humanos que vão aterrorizar o fantasma e não o contrário. É por isso que este livro é tão divertido. A minha personagem preferida é Virgínia, a menina de 15 anos que tem pena do fantasma e vai protegê-lo das partidas que os irmãos lhe pregavam. Nascia assim uma bela amizade. É um conto que se lê sem esforço porque não conseguimos abandonar a leitura enquanto não ficamos a saber o desfecho e o destino do fantasma. Será que ele vai conseguir vencer os humanos ou será que os humanos o vão desesperar sempre?
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Comentário da Di: I liked the story of The Canterville Ghost for its humour and for Wilde’s fascination of the macabre. The old English country house has all the elements of the traditional haunted house. I like the fact that we have an American family in a British setting; it just makes it funnier when the author sets up one culture against the other. His characters are stereotypical ones that represent England and the United States. The ghost of Sir Simon misunderstands the Otis’s, who have moved into the English country house. This is one of the ways Wilde pins these characters against each other, emphasizing the differences in culture between England and the United States. I like how the story reverses situations, like when the Otis family succeeds in terrorizing the ghost rather than being terrorized by Sir Simon. And the story is told from the perspective of the ghost, rather than the occupants of the English country house. Even though the story is quite funny, Wilde also seems to include a message in this tale. The fifteen year old Virginia is the one who claims that the ghost helped her see the significance of life and death. The ghost taught her that love is stronger than life and death. Virginia tells her father that God has forgiven the ghost, and in the end it is this forgiveness that allows the ghost to rest in peace. I hadn’t gotten around to reading this story before, but it was a fun read. Wilde manages to successfully mix comedy with the macabre, mixing elements of traditional English ghost stories with American consumerism symbols. .
Comentário da Paula:
Oscar Wilde, brinda-nos com um conto bastante divertido em que todos os personagens intervinientes causam-nos um sorriso. São personagens especiais que rapidamente se tornam amigos de quem lê este conto, inclusive o fantasma, pelo qual nutri um carinho especial. É de notar toda a crítica durante o conto à sociedade Americana, uma crítica característica de Wilde. Passando à história em si, Otis um diplomata americano, compra o Castelo de Canterville, para ir lá viver com a sua família: a sua mulher Lucrécia e os seus quatro filhos, Washinton de 18 anos, Virgínia de 15 anos e os gémeos de 8 anos. Durante a compra, Otis é alertado para o facto de “viver” um fantasma na casa, um fantasma que faz parte da família Canterville (Simon Canterville) que em tempos matara a sua bela esposa e prova disto é a mancha deixada na sala de jantar.
A família não se importando com o fantasma, nem acreditando muito em semelhante mito compra o Castelo e muda-se para lá. Então, as peripécias começam entre esta família e o nosso fantasma Simon. Pois estes americanos ainda iriam arreliar bastante este pobre fantasma e lhe dariam conselhos sobre como olear as suas correntes para minimizar o barulho nos corredores aquando das suas saídas nocturnas. Simon (o fantasma) começa a ficar deprimido e impotente no que respeita às suas partidas. Virgínia apercebendo-se da apatia deste, decide intervir junto de Simon e começa então a compreendê-lo, emocionada esta menina de 15 anos chora e a sua compaixão finalmente liberta este ser que já deveria estar a descansar há muito. .
Comentário do Manuel: “Venho de um país moderno em que o povo tem tudo o que o dinheiro pode obter”. Assim falou o embaixador americano quando comprou a propriedade dos Canterville, com o fantasma incluído. O espírito divertido dos americanos parece ser, neste conto, uma crítica de Wilde ao carácter sorumbático dos ingleses. Convencidos da sua superioridade, os americanos, a família Otis, julgam tudo comprar com o seu dinheiro. No entanto, o sangue da Lady Canterville assassinada há 3 séculos, parece resistir ao infalível sabão Pinkerton (americano, claro está) e continua a manchar o soalho do salão. Por mais que o lavassem, ele sempre reaparecia. E foi assim que Mr. Otis começou a acreditar em fantasmas. Afinal, era bom não ser dogmático nestas coisas… E quando o terrível fantasma, feio, medonho, arrastando correntes e com olhos de fogo, lhe apareceu à frente, Mr. Otis ficou preocupado apenas com o barulho que as suas correntes faziam. Ofereceu-lhe um belo lubrificante americano e assim estaria o assunto resolvido. Isto não é coisa que se faça a um fantasma honrado, obviamente. O americano acabara de indignar o pobre espírito. E pior ficou quando as crianças do americano, uns pirralhos, lhe atiraram, divertidos, almofadas à cabeça. Pior que isso. Aos poucos, o fantasma ia-se sentindo aterrorizado por aquelas crianças assustadoras! Logo assustarem-no a ele, que durante mais de 300 anos aterrorizara tantas gerações de Cantervilles! Ele estava agora a tornar-se alvo de chacota por parte da família Otis! Perante esta situação desesperada e assustadora, como irá reagir a nossa alma penada? E a jovem Virgínia, a filha dos Otis, menina dócil de 15 anos, terá um papel decisivo na vida do pobre fantasma. Como? Queira o leitor ler o conto e decerto não se arrependerá. As gargalhadas são garantidas. Mas também um estranho sentimento de piedade para com o azarado fantasma. Afinal de contas, enfrentar uma família americana é tarefa árdua até para um fantasma com 300 anos de experiência.
. Comentário do Ângelo:
Uma família norte-americana decide comprar o castelo de Canterville nos arredores de Ascott, Inglaterra, mesmo com as insistentes, advertências do próprio lorde de Canterville em os avisar que o castelo era assombrado pelo fantasma de um antigo parente seu, o fantasma de Simon Canterville. A família norte-americana Hiram B. Otis (Pai) e Lucretia R. Tappam (Mãe), até acharam que seria bom o castelo ter um fantasma. Este casal tinham quatro filhos os gémeos (mais novos), Virgínia E. Otis (a filha do meio) e Washington Otis (o mais velho). O fantasma bem tentou assustar esta família, mas a sua singularidade e descrença levaram o fantasma ao desespero, os gémeos passam a fazer ao fantasma aquilo que ele lhes tentou fazer mas nunca consegui, assim os gémeos passam a assustar o fantasma este fica aterrorizado com as partidas dos gémeos e deixa de assustar as pessoas. Torna-se um fantasma angustiado, que vive com medo. Certo dia a jovem Virgínia encontra o fantasma Simon e fica a saber que existe a possibilidade de libertação deste fantasma, um coração puro pode libertar Simon, e assim aceitar ajudar o fantasma Simon nessa tarefa. Um conto repleto de fantasia, muito divertido, Wilde ironiza no contraste das sociedades a antiga e nobre Inglaterra cheia de preconceitos, com a juventude da sociedade americana, ricos quererem ser nobres e de valores morais bem mais superficiais, onde a desconhecido é uma aventura. Os pormenores do retrato da sociedade norte americana chegam-nos com pormenores como os nomes das personagens, quase sempre constituídos por três nomes sendo o do meio sempre uma letra (ponto). A pureza do coração das crianças contrasta com os pecaminosos corações adultos, esta relação é explorada por Wilde, e toca ao de leve um chamamento para o rumo da sociedade

11/12/2010

Comentários ao livro "O Deus das Pequenas Coisas" de Arundhati Roy - 3ª Leitura Conjunta do blogue

O livro que decidimos ler na nossa 3ª leitura conjunta aqui no blogue foi a obra de Arundhati Roy "O Deus das Pequenas Coisas"
Se leu o livro e quer participar, pode colocar a sua opinião na caixa dos comentários neste post :)
Avisamos que os nossos comentários contem spoilers.
Comentário da Di
I liked The God of Small Things because it painted us a picture of the caste system in India, of women who are marginalized, of the Love Laws, of mutation and change, of preservation, etc. all through the eyes of Estha and Rahel, children. Instead of the book being a book all about politics, we are painted all these pictures through the perspectives of two young children. I really loved Arundhati Roy’s play with diction. I loved how she cut words in half, splitting one word into two or emphasizing certain syllables, etc. Her play with words is witty and clever. I also enjoyed the way she organized her novel, the nonlinearity in the novel’s narrative. I think this was a way of showing the reader how the small things in life are just as important as the big things, no story is more important than the other. I also enjoyed how the perspectives in the novel were always changing, but then again I have always favoured this literary technique. However I was disturbed and confused that the twins had made love to each other. I had to analyze that part of the narrative for a bit with my Freudian glasses. I feel that this fell in with Roy’s theme of the grotesque in her novel and she was making a point about repressed memories. Towards the final chapters of the book, we see how eventually, one way or another, these repressed memories reveal themselves. I remember taking note that these last few chapters were written with more violence (like the brutality and violence of Velutha’s death. She shows us how repressed memories never really disappear…but how they can sometimes seep into our dreams or how they can sometimes make huge explosions (like this act of incest between fraternal twins…). This book is filled with things to talk about, reflect on and question, from the actions in its plot to its characters to its literary style, and I am really glad I read the book.
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Comentário da Paula T: Este é um livro cuja leitura não é fácil, porém quando entramos na história não conseguimos sair dela. A narrativa alterna entre o passado e o presente através das memórias de Rachel que volta à sua terra – Ayemenem - para se reencontrar com uma parte de si - o seu irmão gémeo (gémeos biovulares "Dizigóticos" chamavam-lhes os médicos") Arundhati Roy, nesta narrativa consegue demonstrar toda a sua tristeza e desalento para com o seu país. Toda a sua crítica não é feita de forma directa e "bruta", mas de forma subtil, na minha opinião esta subtileza traduz-se nas repetições de frases sobre os sentimentos que marcam e que ecoam no nosso pensamento, enaltecendo desta forma determinada realidade. Através dos pensamentos e recordações de Rachel, visualizamos uma Índia Corrupta, suja, pobre e um tanto conformista onde a impotência dos pobres é grande tal como o regime que os lidera. A humilhação da mulher é denominador comum em toda a sociedade e não diferencia classes! "uma filha casada não tem lugar na casa paterna. Quanto a uma filha divorciada (...) não tem lugar em parte nenhuma" Achei a escrita de Roy magnífica e cheia de informação nas entrelinhas. Rachel chega a Ayemen num dia de chuva torrencial - a terra que chora pela sua filha que outrora se foi embora e que carregou consigo o coração pesado pela culpa da morte da prima e do “Deus das Pequenas Coisas”. A prima - Sophie Mol - chega de Londres para passar uma temporada com a família após morte do padrasto de quem gostava tanto ou mais que o pai. Ela é vista por Rachel como a "Amada desde o Princípio", esta ideia de Rachel é repetida do início ao fim da história, "Principio" com letra maiúscula, amada desde o Princípio de todos os tempos, amada como um Deus, amada como Rachel e Estha nunca o foram (no pensamento de Rachel claro). A chegada de Sophie, deixa Rachel insegura, deixa-a com "uma vespa a pairar no coração" vespa esta que consoante os sentimentos que os outros demonstram para com ela, abre as asas, esvoaça, arrepia-a... Rachel teme que Mol lhe tire a única coisa que ela tem - a sua família, a sua Ammu (sua mãe). No dia anterior à chegada da prima, esta família vai ao cinema ver "Música no Coração" e neste "episódio" da narrativa o contraste com o mundo dos gémeos é gritante. No filme, "Todos se amavam uns aos outros. Eram crianças limpas e brancas e as suas camas eram macias e com E-Dre-Dões" tudo é branco, limpo e feliz, enfim o mundo que não têm, que lhes é inacessível e com o qual só podem sonhar. Sophie Mol é comparada neste cenário por Rachel, ela por certo assemelha-se aos meninos do capitão Von Trap (limpa, branca, educada). No cinema, algo de terrível acontece a Estha. Este é violentado pelo empregado do bar, Estha não reage apenas cumpre o que lhe é pedido pelo seu violentador. Outro aspecto comum na Índia - a Pedofilia! Estha como disse não reclama, não diz nada à mãe com medo que esta goste um pouco menos dele, tal como acontece com Rachel. A mãe - Ammu - é o mundo de ambos e todo o seu universo! No momento em que a Família se dirige ao hotel, para passar a noite (antes da ida ao aeroporto) há mais "vermelho" para os receber. "Degraus vermelhos a subir. O mesmo tapete do átrio do cinema perseguia-os". O vermelho pode significar um aviso do que está por vir ou simplesmente para recordar a Estha o que aconteceu no cinema com o homem laranja limonada. No aeroporto, todos esperam a chegada de Margaret e Sophie Mol "de Chapéu, calças à boca de sino e Amada desde o Princípio". Novamente o "P" maiúsculo para enfatizar o amor que os outros sentem por ela. O dia da chegada da prima, era o dia da Grande Representação. Todos tinham de estar bem na Peça, todos tinham decorado os seus papéis (actores de uma vida que não existia, mas que se fazia representar para parecer bem). A Representação, inevitavelmente, transforma-se num caos e todos retomam o seu papel de personagens secundárias ou mesmo de meros figurantes nas suas vidas. Sophie revela-se tão criança como os primos, contudo com uma pitada a mais de maldade que estes. Notamos este facto quando Rachel está a extravasar a sua tristeza matando formigas e Sophie diz-lhe "vamos deixar viver uma para ela ficar sozinha". Tanto para esmiuçar neste livro que se torna complicado fazê-lo por escrito quando numa discussão de corpo presente seria muito mais interessante. Há um capítulo que achei bastante importante e interessante, nomeadamente o Cap. 10, que nos mostra o quanto Estha sofre com o facto de ter sido violentado e de não ter conseguido desabafar com ninguém o que lhe sucedeu por medo. Neste capítulo, enquanto a "Peça" decorre dentro da casa, Estha mexe a compota de banana no Pickles Paraíso. Mexe, mexe, "rema" na compota e enquanto pensa a compota borbulha e as borbulhas afogam-se (tal como Estha nos seus pensamentos) e não há ninguém para ajudar nem a ele, nem às borbulhas, nem ao que irá acontecer. Mexendo a compota Estha traça um plano que marcaria todos para sempre. Os sentimentos, nesta narrativa têm uma enorme importância, tudo gira à volta dos sentimentos dos gémeos por Ammu e pelo Deus das Pequenas Coisas e deste para com Ammu e vice-versa. No entanto, ninguém pode esquecer-se das leis do amor. Que ditavam quem devia ser amado. E como. E quanto" A meu ver as palavras "E como. E quanto" são sonoras e afirmativas. Tornando-se algo inviolável e sem perdão para quem a desrespeitar! Outro personagem muito importante nesta narrativa, mas menos explorado é Velutha, um empregado da família por quem Ammu se apaixona os dois vivem momentos proibidos de prazer e amor. Ammu encontra a liberdade que não tem em Velutha - o Deus das Pequenas coisas - um ser inferior a ela. Ammu ama-o como mulher e os seus filhos amam-no como amigo. No entanto, Ammu não esqueceu que não era ela quem ditava quem devia amar. E como. E quanto. Mas arriscou e o Deus das Pequenas Coisas teve de morrer de forma injusta, violenta e para salvar a honra da família, os gémeos que tanto amavam aquele homem, tiveram de o culpar por algo que ele não fizera. A mágoa de o terem culpado, a mágoa da morte de Sophie Mol persegue-os até à idade em que se reencontram: 31 anos, nem novos, nem velhos, "uma idade morrível". Rachel e Estha, Reencontram-se para se encontrarem, os gémeos passam mais uma vez a ser "nós" não ele e ela, mas "nós" um só ser. No entanto, violam as leis do amor. Que ditavam quem devia ser amado. E como. E quanto. Uma leitura que ADOREI ! Recomendo no entanto com algumas reservas, pois não é uma história de leitura fácil.
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Comentário do Manuel Cardoso:
Só nas Pequenas Coisas residem os laivos de luz a que poderemos, talvez, chamar felicidade. Velutha, o Deus das Pequenas Coisas, intocável e Ammu, tocável amaram-se entre as coisas pequenas, na margem de um rio, entre insectos e ervas, ódios e intolerância e foram felizes nesses laivos de luz. Isto aconteceu antes de as Grandes Coisas tecerem os destinos: as castas, imposição sagrada; Deus e a Ordem; Tradição e Devoção; desgraças, destinos trágicos que só as Grandes Coisas podem dar à vida. A Índia, terra de tradições, religião, ditaduras e outras grandes coisas é o cenário de amores proibidos. Rahel (Rachel noutras traduções) e Estha, irmãos gémeos, felizes nas pequenas coisas que o amor de irmãos envolve, desenharão destinos trágicos nos vestidos brancos, europeus, puros, perfeitos, chiques, de Sophie Mol, a prima perfeita. E todos os destinos se desenharão em torno da menina perfeita a quem os peixes comerão os olhos. O Deus das Pequenas Coisas é um livro estranho. Numa escrita profundamente simbólica, por vezes enigmática, onde se entrevêem traços nítidos de William Faulkner, o leitor é embalado numa escrita de enredo por vezes tortuoso, de onde sobressaem algumas ideias já desenvolvidas por Aravind Adiga: as desigualdades sociais como consequência das tradições hindus, agravadas pelas consequências do sistema capitalista. A civilização europeia continua, no entanto, a ser vista como um modelo, um ideal a seguir no comportamento social, fruto de uma colonização inglesa que deixou raízes profundas, que conseguiu enquadrar a Índia no esquema de superioridade colonialista. Ao longo do livro é constante o lamento de Roy perante os graves problemas da Índia moderna: as injustiças sociais, os abusos de poder, a corrupção, a exploração e abusos de crianças, a violência sobre as mulheres, a falta de higiene pública e privada, a desorganização geral ao nível social e político, etc. etc. Por outro lado, o marxismo e o cristianismo, aparentes instrumentos de revolta, não conseguiram pôr em causa a realidade vigente porque também eles são elementos estranhos, impostos pela velha Europa. O amor e a história romântica de Ammu e Velutha, bem como os laços profundos de amor entre os gémeos, surgem como uma espécie de fuga para o real; um esconderijo nas pequenas coisas. Os dois gémeos vivem um mundo muito próprio, entre os encantos que a inocência infantil proporciona e um mundo reservado de segredos, de vida nos limites do permitido pelos adultos, porque só a proibição dá encanto à busca da felicidade. Ao longo do livro, as súbitas e constantes mudanças de cenário bem como de tempo narrativo tornam por vezes a leitura difícil, sem que o leitor tire grandes benefícios desse esforço que lhe é imposto. Os saltos cronológicos parecem claramente excessivos e muitas vezes desnecessários. Por outro lado, esta técnica narrativa torna a acção demasiado lenta. Alguns episódios, como a espera por Sophia Mol arrastam-se por dezenas de páginas sem que se vislumbrem vantagens dessa lentidão. Assim, a leitura chega a tornar-se enfadonha. É por isso que este é um livro estranho: saturante, fastidioso mas também recheado de uma rara beleza de linguagem e com um final belíssimo, de uma beleza que só a tristeza pode proporcionar.
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Comentário do Ângelo:
Este livro centra-se num acontecimento trágico que assolou uma família Indiana, basicamente a história gira em torno dos dias que antecederam essa trrgédia, passa-se nos finais dos anos sessenta do século passado e atravessa três gerações desta família Indiana, Rahel (filha de Ammu e Baba) é a figura central irmã de Estha, gémeos de óvulos diferentes, Pappachi o avô e Mammachi a avó, o tio Chacko divorciado de Margaret Kochmma (Inglesa) pais de Sophie Mol, bem como Baby Kochama a tia-avó formam o núcleo duro deste clã Indiano de Tocáveis, convivem de perto com os Paravá os Intocaveis Vellya Pappen o pai e Kuttappen a mãe e o intocável mais tocável o seu filho Velutha. Numa parte este livro descreve a viagem de alguns familiares à recepção de Margret e Shopie, que vêm de Inglaterra passar uns tempos na Índia, isto devido ao falecimento do padrasto de Shopie. O relato fascinante dessa viagem a ida ao cinema onde mais uma tragédia irá penetrar esta família, Estha será molestado sexualmente pelo homem laranjada limonada, a partir desse momento será "...uma gota calada flutuando num mar de ruído..", esta comitiva tem um encontro peculiar com uma manifestação dos Naxalistas, facção comunista Indiana que ocupará grande parte do livro. Uma descrição fabulosa do ambiente no aeroporto na chegada de Sophie e Margret, as birras das crianças o atropelo dos adultos na formatação das crianças, lindo. Noutra fase do livro temos o pós acontecimento a vida em Kerela, a polícia de Ayemenem as suas atrocidades cometidas com base em falsas informações. Passagens brilhantes como a morte de Ammu, sozinha numa pensão corpo nu só com o verniz nas unhas, contrastam com duplicação de frases que atingem um certo exagero tornado um pouco fastidioso a sua leitura. A autora introduz-nos no mundo das castas indianas, muita das vezes incompreensíveis para ocidentais, toca ao de leve a problemática a vivencia entre Tocáveis e Intocáveis, a proibição da existência de amor entre eles, aborda também o problema das viúvas nessa sociedade. Conduz-nos de forma bem substancial sobre a introdução do comunismo, ou os vários tipos de comunismo que se criam na Índia, e debate-se com a normalidade das questões politicas ou seja a falta de escrúpulos para conseguirem o que pretendem. Polícias com abuso de poder e corruptos ficam bem vincados no romance. Retrata os sentimentos entre mãe e filhos, a crueldade da separação, a solidão da morte, um livro cheio de inteligência muito bem delineado e escrito, pois os saltos temporais na história estão bem conseguido, repletos de informação complementar sobre a história, roçando por vezes uma certa mastigação nas descrições, fora isso e um romance bastante bom. Gostei particularmente da forma inteligente em como está escrito, sem dúvida um capricho da autora.